sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Não dando motivo para escândalo
6. Que princípio relacionado com a alimentação pode também ser aplicado a outras áreas da vida?
15 Se, por causa de comida, o teu irmão se entristece, já não andas segundo o amor fraternal. Por causa da tua comida, não faças perecer aquele a favor de quem Cristo morreu.
16 Não seja, pois, vituperado o vosso bem.
17 Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.
18 Aquele que deste modo serve a Cristo é agradável a Deus e aprovado pelos homens.
19 Assim, pois, seguimos as coisas da paz e também as da edificação de uns para com os outros.
20 Não destruas a obra de Deus por causa da comida. Todas as coisas, na verdade, são limpas, mas é mau para o homem o comer com escândalo.
21 É bom não comer carne, nem beber vinho, nem fazer qualquer outra coisa com que teu irmão venha a tropeçar ou se ofender ou se enfraquecer.
22 A fé que tens, tem-na para ti mesmo perante Deus. Bem-aventurado é aquele que não se condena naquilo que aprova.
23 Mas aquele que tem dúvidas é condenado se comer, porque o que faz não provém de fé; e tudo o que não provém de fé é pecado. Rm 14:15-23;
12 E deste modo, pecando contra os irmãos, golpeando-lhes a consciência fraca, é contra Cristo que pecais.
13 E, por isso, se a comida serve de escândalo a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que não venha a escandalizá-lo.1Co 8:12, 13.
Nos versos 17-20, Paulo põe vários aspectos do cristianismo sob a perspectiva apropriada. Embora a alimentação seja importante, os cristãos não devem discutir sobre a decisão por parte de alguns de comer legumes em vez de carnes que poderiam ter sido sacrificadas aos ídolos. Ao invés disso, eles devem se concentrar na justiça, paz e alegria no Espírito Santo. Como podemos aplicar essa ideia às questões de alimentação hoje em nossa igreja? Por maiores que sejam as bênçãos advindas da mensagem de saúde, e especialmente os ensinos sobre alimentação, nem todos veem esse assunto da mesma maneira, e precisamos respeitar essas diferenças.
7. No verso 22, em meio a toda essa discussão sobre deixar as pessoas agirem conforme a própria consciência, Paulo acrescenta uma advertência muito interessante: “Bem-aventurado é aquele que não se condena naquilo que aprova”. Que significa isso?
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quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Observância de dias
Nesta discussão sobre não julgar os outros que podem ver algumas coisas de modo diferente de nós, e não ser uma pedra de tropeço para outros que poderiam se escandalizar por nossas ações, Paulo levanta a questão dos dias especiais que alguns queriam observar e outros, não.
4 Quem és tu que julgas o servo alheio? Para o seu próprio senhor está em pé ou cai; mas estará em pé, porque o Senhor é poderoso para o suster.
5 Um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias. Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente.
6 Quem distingue entre dia e dia para o Senhor o faz; e quem come para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e quem não come para o Senhor não come e dá graças a Deus.
7 Porque nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si.
8 Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor.
9 Foi precisamente para esse fim que Cristo morreu e ressurgiu: para ser Senhor tanto de mortos como de vivos.
10 Tu, porém, por que julgas teu irmão? E tu, por que desprezas o teu? Pois todos compareceremos perante o tribunal de Deus. Rm 14:4-10
De que dias Paulo estava falando? No início da igreja, havia alguma controvérsia sobre a observância ou não observância de certos dias? Aparentemente, sim.
(mas agora que conheceis a Deus ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como estais voltando, outra vez, aos rudimentos fracos e pobres, aos quais, de novo, quereis ainda escravizar-vos? Guardais dias, e meses, e tempos, e anos. Gálatas 4:9-10,
Temos uma sugestão dessa controvérsia em onde Paulo repreende os cristãos gálatas por observar “dias, e meses, e tempos, e anos”. Como notamos no estudo 2, alguns na igreja haviam persuadido os gálatas de que os cristãos deveriam ser circuncidados e guardar outros preceitos da lei de Moisés. Paulo temia que essas ideias causassem dano também à igreja romana. Mas, talvez, em Roma, fossem particularmente os cristãos judeus que tinham dificuldades de se convencer de que não mais precisavam observar os festivais judeus. Paulo aqui está dizendo: Façam como quiserem nessa questão; o mais importante é não julgar aqueles que veem o assunto de maneira diferente de vocês. Aparentemente, alguns cristãos, a fim de se colocar no lado seguro, haviam decidido observar um ou mais dos festivais judeus. O conselho de Paulo é: Deixe que eles façam isso, se estiverem persuadidos a tanto.
Aplicar Romanos 14:5 ao sábado, como querem alguns, é injustificado. Pode-se imaginar Paulo tomando uma atitude tão descuidada em relação ao quarto mandamento? Como vimos ao longo de todo o trimestre, Paulo punha forte ênfase na obediência à lei e, portanto, ele certamente não colocaria o mandamento do sábado na mesma categoria de pessoas perturbadas a respeito de alimentos que poderiam ter sido oferecidos aos ídolos. Por mais que as pessoas usem esses textos como exemplo para mostrar que o sábado não é mais obrigatório, esses versos não dizem nada disso. Quando o usam dessa forma, dão um excelente exemplo do que Pedro advertiu que as pessoas faziam com os escritos de Paulo: “Suas cartas contêm algumas coisas difíceis de entender, as quais os ignorantes e instáveis torcem, como também o fazem com as demais Escrituras, para a própria destruição deles” (2Pe 3:16).
Qual tem sido sua experiência com o sábado? Tem sido a bênção que deveria ser? Que mudanças você pode fazer a fim de experimentar mais plenamente o que o Senhor lhe oferece no sábado?
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Bênção de conclusão
1 Ora, nós que somos fortes devemos suportar as debilidades dos fracos e não agradar-nos a nós mesmos.
2 Portanto, cada um de nós agrade ao próximo no que é bom para edificação.
3 Porque também Cristo não se agradou a si mesmo; antes, como está escrito: As injúrias dos que te ultrajavam caíram sobre mim Rm 15:1-3.
Que importante verdade cristã está presente nesses textos?
10. Que significa ser seguidor de Jesus?
11. Que outros versos ensinam a mesma ideia? Como você pode viver esse princípio?
12. Na conclusão de sua epístola, que bênção Paulo pronunciou sob diversas formas?
5 Ora, o Deus da paciência e da consolação vos conceda o mesmo sentir de uns para com os outros, segundo Cristo Jesus,
6 para que concordemente e a uma voz glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.
13 E o Deus da esperança vos encha de todo o gozo e paz no vosso crer, para que sejais ricos de esperança no poder do Espírito Santo.
“O Deus da paciência” significa o Deus que ajuda Seus filhos a perseverar firmemente. A palavra paciência, hupomone, significa fortaleza, firme resistência. A palavra consolação pode ser traduzida como encorajamento”. O Deus do encorajamento é o Deus que encoraja. O Deus da esperança é o Deus que deu esperança à humanidade. Igualmente, o Deus da paz é o Deus que dá paz e em quem se pode ter paz.
Que bênção apropriada em uma carta cujo tema dominante é a justiça pela fé! Encorajamento, esperança e paz! Como nosso mundo presente precisa dessas coisas!
