terça-feira, 21 de junho de 2011

Revestidos de Cristo (estudo nº 13)





Pelo contrário, revistam-se do Senhor Jesus Cristo, e não fiquem premeditando como satisfazer os desejos da carne (Rm 13:14, NVI).

Leitura para o estudo desta semana: Gl 3:26-29; Rm 6:1-6; Cl 3:1-10; Ef 4:22-24; 1Co 15:49-55; 2Co 5:1-4

Acaso, você já quebrou um ovo e o observou a resultante massa líquida disforme? Uma coisa que você nunca viu foi a massa se recompor e voltar a ser um ovo. A realidade não funciona dessa maneira. Uma lei fundamental do nosso mundo natural, pelo menos o nosso mundo caído, é que os objetos tendem à decadência e à desordem. O que fazem as coisas deixadas por si mesmas: Aumentam em energia, ordem e estrutura, ou decrescem, decaem e avançam para a desordem? A resposta é óbvia. Vemos isso ao nosso redor e mesmo em nós mesmos (nosso corpo envelhecido).

Um pouco de ciência pode explicar esse fenômeno, e você não precisa ser PhD em Física para observá-lo. Citando um texto de uma lição anterior, “
e a Terra envelhecerá como um vestido” (Is 51:6). Em meio a tudo isso, temos o evangelho, o plano da salvação, cuja essência é restauração, ou seja, tomar o que está velho, quebrado e decaído, e fazê-lo novo. Nesta última semana do trimestre, focalizaremos algumas imagens de roupas especiais, mencionadas nas Escrituras, que nos revelam promessas de renovação e restauração. 

 Domingo                                 Herdeiros conforme a promessa

Uma das grandes lutas da igreja cristã, desde seus primórdios, uma luta que estava no coração da Reforma protestante (e que de algum modo continua hoje, mesmo em nossa igreja), trata da questão do evangelho, salvação, ou sobre a maneira pela qual somos salvos. Na igreja da Galácia, Paulo teve que tratar essa questão de maneira franca e direta, porque uma teologia falsa tinha penetrado na comunidade e ameaçado a integridade do próprio evangelho.

1. Qual é o principal ponto apresentado em Gálatas 3:26-29? (Note que a palavra grega traduzida como “revestistes” significa “estar vestido”).

26  Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus;
27  porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes.
28  Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.
29  E, se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão e herdeiros segundo a promessa.  Gálatas 3:26-29

No verso 27, Paulo diz que todos aqueles que foram batizados “de Cristo [se revestiram”]. Embora todos fossem pecadores, seu pecado tinha sido afastado, os velhos trapos descartados e eles agora estão “revestidos”, cobertos pela justiça de Jesus. Sua vida, perfeição e Seu caráter, podem ser reclamados como sendo deles mesmos. Todas as promessas da aliança se cumpriram em Jesus. Agora, revestidos de Cristo, eles podem reivindicar essas promessas como deles mesmos. São herdeiros da promessa, feita primeiramente a Abraão (Gn 12:2, 3), não por causa de status, gênero ou nacionalidade, mas apenas por meio da fé em Cristo.

de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra. (Gn 12:2, 3)

2. Leia Romanos 6:1-6. Nesse texto, o que nos ajuda a compreender o significado de estar “revestido de Cristo”?

1  Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante?
2  De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?
3  Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte?
4  Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida.
5  Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição,
6  sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos;   Romanos 6:1-6

Estar revestido de Cristo é mais que uma reputação legal diante de Deus. Os cristãos são unidos com Cristo; são entregues a Ele; e, através dEle, estão sendo renovados, rejuvenescidos e restaurados. Cristãos que se recusam a mudar seus antigos caminhos, hábitos e estilo de vida, necessitam olhar no espelho, para ver do que estão realmente revestidos.

O que você está vestindo? O que você veste em público é diferente do que usa quando ninguém está (ou você pensa que não está) olhando? O que sua resposta diz sobre você? 




Nenhuma provisão para a carne

 Segunda                            



Apesar da teologia profunda e complicada de Paulo, ele pode também ser muito prático. Qualquer teologia ou versão do “evangelho” que focalize a salvação apenas em termos frios e legais erra o alvo. O Cristianismo é totalmente sobre Jesus, mas não de forma isolada. É sobre Jesus e o que Ele tem feito, através de Sua vida, morte e ministério sacerdotal, em favor de nossa raça caída. Não se trata de mudança em nossa condição legal diante de Deus; trata-se de mudança, renovação, novo nascimento em nós; é uma nova vida em Cristo.