13. Depois de numerosas saudações pessoais, como Paulo põe fim a sua carta?
25 Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado em silêncio nos tempos eternos,
26 e que, agora, se tornou manifesto e foi dado a conhecer por meio das Escrituras proféticas, segundo o mandamento do Deus eterno, para a obediência por fé, entre todas as nações,
27 ao Deus único e sábio seja dada glória, por meio de Jesus Cristo, pelos séculos dos séculos. Amém! Rm 16:25-27
Paulo termina sua epístola com uma gloriosa declaração de louvor a Deus. É em Deus que os cristãos romanos, e todos os cristãos, podem confiar para confirmar sua condição como redimidos filhos e filhas de Deus, justificados pela fé e, agora, guiados pelo Espírito de Deus.
Paulo se emociona por ser portador de notícias tão gloriosas. Ele chama essas novas de “meu evangelho”. Ele se refere ao evangelho que proclama. Mas o que ele prega foi confirmado pela pregação de Jesus e pelas mensagens dos profetas. Foi mantido em segredo, não porque Deus não quisesse que as pessoas o conhecessem, mas porque as pessoas recusaram a luz do Céu, impedindo que Deus lhes desse maior luz. Além disso, havia alguns aspectos do plano que a humanidade seria incapaz de compreender até que o Messias viesse em carne humana. Ele deu uma demonstração, não só de como é Deus mas também de como o ser humano pode vir a ser, se recorrer ao poder divino.
O novo tipo de vida seria de “obediência da fé”, isto é, obediência que se origina da fé no Senhor, que justifica graciosamente os pecadores pela justiça concedida a todos os que a reivindicam para si.
Estudo adicional
Leia Ellen G. White: Testemunhos Para a Igreja, v. 5, p. 477, 478: “Unidade e Amor na Igreja”; p. 604-606: “Amor Pelos que Erram”; A Ciência do Bom Viver, p. 166: “Auxílio aos Tentados”.
Vi o perigo em que o povo de Deus incorre ao olhar para o irmão e a irmã White, pensando que deve ir a eles com suas preocupações e em busca de conselho. Isso não deve ser assim. Eles foram convidados por seu compassivo e amoroso Salvador a ir a Ele quando cansados e sobrecarregados, e Ele os aliviará. ... Muitos vêm a nós com a pergunta: Devo fazer isto? Devo envolver-me nesta empreitada? Ou, com relação ao vestuário: Devo usar este ou aquele artigo? Respondo-lhes: Vocês professam ser discípulos de Cristo. Estudem a Bíblia. Examinem cuidadosamente e com oração a vida de nosso querido Salvador quando habitava entre os homens na Terra. Imitem-na e não se desviarão do caminho estreito. Recusamo-nos absolutamente lhes servir de consciência. Se lhes dissermos exatamente o que fazer, vocês nos olharão como guias em lugar de irem diretamente a Jesus” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja, v. 2, p. 118, 119).
“Mas não devemos pôr a responsabilidade de nosso dever sobre outros, e esperar que eles nos digam o que fazer. Não podemos depender da humanidade quanto a conselhos. O Senhor nos ensinará nosso dever com tanta boa vontade como o faz a qualquer outro. ... Os que decidem não fazer, em qualquer sentido, coisa alguma que desagrade a Deus, depois de Lhe apresentarem seu caso saberão a orientação que hão de tomar” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 668).
“Tem havido sempre na igreja os que estão constantemente inclinados à independência individual. Parecem incapazes de compreender que a independência de espírito é susceptível de levar o instrumento humano a ter demasiada confiança em si mesmo e em seu próprio discernimento, de preferência a respeitar o conselho e estimar altamente a maneira de julgar de seus irmãos” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 163).
Pergunta de discussão
Tendo em conta alguns dos temas desta semana, como podem os cristãos achar o equilíbrio correto em:
a) Ser fiéis ao que cremos, mas não julgar os outros, que consideram as coisas de modo diferente de nós?
b) Ser fiéis à consciência e não procurar servir de consciência para os outros e, ao mesmo tempo, buscar ajudar aqueles que cremos estarem em erro? Quando falar, e quando guardar silêncio? Quando seremos culpados se mantivermos silêncio?
c) Ser livres no Senhor e, ao mesmo tempo, perceber a responsabilidade de dar bom exemplo para os que podem nos olhar como exemplos?
Todo o resto é comentário (resumo do estudo nº 13)
Ora, o Deus da paciência e da consolação vos conceda o mesmo sentir de uns para com os outros, segundo Cristo Jesus, Romanos 15:5
Conhecer: A importância de permitir que cada pessoa siga a vontade de Deus pelo melhor que sabe e, ao mesmo tempo, ser sensível ao efeito de nossas ações sobre os outros ao nosso redor.
Sentir: O valor da unidade em Cristo como um princípio que orienta tanto a independência como a interdependência.
Fazer: O que for preciso para contribuir para a paz e a edificação do corpo de Cristo.
Esboço
I. Unidade na diversidade
A. Embora cada pessoa possa ter uma compreensão diferente do que Deus lhe pede para fazer, por que devemos nos aceitar e encorajar mutuamente a seguir a consciência individual e estar dispostos a aprender uns dos outros?
B. Que diferenças podem surgir quando os membros da igreja seguem a própria consciência na obediência a Deus?
B. Que diferenças podem surgir quando os membros da igreja seguem a própria consciência na obediência a Deus?
C. Como essas diferenças podem levar à divisão, e como podem levar ao crescimento?
II. Valorizando uns aos outros
A. Embora seja importante seguir a consciência individual, por que devemos também ser sensíveis à influência de nossas ações sobre os outros?
B. Como devemos nos relacionar com os membros da igreja que expressam preocupação sobre nosso estilo de vida, nossas ações ou sobre diferentes maneiras de pensar em questões espirituais?
B. Como devemos nos relacionar com os membros da igreja que expressam preocupação sobre nosso estilo de vida, nossas ações ou sobre diferentes maneiras de pensar em questões espirituais?
III. Construindo o corpo
A. Considerando que, de muitas maneiras, os membros do corpo de Cristo são diferentes, como podemos, ainda assim, nutrir o espírito de unidade?
Resumo: Embora todos possamos ter diferenças de compreensão sobre nosso dever para com Deus, ao nutrir aceitação e respeito, e aprender uns dos outros, o resultado será que podemos crescer em união.
Motivação
Os cristãos podem concordar em princípios das Escrituras mas discordar dos métodos de como viver esses princípios. Nesses casos, graça e compreensão devem ser mais importantes do que crítica e condenação.
Os cristãos podem concordar em princípios das Escrituras mas discordar dos métodos de como viver esses princípios. Nesses casos, graça e compreensão devem ser mais importantes do que crítica e condenação.
Roma era um caldeirão cultural. Portanto, não é surpreendente que diferentes culturas levassem os cristãos a compreensões divergentes sobre a vida cristã. Muito embora tanto os cristãos judeus como os gentios fossem igualmente dedicados a Jesus como Salvador, sua formação cultural produzia certa tensão quanto à maneira de os dois grupos expressarem seu compromisso. O Concílio de Jerusalém (At 15) foi uma tentativa de solucionar as disputas entre os dois grupos; mas o fato de que o livro de Romanos foi escrito vários anos depois do Concílio é uma evidência da dificuldade de solucionar essas diferenças.
Se a primeira igreja, historicamente mais próxima do primeiro advento de Cristo, teve essas dificuldades, devemos nos surpreender de que as igrejas tenham dificuldades para se harmonizar? Sua igreja inclui vários grupos étnicos? Como a igreja misturou essas várias forças? A variedade produziu desarmonia?
A idade é outro fator que frequentemente divide as igrejas. Os cientistas sociais até falam da cultura jovem, como se fosse uma entidade separada, condensando valores, padrões sociais e linguagem exclusivos. Em sua igreja, existe interação harmoniosa entre as várias faixas etárias? Surgem batalhas culturais sobre preferências musicais, observância do sábado e metodologia evangelística? Quando há discórdia entre os cristãos, como as diferenças são resolvidas? Igreja dividida, discussões ásperas, crítica e sarcasmo? Ou quem sabe as características de sua igreja sejam compreensão, mente aberta, disposição para ouvir e flexibilidade? Benditos são realmente os que experimentam esta condição, e não a primeira!
Tendo estabelecido um fundamento teológico adequado, Paulo se dirigiu às discordâncias culturais práticas que ameaçavam fraturar a igreja.
Atividade: Pegue um recipiente grande de vidro transparente.
Primeiramente, encha o recipiente com pedras grandes. Pergunte: O recipiente está cheio? A resposta esperada será “sim”. Então, mostre um saco de areia que até então esteve escondido, despejando areia no recipiente. Pergunte se agora o recipiente está cheio. Espere uma resposta afirmativa, embora alguns possam vacilar porque antes foi mostrado que eles estavam errados. Em seguida, tire uma garrafa de água escondida e encha novamente o recipiente.
Discuta: Como a atividade ilustra visualmente a importância de ter mente aberta e ser criativo em nossa abordagem da obra de Deus? Por que sempre deve haver espaço para novas ideias e metodologias além dos conceitos antigos?
Compreensão
Muitas vezes, teóricos intelectuais propõem esquemas grandiosos que resultam nos maiores fracassos quando provados na prática. A teologia de Paulo pode sobreviver ao “calor” do fogo cruzado cultural? Este mundo é um campo minado prestes a explodir. Como os líderes da igreja devem facilitar a cura e reconciliação quando surgem discórdias entre os fiéis?
Muitas vezes, teóricos intelectuais propõem esquemas grandiosos que resultam nos maiores fracassos quando provados na prática. A teologia de Paulo pode sobreviver ao “calor” do fogo cruzado cultural? Este mundo é um campo minado prestes a explodir. Como os líderes da igreja devem facilitar a cura e reconciliação quando surgem discórdias entre os fiéis?
Comentário bíblico
I. O irmão fraco
1 Acolhei ao que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões.
2 Um crê que de tudo pode comer, mas o débil come legumes;
3 quem come não despreze o que não come; e o que não come não julgue o que come, porque Deus o acolheu.
4 Quem és tu que julgas o servo alheio? Para o seu próprio senhor está em pé ou cai; mas estará em pé, porque o Senhor é poderoso para o suster.
A cada dia, são tomadas milhares de decisões referentes a uma variedade de escolhas de estilo de vida. Os cristãos creem que nenhuma decisão é sem importância, porque toda a sua existência pertence ao senhorio de Cristo. Os cristãos também vivem em comunidade; portanto, um posição isolacionista é impossível.
Que acontece quando surgem entre os fiéis diferentes padrões e discordâncias quanto às práticas cristãs? Infelizmente, uma opção inaceitável que aparece muito frequentemente é a de depreciar os mais escrupulosos. Os contemporâneos de Paulo tinham dificuldades a respeito dos alimentos sacrificados aos ídolos e da observância dos sábados cerimoniais. Hoje, os adventistas do sétimo dia debatem questões semelhantes – regime alimentar, moda aceitável, apropriada observância do sábado, casamento inter-racial e preferências musicais. Às vezes, os mandados e diretrizes divinos são interpretados de forma diferente, mas, com maior frequência, o debate se refere a assuntos que não são tratados especificamente nas Escrituras. Esses casos não são sem importância, e os cristãos devem extrair princípios das Escrituras para guiar sua decisão quanto a novas tecnologias e diferenças culturais recentemente encontradas.
Certamente, deve-se exercer precaução para evitar abismos intransponíveis de um lado ou de outro. O primeiro abismo é imaginar que as Escrituras tratam diretamente de cada situação cultural. A segunda é acreditar ingenuamente que as Escrituras não têm nada a dizer sobre essas situações. O estudo cuidadoso em oração dos princípios bíblicos, sob a direção divina, livrou a igreja da desintegração ao longo da história cristã. No entanto, será que o cristão escrupuloso deve sofrer comentários depreciativos de seus irmãos de fé por sentir-se impossibilitado de aceitar conscienciosamente certas coisas? “Não”, diz Paulo. Nem deve o escrupuloso (“fraco”) condenar aqueles que veem conscienciosamente as coisas de modo diferente.
Os cristãos não são livres para rejeitar assuntos definidos claramente e tratados diretamente pelas Escrituras. Também devem reconhecer que a maioria das decisões corriqueiras da vida não se classificam nessa categoria. Humildemente e em oração, os fiéis devem buscar a Deus para alcançar a sabedoria para reconhecer a diferença.
Todas as culturas estão contaminadas pelo pecado. Os fiéis não são compelidos a aceitar o materialismo ocidental nem as práticas de vodu caribenho simplesmente porque são marcas registradas culturais. A defesa de práticas com base unicamente na cultura é inadequada. Deus espera um padrão mais elevado. Porém, condenar práticas simplesmente com base na cultura é igualmente indefensável.
Pense nisto: Como os cristãos conscienciosos devem se relacionar com outros crentes que praticam sua fé de forma diferente? O que normalmente acontece quando os crentes dirigem condenação contra outros cristãos que pensam diferente? Como se deve determinar qual é o fundamento irredutível do evangelho e o que é questão de preferência? Como os fiéis devem reagir quando outros membros arrogantes os depreciam?
II. Com o critério com que julgardes
Tu, porém, por que julgas teu irmão? E tu, por que desprezas o teu? Pois todos compareceremos perante o tribunal de Deus. Rm 14:10.)
Romanos 14:10 pode ser descrito como o trunfo de Paulo. Para o leitor não convencido, esse princípio é a essência de seu ensino: Se você julgar os outros com severidade aqui, o juízo divino cairá sobre você em maneira e extensão idênticas
1 Não julgueis, para que não sejais julgados.
2 Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também.
3 Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio?
4 Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu?
5 Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão.Mt 7:1-4).
Inversamente, aqueles que tratam humildemente as diferenças de opinião em áreas controversas, que demonstram uma atitude misericordiosa, podem esperar misericórdia no dia de prestar contas.
Pense nisto:
10 Tu, porém, por que julgas teu irmão? E tu, por que desprezas o teu? Pois todos compareceremos perante o tribunal de Deus.
11 Como está escrito: Por minha vida, diz o Senhor, diante de mim se dobrará todo joelho, e toda língua dará louvores a Deus.
12 Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus.
14 Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará;
15 se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas.
Como Romanos 14:10-12 se relaciona com Mateus 6:14-15? Os cristãos podem ser firmes e inflexíveis, mas também não ser críticos?
III. Não dando motivo para escândalo
15 Se, por causa de comida, o teu irmão se entristece, já não andas segundo o amor fraternal. Por causa da tua comida, não faças perecer aquele a favor de quem Cristo morreu.
16 Não seja, pois, vituperado o vosso bem.
17 Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.
18 Aquele que deste modo serve a Cristo é agradável a Deus e aprovado pelos homens.
19 Assim, pois, seguimos as coisas da paz e também as da edificação de uns para com os outros.
20 Não destruas a obra de Deus por causa da comida. Todas as coisas, na verdade, são limpas, mas é mau para o homem o comer com escândalo.
21 É bom não comer carne, nem beber vinho, nem fazer qualquer outra coisa com que teu irmão venha a tropeçar ou se ofender ou se enfraquecer.
22 A fé que tens, tem-na para ti mesmo perante Deus. Bem-aventurado é aquele que não se condena naquilo que aprova.
23 Mas aquele que tem dúvidas é condenado se comer, porque o que faz não provém de fé; e tudo o que não provém de fé é pecado. Rm 14:15-23
A influência humana é nossa responsabilidade. Somos responsáveis por nossa influência sobre os outros. Como um cristão pode ignorar levianamente essa responsabilidade quando pode ser essa a diferença sobre o destino eterno de outra pessoa? Qual deve ser mais importante – a salvação eterna da pessoa ou o exercício de minha liberdade cristã? O princípio de responsabilidade pessoal não nos proíbe de ajudar o cristão escrupuloso a formar a consciência quanto à liberdade cristã, mas nos adverte a não ignorar arrogantemente seus sentimentos.
Tendo em conta esta discussão, considere a seguinte situação: Jonatã ouviu que Rogério faz a melhor salada da cidade. Embora ele nunca haja tomado bebidas alcoólicas, ele sabe que Rogério também tem a reputação em toda a região metropolitana de ter “o ponto de encontro dos bêbados”. Por isso, ele come em outro restaurante. Comer no restaurante de Rogério é pecado? Não. Comer em outro lugar é talvez mais prudente?
Pense nisto: Esse princípio pode oferecer aos membros “conservadores” um impulso impróprio? Se somos a consciência mais “conservadora”, como podemos evitar que os outros se sintam “incomodados”?
Aplicação
Escolha uma ou mais das seguintes situações da vida e comente como se aplicam os princípios de Romanos 14 e 15. Como os cristãos podem tornar seu mundo mais sujeito aos princípios e mais tolerante ao mesmo tempo?
Escolha uma ou mais das seguintes situações da vida e comente como se aplicam os princípios de Romanos 14 e 15. Como os cristãos podem tornar seu mundo mais sujeito aos princípios e mais tolerante ao mesmo tempo?
Atividade: Leia o seguinte:
A. Adonias foi criado em um lar conservador caracterizado por vestuário simples, rígida observância do sábado e educação caseira. Depois de completar um exame supletivo, ele pensava em frequentar um instituto “independente” porque seus pais achavam que os colégios adventistas eram muito mundanos. Mas ele mudou de ideia porque tinha muita vontade de cursar enfermagem, e o instituto independente não fornecia aquele curso. Pelo menos, ele argumentava, a universidade adventista seria menos mundana que uma universidade oficial. Para sua felicidade, ele descobriu um grupo de amigos conservadores na universidade adventista. Certo sábado, pouco antes da formatura, ele e sete rapazes visitaram um pequeno lago na montanha rodeado por uma trilha. A meio caminho, um de seus amigos sugeriu que eles fossem nadar no lago para acalmar o calor sufocante. Adonias ficou chocado por seus amigos conservadores fazerem isso, pois lhe fora ensinado que nadar no sábado era pecado. Como essa situação deveria ser tratada?
B. Joanita se uniu à igreja três anos atrás. Ela se tornou muito ativa em levar pessoas a Cristo e, recentemente, levou para a igreja sua vizinha, Solange, por três semanas sucessivas. Joanita mencionou a Solange que cada quarto sábado do mês havia um “ajunta-panelas”, mas nunca imaginou que Solange levaria algum prato. Solange se sentiu tão aceita nessa nova família da igreja que quis contribuir com alguma coisa para o almoço. Assim, ela preparou a receita tradicional da família. Isso requereu várias horas de preparação, mas, por gratidão, ela fez alegremente o prato. Quando a matriarca da igreja viu a carne assada com batatas, ela quase explodiu. (Existe uma regra não escrita que todos os pratos devem ser estritamente vegetarianos.) Ela praticamente arrastou Joanita pelo corredor até a cozinha para questioná-la. Como esta situação devia ser resolvida?
Pergunta para consideração
Que papel deve ter nosso sistema educacional em desenvolver discernimento, tolerância e compaixão?
Criatividade
A paixão de Paulo por uma igreja unida na pregação do evangelho de liberdade em Cristo deve ser reproduzida em nossa geração. O diálogo a respeito dos assuntos práticos é necessário; as batalhas, não.
A paixão de Paulo por uma igreja unida na pregação do evangelho de liberdade em Cristo deve ser reproduzida em nossa geração. O diálogo a respeito dos assuntos práticos é necessário; as batalhas, não.
Atividade: Escreva uma nova canção que destaque os temas de parceria, tolerância e abnegação cristã no contexto deste estudo. O que você planeja fazer para praticar essas virtudes nos próximos meses?
Todo o resto é comentário (comentário ao estudo nº 13)
Autor Dr. José Carlos Ramos
Foram reservados para o último estudo do trimestre os três capítulos finais de Romanos. Como afirmei na introdução do comentário anterior, Paulo, dos caps. 12:1 até 15:13, comenta a prática vivencial da salvação (o resultado ético da justificação pela fé) traduzida, em qualquer situação, num comportamento moral semelhante ao de Jesus.
Havendo considerado Romanos 12 e 13 no estudo anterior, o presente é quase toda sobre o capítulo 14; apenas o estudo de quinta-feira aborda os dois seguintes, sem dúvida devido à limitação de tempo e espaço, pois, nos primeiros 13 versos do capítulo 15, o apóstolo apresenta Jesus Cristo como o exemplo máximo do relacionamento cristão, o que mereceria uma atenção adicional.
O título do estudo pressupõe que o conteúdo essencial de Romanos situa-se nos primeiros onze capítulos (isso seria com especial ênfase para
I. O irmão fraco
Em Romanos 14, o apóstolo discute o relacionamento dentro da congregação. Ele já o fizera de uma forma geral no capítulo 12, não exclusivamente, mas especialmente nos versos 3-8. Agora, ele se voltava a circunstâncias específicas que punham em risco a harmonia e o espírito afetuoso que os membros deveriam nutrir. As divergências ali correntes, é claro, não se fazem sentir em nosso meio, pois os costumes hoje são outros; entretanto, as orientações a respeito, feitas por Paulo (particularmente as registradas nos v. 1, 5c, 7-15, 18–15:7), não encontram barreiras de tempo ou de espaço – são aplicáveis em qualquer contexto, pois as reações humanas a situações de conflito continuam as mesmas: censura, intolerância, juízo temerário, presunção, e coisas do tipo.
Dois pontos controvertidos são abordados no capítulo: abstinência de certos alimentos e observância de determinados dias. A primeira envolvia a questão das carnes previamente sacrificadas aos ídolos (Paulo estava escrevendo de Corinto, onde este impasse também se fazia presente [ver 1Co 8; 10:14–11:1]). A segunda tinha a ver com as práticas litúrgicas do judaísmo. Embora a exortação apostólica seja o estudo de segunda e terça, deve-se notar que ela é feita face às duas controvérsias e não apenas à primeira.
Não podemos esquecer que a congregação de Roma era composta de judeus e gentios, dois grupos com culturas opostas, sendo as desavenças suscitadas, sem dúvida, pelo espírito excessivamente escrupuloso dos primeiros. Isso não quer dizer que a exortação apostólica do v. 1 seja direcionada apenas ao elemento gentio. O “débil na fé” podia, de fato, ser o judeu que ainda não se desvencilhara completamente de todos os elementos da antiga vivência religiosa; que imaginava que só a fé seria insuficiente e que ela precisaria do concurso de certas práticas para o alcance de seu propósito, o que teria a ver ainda mais com a segunda questão.
Isso, naturalmente, era muito próprio do judeu. Nesse caso, o pietismo judaico estaria se impondo outra vez, como já ocorrera no princípio da pregação aos gentios (Alguns indivíduos que desceram da Judéia ensinavam aos irmãos: Se não vos circuncidardes segundo o costume de Moisés, não podeis ser salvos - At 15:1) e mais tarde entre os cristãos da Galácia e de Colossos (ver as epístolas endereçadas a eles). Portanto, os judeus cristãos de Roma, por uma questão de consciência, limitavam-se a comer legumes (v. 2).
O “débil na fé” poderia também ser aquele gentio que não rompera radical e definitivamente com os antigos costumes, e ainda se via tentado pela sedutora influência do culto pagão. Aquele que não era forte na fé, poderia, eventualmente, vir a se contaminar se comesse daquelas carnes; por causa disso, se limitava, por precaução, a comer “legumes” (v. 2).
Esse contexto histórico deve ser levado em conta se não quisermos interpretar equivocadamente as palavras de Paulo. Dizer que, nesse capítulo, o apóstolo afirma que a distinção entre animais limpos e imundos caducou, o que facultaria o comer carne de qualquer espécie, é responsabilizá-lo por algo que ele não disse. Essa distinção, objetivamente estabelecida pelas normas de Levítico 11 e Deuteronômio 14, antecede o próprio código mosaico, ocorrendo já no tempo de Noé (ver Gn 7:2, 8; 8:20); Paulo, então, não poderia simplesmente ignorá-la. Repetindo, o assunto aqui é o consumo da carne sacrificada aos ídolos, não o uso indiscriminado do alimento cárneo.
É verdade que o porco e, outros animais considerados imundos, eram sacrificados aos deuses; isso, entretanto, ocorria num paganismo mais antigo e não dentro da cultura greco-romana mais recente, em meio à qual o cristianismo se desenvolveu. Pelo que o livro História da Alimentação afirma no capítulo 5, “Sistemas alimentares e modelos de civilização”, e no 6, “A carne e seus ritos”, sabe-se que “as plantas e a agricultura” distinguiam o homem civilizado do bárbaro, o qual dava mais valor ao alimento cárneo. “A ideologia alimentar greco-romana foi fundada sobre os valores do trigo, da vinha e da oliveira. Bois e carneiros eram preferencialmente destinados ao sacrifício aos deuses.” (Extraído do site www.vegetarianismo.com.br). Uma vez sacrificados, grande parte da carne desses animais era conduzida ao mercado para consumo, mesmo porque a vendagem revertia em lucro para os templos.
11 Quando as multidões viram o que Paulo fizera, gritaram em língua licaônica, dizendo: Os deuses, em forma de homens, baixaram até nós.
12 A Barnabé chamavam Júpiter, e a Paulo, Mercúrio, porque era este o principal portador da palavra.
13 O sacerdote de Júpiter, cujo templo estava em frente da cidade, trazendo para junto das portas touros e grinaldas, queria sacrificar juntamente com as multidões.
14 Porém, ouvindo isto, os apóstolos Barnabé e Paulo, rasgando as suas vestes, saltaram para o meio da multidão, clamando:
15 Senhores, por que fazeis isto? Nós também somos homens como vós, sujeitos aos mesmos sentimentos, e vos anunciamos o evangelho para que destas coisas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles;
16 o qual, nas gerações passadas, permitiu que todos os povos andassem nos seus próprios caminhos;
17 contudo, não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e de alegria.
18 Dizendo isto, foi ainda com dificuldade que impediram as multidões de lhes oferecerem sacrifícios. Atos 14:11-18
Esse testemunho histórico se harmoniza com Atos 14:11-18, onde lemos que o sacerdote de Júpiter, concorrendo com as “multidões” da cidade de Listra, trouxe “touros” para sacrificar em honra a Paulo e Barnabé (pois os imaginavam deuses “na forma de homens”), só não acontecendo porque ambos terminantemente o impediram. Assim, as carnes oferecidas aos ídolos eram de animais limpos e, portanto, permitidas por Deus.
Poderia o cristão comer dessas carnes provindas do culto pagão? Essa era a dúvida, a qual foi tratada por Paulo com discernimento e equilíbrio. Mas o concílio de Jerusalém (At 15) já não havia deliberado sobre o assunto? O estudo toca esse ponto, lembrando que “alguns cristãos não se incomodavam com isso”, o consumo dessas carnes. Nesse caso, por que Paulo não pôs fim à questão valendo-se da autoridade do concílio para advertir os que comiam?
Entendo que a decisão do concílio a esse respeito foi um tanto emergencial para fazer face a um momento crítico da igreja; conforme ela se desenvolvia, o enfoque foi condicionado a novas situações. Diz o SDABC: “A decisão foi essencialmente prática. Chegando-se a um maior discernimento teológico, a questão de comer carne oferecida aos ídolos foi mais tarde considerada numa luz um tanto diferente...” (v. 6, p. 311).
Tudo o que o concílio propunha com essa recomendação era que os gentios se abstivessem “das contaminações dos ídolos” (At 15:20). Portanto, era de se supor que, persistindo o risco de contaminação, a determinação do concílio deveria ser cumprida com precisão; não havendo esse risco, o consumo da carne era facultativo.
Para esse fato concorrem as palavras de 1 Coríntios 8:4 e 7: “No tocante à comida sacrificada a ídolos, sabemos que o ídolo de si mesmo nada é no mundo, e que não há senão um só Deus... Entretanto, não há esse conhecimento em todos, porque alguns, por efeito da familiaridade até agora com o ídolo, ainda comem dessas cousas como a ele sacrificadas, e a consciência destes, por ser fraca, vem a contaminar-se.”
Observe-se, então, que “consciência fraca” em 1 Coríntios corresponde à “débil na fé”
Por essa razão, aquele que comia não deveria desprezar quem não comia, e este não deveria julgar aquele que comia (v. 3). Os direitos e deveres dos crentes em seu relacionamento mútuo são recíprocos.
II. A medida que vocês usarem
O título da lição de hoje é extraído de Mateus 7:2. “...a medida com que tiverdes medido vos medirão também”, disse Jesus depois de advertir os ouvintes a que não julgassem para que não fossem julgados (v. 1). O mesmo Jesus que nos ensinou a orar pedindo a Deus que nos perdoe “assim como nós temos perdoado” (6:12), assegurou que seremos julgados assim como julgamos. O assunto, portanto, é sério!
Daí a importância da admoestação paulina em Romanos 14. No v. 3, Paulo apelou ao que comia carne sacrificada aos ídolos para que não desprezasse quem não comia, e o acolhesse cordialmente na igreja (v. 1). Isso porque aquele que se sentia em condições de comer era tentado a desprezar em seu coração quem não comia. “Coitado do irmão fulano; ele ainda não é idôneo, pois não se sente capaz de comer sem ser contaminado. É um fraco!”
Naturalmente, tal sentimento era reprovável, e não poderia ocorrer numa igreja movida pelo amor fraternal. Mas, em contrapartida, aquele que não comia era tentado a um comportamento igualmente reprovável, o de julgar o próximo: “Será que esse infeliz não entende que se contamina comendo carne que foi sacrificada aos ídolos? Ele nem deveria se dizer crente, pois é mais pagão do que cristão!”
Para Paulo, o único que tem condições de julgar corretamente é Deus, pois só Ele conhece perfeitamente os propósitos e os sentimentos mais íntimos do coração. E, a exemplo do ensino de Jesus, Paulo estende diante dos leitores a perspectiva do juízo de Deus como razão para não julgarmos o próximo (v. 11, 12). Como o estudo afirma, diante de Deus, “ninguém pode responder por outro. Neste sentido importante, não somos guardiães de nosso irmão.”
Quanto à aparentemente difícil expressão do v. 14, “nenhuma coisa é de si mesmo impura”, acrescento que, a exemplo de Mc 7:15, “nada há fora do homem que, entrando nele, o possa contaminar”, as negativas aí registradas não podem ter sentido absoluto (seria um absurdo se assim fossem); será que nenhuma coisa é impura mesmo? até um corpo em decomposição? ou tais pecados como fornicação, adultério, mentira, furto, homicídio, etc.? E realmente não há nada que entrando pela boca do homem não o venha contaminar? E o que dizer da formicida e outros venenos?
Claro, o sentido das negativas é relativo, e tanto Jesus como Paulo se referiram a coisas lícitas e próprias para o consumo. Mais uma vez, o contexto tem que ser levado
O mesmo sentido relativo deve ser aplicado ao v. 20: “...todas as coisas, na verdade, são limpas...”
III. Não dando motivo para escândalo
Paulo insiste que as atitudes tanto de um grupo como de outro eram simplesmente anticristãs. Desde o v. 1, ele admoesta a ambos os grupos a que tratem cristãmente os elementos do outro grupo, como a seguinte comparação demonstra:
| Carnes Sacrificadas aos Ídolos | ||
| Rm 14 | Dever dos que comiam | Dever dos que não comiam |
| v. 1 | Acolher o que não comia | – |
| v. 3 | Não desprezar o que não come | Não julgar o que come |
| v.4 | – | “Quem és tu que julgas?” |
| v. 10 | “Por que desprezas o teu irmão?” | “Por que julgas o teu irmão?” |
| v. 13 | Não por tropeço ou escândalo ao irmão | “Não nos julguemos mais uns aos outros” |
| v. 15 | “Não faças perecer aquele a favor de quem Cristo morreu” | – |
| v. 20 | “Não destruas a obra de Deus por causa da comida” | |
| v. 21 | “Bom é não comer carne” | - |
| v. 22 | “A fé que tens, tem-na para ti mesmo” | |
| v. 22 | “Bem-aventurado é aquele que não se condena naquilo que aprova” | |
| v. 23 | – | “Aquele que tem dúvidas é condenado se comer” |
| Rm 15:7 | “Acolhei-vos uns aos outros” | |
Nota-se que esta série de admoestações começa com o apelo a que se acolha “o débil na fé” (o que não comia a carne sacrificada aos ídolos), e conclui com o imperativo do acolhimento recíproco, isto é, ambos os grupos se acolherem mutuamente. Afinal, os que comiam tinham em desapreço os que não comiam, e estes não viam com bons olhos os que comiam.
Há também admoestações próprias para um grupo específico, e outras aplicadas a ambos os grupos. Entendo que “não destruas a obra de Deus por causa da comida” do v. 20, se aplica também aos que não comiam das carnes sacrificadas aos ídolos, pois eles transformavam o “não comer” em matéria de salvação (não estamos nós no mesmo perigo com a nossa mensagem de saúde?), o que era um absurdo. Da mesma forma, entendo que, no v. 22, Paulo se dirige a ambos os grupos, lembrando-os que assuntos de consciência são sagrados, e que devem ser respeitados; e esse respeito deve partir do próprio possuidor da consciência, como Paulo disse: “Aquele que tem dúvidas é condenado se comer”.
Mas se, por um lado, assuntos de consciência precisam ser respeitados, por outro lado, não se pode impô-los a terceiros, que não os compreendem do mesmo ponto de vista; portanto, a consciência de A não pode servir de padrão para a consciência de B.
Daí o apóstolo afirmar que “a fé que tens, tem-na para ti mesmo” (isto é, não imponhas a outrem aquilo que achas ser um dever para ti) e “bem-aventurado é aquele que não se condena naquilo que aprova” (isto é, estejas seguro de que o que crês não seja pura fantasia e, o que é pior, desaprovada por Deus). Lembremos de que o apóstolo não está se referindo a verdades fundamentais, estabelecidas num claro “assim diz o Senhor”, porém a matérias de mera convicção pessoal.
Mas é inegável que os que comiam das carnes sacrificadas aos ídolos expunham-se a incorrer numa falta ainda mais grave: servir de pedra de tropeço, dando, a alguém, motivo de escândalo. No v. 13, o apóstolo requer do cristão o propósito de não servir de “tropeço ou escândalo” a ninguém. Ele reitera esse imperativo nos versos seguintes, lembrando que não devemos, por causa do que comemos, contribuir para a perdição de quem quer que seja (v. 15), nem destruir a obra de Deus, comendo com escândalo (v. 20).
Quanto a esse ponto, Paulo é mais explícito na primeira epístola aos Coríntios. A lição nos remete a 8:12 e 13, que cada aluno da Escola Sabatina deveria ler e considerar. A verdade é que aqueles que se sentiam na liberdade de comer das carnes sacrificadas aos ídolos poderiam fazê-lo em detrimento da fé daqueles que nutriam escrúpulos para não comer. Estes eram ainda débeis na fé por se sentirem incapazes de não se influenciar pela sedução do paganismo, caso comessem daquelas carnes. Então, o “forte na fé” poderia, por seu ato de comer, estimular o “fraco” a fazer o mesmo, o que o levaria e se contaminar. Agindo assim, ele fazia perecer “o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu” (v. 11).
Daí Paulo apelar aos “fortes” para que fossem idôneos no uso da liberdade que tinham de comer aquela carne. “Vede, porém, que essa liberdade não venha de algum modo a ser tropeço para os fracos” (v. 9). É nesse contexto que precisamos entender o que foi escrito em Romanos 14:21, “É bom não comer carne...” Ele não está dizendo que é bom para a saúde não comer carne; isso é correto, mas não é o que está sendo aqui declarado. É bom não comer a carne sacrificada aos ídolos, porque isso eventualmente levaria um companheiro de fé a se escandalizar e, consequentemente, a se perder.
Não poderiam os ASDs incorrer no mesmo problema, não somente com respeito aos princípios alimentares por nós sustentados, mas em relação a qualquer posição que adotamos?
IV. Observância de dias
O estudo de hoje trata da segunda questão que provocava discórdia na congregação romana: a observância de certos dias tidos como sagrados pelos cristãos de mentalidade judia (Rm 14:5). Paulo deixou entrever que isso não era decisivo para a salvação, e que, portanto, não deveria ser imposto àqueles que não se coadunavam com tal prática. Não fazia qualquer diferença se alguém tivesse a prática em apreço ou não; o importante era que cada um tivesse “opinião bem definida em sua própria mente”.
O último parágrafo do comentário do estudo apresenta a seguinte razão para Paulo, ao deixar como opcional o acatamento por aqueles dias, não estar se referindo à guarda do sábado: o fato de ele enfatizar a observância da lei. Não seria então agora que iria desmerecer um dos Dez Mandamentos.
Além disso, como bem se observa no texto de Romanos, Paulo foi sempre cioso em se defender da acusação de antinomismo, de ser contrário à lei, e não poderia estar sendo incoerente aqui, ratificando a acusação que os adversários levantavam contra ele. Ajunte-se a isto o fato de ter sido Paulo um fiel observador do sábado (ver At 13:14, 44; 16:13; 17:1, 2; 18:4).
Na verdade, desde os primórdios da igreja, os cristãos judaizantes impuseram aos gentios conversos determinadas práticas que não tinham mais razão de ser. Essas práticas estavam prescritas “na lei de Moisés” (At 15:5), a qual não deve ser confundida com o Decálogo, sempre identificado nas Escrituras como “lei de Deus”. Portanto, não era ao sábado semanal, estabelecido como dia de repouso e santificação no decálogo, que Paulo se referia nesse texto de Romanos, mas aos sábados cerimoniais prescritos na “lei de Moisés”.
E que sábados são esses? Aqueles vinculados às festas do ano litúrgico dos hebreus. A Páscoa marcava a abertura destas festas como prescritas em Levítico 23; do v. 4 em diante, podem-se estabelecer sete festas e sete sábados cerimoniais, assim chamados de “sábado” porque eram dias de descanso:
| 7 FESTAS | DATA | LEV 23: | 7 SÁBADOS CERIMONIAIS |
| (1) Páscoa | 14 de Nisan | 5 | (1) 15 de Nisan |
| (2) Pães Asmos | | 6-8 | (2) 21 de Nisan |
| (3) Primícias | 16 de Nisan | 10-14 | – |
| (4) Pentecostes | 6 de Sivan | 15-21 | (3) 6 de Sivan |
| (5) Trombetas | 1º de Tishri | 24, 25 | (4) 1º de Tishri |
| (6) Expiação | 10 de Tishri | 27-32 | (5) 10 de Tishri |
| (7) Tabernáculos | | 34, 35; 39, 40 | (6) 15 de Tishri |
| – | – | 36, 39 | (7) 22 de Tishri |
Nisan era o primeiro mês do ano, Sivan, o terceiro, e Tishri, o sétimo. As quatro primeiras festas eram as da primavera, enquanto as três últimas eram as do outono. Estas demarcavam quatro sábados cerimoniais, o último dos quais ocorria no dia seguinte aos sete dias da festa dos Tabernáculos. O dia da Páscoa não era um sábado cerimonial; este recaía no dia seguinte, que era o primeiro dos Asmos. Outra festa que não demarcava um sábado cerimonial era Primícias, que no ano em que Jesus morreu recaiu num domingo, o da ressurreição. O dia em que Jesus passou na sepultura foi chamado de “sábado grande” (Jo 19:31), porque nesse dia dois sábados coincidiram: o semanal e o cerimonial por ser o primeiro dia dos asmos, 15 de Nisan.
Assim, ficavam estabelecidos no transcurso do ano sete sábados cerimoniais, que deveriam ser observados “além dos sábados do Senhor” (Lv 23:38), aqueles que, também durante o ano, ocorriam ao sétimo dia de cada semana. Estes sábados cerimoniais, tanto quanto outras prescrições do cerimonialismo hebreu, caducaram com o sacrifício de Jesus (Ef 2:15; Cl 2:17; ver também Os 2:11), de forma que a celebração deles ficava facultada ao cristão judeu apenas do ponto de vista étnico, não devendo ser imposta ao cristão gentio. Daí Paulo afirmar aos membros da igreja de Colossos: “Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida [claro, as comidas e bebidas ligadas às festas litúrgicas], ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados” (Cl 2:16).
Da mesma forma que o elemento judaizante, lá na congregação de Roma, “julgava” aquele que comia da carne sacrificada ao ídolo, e Paulo advertiu que não se fizesse tal julgamento (Rm 14:3 e 4), aos de Colossos ele lembrou que ninguém os julgasse por não observar aqueles sábados cerimoniais, por assim não fazerem “diferença entre dia e dia”, mas julgando “iguais todos os dias” (v. 5).
V. Bênção de conclusão
Chegamos ao fim da Epístola aos Romanos, mas de forma alguma esgotamos o estudo dessa obra magistral da pena de Paulo. Seu campo de aprendizado é infinito, pois trata, acima de tudo, do plano de redenção, fundamentado no amor que não tem limite, o de Deus.
Na primeira parte de Romanos 15, Paulo continuou com sua exortação (v. 1-7), tomando agora o comportamento de Cristo como exemplo máximo do relacionamento humano; as expressões “também Cristo” (v. 3), “segundo Jesus Cristo” (v. 5), e “como também Cristo” (v. 7) não deixam dúvida a respeito. Afinal, era Cristo o “ministro” tanto dos judeus (v. 8), como dos gentios (v. 9-12), os dois grupos que compunham a igreja.
Ele começa apelando aos crentes a que não se agradem a si mesmos. Aparentemente, o apóstolo se dirige aos cristãos gentios no v. 1, mas, no 2, ele expande o quadro, incluindo a todos. “Cada um” deve agradar ao próximo “no que é bom para edificação.” Portanto, não é o caso de sermos meramente “bonzinhos”, mas sempre agir para o crescimento espiritual do próximo e sua salvação, o que às vezes requererá até mesmo uma atitude mais vigorosa, por exemplo, num aconselhamento, ou numa tomada de posição em favor do que é correto.
Tudo, porém, tem que ser feito com mansidão, bondade e amor, a exemplo de como Cristo agia; tão associado ao Pai estava, que os ultrajes dirigidos a Deus recaíam sobre Ele (v. 3); assim também nós, em nosso companheirismo cristão, nos associaremos uns aos outros de forma tal que, estimulados à mais plena empatia, nos identificaremos com os dissabores e reveses de nossos irmãos. Paulo já havia tocado nesse ponto ao usar o corpo humano como ilustração da igreja (12:4, 5; ver também 1Co 12:12-27). “De maneira que, se um membro sofre, todos sofrem com ele; e se um deles é honrado, com ele todos se regozijam.” (v. 26).
Tomando o exemplo de Cristo, Paulo mostra que uma atitude semelhante à dEle é o verdadeiro cumprimento da lei, exposta no v. 4 como “tudo quanto outrora foi escrito” e que é “para o nosso ensino”. Ele fala da “paciência” e “consolação” das Escrituras como fonte de “esperança”. Como a lição explica, paciência significa “fortaleza”, “firme resistência” (etimologicamente encerra o sentido de sustentáculo); e consolação “encorajamento”.
Tudo isto está contido nas Escrituras porque elas são um reflexo dAquele que as criou: o Deus de paciência e consolação (v. 5), e “da esperança” (v. 13). Ele é o “Pai de nosso Senhor Jesus Cristo”, a quem devemos glorificar (v. 6). Certamente, Jesus também é o Deus das Escrituras (ver Jo 5:39), pois Ele é “a expressão exata do seu Ser” (Hb 1:3; ver também Jo 14:9); assim também é o Espírito Santo (Rm 15:13), o “outro Consolador” (Jo 14:16), o Agente sob cuja inspiração elas foram produzidas (2Pd 1:21; 2Tm 3:16).
O v. 13 encerra potencialmente a epístola. O que vem em seguida poderia ser considerado adendo ao corpo principal do documento:
Adendo I: Os Planos de Paulo (15:14-33). Ele começa reconhecendo os valores espirituais de seus leitores (v. 14), para lhes expor sua disposição de continuar pregando entre os gentios (v. 16) com o mesmo ímpeto e sob o mesmo poder como até ali trabalhara (v. 17-19). Seu desejo era atuar em território virgem (v. 20 e 22), e seu alvo era atingir a Espanha, o extremo ocidente na época; para tudo isso contava com o apoio deles (v. 24, 28).
Mas, antes, teria que ir a Jerusalém “a serviço dos santos” (v. 25); ele estava consciente dos riscos desta viagem, e pleiteou pela solidariedade dos crentes romanos no sentido de que lutassem com ele em “orações a Deus” em seu favor, para que ficasse a salvo dos percalços impostos por adversários (v. 30 e 31). Visitaria os romanos, então, “na plenitude da bênção de Cristo” (v. 29; também v. 22, 23 e 32).
Adendo II: As saudações pessoais de Paulo (16:1-20). Ele também aqui reconhece os valores espirituais dos cristãos de Roma (v. 19).
Embora não fosse ele o fundador daquela igreja, e nem mesmo a conhecesse, não significa que nela não existissem amigos e conhecidos, seus filhos na fé que haviam se transferido para Roma, entre eles Priscila e Áquila, e Epêneto (v. 3-6). Referências assim tão específicas seriam mais próprias para uma comunidade desconhecida.
Paulo insere neste adendo aquela que poderia ser considerada sua última exortação, a qual pode muito bem estar vinculada à questão das acusações que eram feitas contra ele: “Rogo-vos, irmãos, que noteis bem aqueles que provocam divisões e escândalos, em desacordo com a doutrina que aprendestes; afastai-vos deles, porque esses tais não servem a Cristo, nosso Senhor, e, sim, a seu próprio ventre; e com suaves palavras e lisonjas, enganam o coração dos incautos... Quero que sejais sábios para o bem e símplices para o mal” (v. 17, 18 e 24). Quão atual é essa advertência, agora quando dissidências estão na ordem do dia.
Adendo III: As saudações de terceiros e a doxologia conclusiva (16:21-27). O apóstolo transmite as saudações que membros de outras comunidades, principalmente Corinto, enviavam aos cristãos de Roma: Timóteo, cooperador de Paulo; Lúcio, Jason e Sosípatro, considerados “meus parentes”, no sentido, talvez, de “compatriotas” como no v. 7; Tércio, o secretário de Paulo; Gaio, seu anfitrião em Corinto; Erasto, o tesoureiro da cidade (naturalmente ele havia se convertido também pelo trabalho de Paulo); e “o irmão Quarto”, provavelmente outro membro da igreja de Corinto. É bonito e significativo esse exercício de sociabilidade e cordialidade entre os seguidores de Jesus.
Quanto à doxologia final (v. 25-27) três pontos merecem destaque:
(1) “Deus é poderoso para vos confirmar” (v. 25) – Nossa firmeza na fé e permanência em fidelidade até o fim não se estribam em nossos recursos, mas no poder de Deus. Em comunhão com Ele prosseguiremos vitoriosos até o encontro com Jesus;
(2) “... revelação do mistério guardado em silêncio nos tempos eternos” (v. 25) – O plano da redenção não foi formulado emergencialmente quando o pecado surgiu. É tão eterno quanto Deus, pois nunca houve um tempo em que Ele não desejasse salvar;
(3) “... dado a conhecer por meio das Escrituras proféticas” (v. 26) – Mais uma vez, Paulo chama a atenção para o valor normativo das Escrituras, ele que citou frequentemente o Antigo Testamento em sua epístola. Aqui, todavia, ele especifica que qualidade das Escrituras proveu o conhecimento do “mistério guardado em silêncio”. Embora toda a Bíblia seja de natureza profética, havemos de convir que particularmente suas profecias anteciparam a salvação por vir, incluindo aquelas na forma de tipos e símbolos ligados especialmente, mas não exclusivamente, ao ministério do santuário terrestre.
O teor básico de qualquer profecia bíblica é o plano da redenção; portanto, profecia e evangelho se harmonizam; não formam uma dicotomia, mas uma unidade. Não há incompatibilidade alguma entre ambos, pois enquanto profecia é o evangelho prenunciado, o evangelho é a profecia comprovada.
Implicação desse fato para os ASDs: como movimento, temos a cumprir uma missão profética, mas, como igreja, jamais renunciemos nosso cunho evangélico. Faltando a primeira condição, faremos parte do senso comum, não indo além do habitual: apenas uma agremiação religiosa entre outras. E se faltar a segunda, não passaremos de um movimento apocalíptico, não mais que exclusivista e inconseqüente.
Última Consideração
Concluindo o corpo principal da epístola e o primeiro e segundo adendos, o apóstolo invoca uma bênção aos leitores. São três bênçãos que falam de esperança, gozo, paz e graça, e se mesclam em apenas uma, “apropriada”, como diz a lição, “em uma carta cujo tema dominante é a justiça pela fé! Encorajamento, esperança e paz! Como nosso mundo presente precisa dessas coisas!” E eu ajunto: o mundo só as terá quando desfrutar a experiência de salvação apresentada em Romanos.
Previamente à bênção de 16:20, Paulo assegurou aos crentes de Roma que, pela fidelidade de Deus, a vitória final lhes estava assegurada: “E o Deus de paz em breve esmagará debaixo dos vossos pés a Satanás.” Que promessa!
Seria ela apenas para aqueles cristãos? É claro que não. A primeira profecia da Bíblia está sendo aqui evocada, Gn 3:15 – o descendente da mulher (Cristo) tendo Seu calcanhar ferido, mas esmagando a cabeça da serpente. Essa vitória ocorreu na cruz, onde o Senhor Jesus triunfou sobre “principados e potestades” (Cl 2:15); e se a vitória é de Jesus, então ela pertence a todos nós. Se nEle exercemos fé, a experiência dEle é a nossa experiência. Queira Deus que esse “em breve” se cumpra logo.
Louvado seja o Seu nome. Amém!
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