3. Leia Romanos 13. Destaque os pontos práticos, diários, que Paulo apresenta para os cristãos.
1  Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas.
2  De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação.
3  Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela,
4  visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal.
5  É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência.
6  Por esse motivo, também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo, constantemente, a este serviço.
7  Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra.
8  A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros; pois quem ama o próximo tem cumprido a lei.
9  Pois isto: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não cobiçarás, e, se há qualquer outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
10  O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor.
11  E digo isto a vós outros que conheceis o tempo: já é hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto do que quando no princípio cremos.
12  Vai alta a noite, e vem chegando o dia. Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz.
13  Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes;
14  mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências.  Romanos 13

A maior parte do capítulo trata do que, em muitas maneiras, poderia ser considerado bom cidadão e bom vizinho. É uma reiteração dos princípios da lei, culminando com as famosas palavras: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (v. 9).

Entretanto, nos versos 11-14, o tom muda um pouco. Paulo começa o capítulo falando a respeito de obediência a autoridades civis, e então muda para enfatizar a “demora” do tempo, com a ideia de que o tempo em que os romanos viviam tornava necessária a decisão de ter conduta mais séria. No fim do capítulo, temos a frase “
revistam-se do Senhor Jesus Cristo” (v. 14, NVI), que utiliza a mesma raiz grega encontrada em Gálatas 3:27. Assim, os dois versos estão falando de coisas similares.

O contexto de Romanos 13 torna claro o que Paulo basicamente quer dizer. Os versos anteriores e o restante do verso, após a frase, mostram que estar revestido de Cristo significa viver uma vida de fé e obediência. A mesma raiz grega para “
revestir” aparece também noverso 12, no contexto de ser revestidos com “as armas da luz”. Cristo é a luz do mundo; aqueles que andam nEle não andam em trevas. Eles deixaram “as obras das trevas” e andam na luz. Qualquer que seja o significado de “estar revestido” de Cristo, isso certamente trata da construção do caráter, conduta, amar como Cristo amou e refletir Sua imagem. Em certo sentido, embora todas as coisas ao nosso redor tendam a ficar piores, os que estão revestidos de Cristo devem ser cada vez melhores

E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito. (2Co 3:18).

Quão diferente sua vida seria se você estivesse plenamente revestido de Cristo e submisso a Ele? Você tem impedido que seu eu seja crucificado? Gostaria que Deus operasse esse milagre?




Despir e vestir

Terça                                        



4. Leia Colossenses 3:1-10. Perceba que no verso 10, o verbo vestir é derivado da mesma forma verbal, “estar vestido”, que estudamos anteriormente. Com isso em mente, como compreender a mensagem do texto?

1  Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus.
2  Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra;
3  porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus.
4  Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória.
5  Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria;
6  por estas coisas é que vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.
7  Ora, nessas mesmas coisas andastes vós também, noutro tempo, quando vivíeis nelas.
8  Agora, porém, despojai-vos, igualmente, de tudo isto: ira, indignação, maldade, maledicência, linguagem obscena do vosso falar.
9  Não mintais uns aos outros, uma vez que vos despistes do velho homem com os seus feitos
10  e vos revestistes do novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou;  Col 3:1-10

Eruditos veem nesses versos, assim como em alguns outros que já analisamos, referências à ideia do batismo. (Onde nos textos você vê sinais disso?) Em termos inequívocos, novamente nos é mostrada a idea de renovação, regeneração, de algo feito melhor do que era antes. Também aqui, Paulo é muito claro em ligar o que experimentamos em Cristo agora com o que experimentaremos quando Ele voltar. Na verdade, nossa maneira de reagir à primeira vinda de Cristo decidirá o que nos acontecerá na Sua segunda vinda.

5. Leia Efésios 4:22-24 (sim, o verbo grego no verso 24 é vestir). Qual é o ponto que Paulo está abordando aqui?

22  no sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano,
23  e vos renoveis no espírito do vosso entendimento,
24  e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade. Efésios 4:22-24

Note o contraste entre o “velho homem” e o “novo homem”. Em princípio, o “velho homem”, o antigo “eu”, morre (simbolizado pelo batismo) e um “novo homem”, uma nova criatura em Cristo surge. Aqui, a ideia de estar “revestido” de Cristo ou do “novo homem” emerge no contexto do comportamento cristão. Leia os versos anteriores e posteriores. Estamos tratando da transformação do caráter, das ações, do ser moral inteiro de uma pessoa. Esse motivo ou ideia é recorrente. Como cristãos batizados, somos novas pessoas no Senhor. Estar revestido de Cristo não é uma metáfora para justificação apenas, para a justiça de Cristo cobrindo nossos pecados e nos dando uma nova posição diante de Deus. Estar revestido de Cristo significa igualmente ser uma nova pessoa, ou seja, ser “criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade” (v. 24).

Dê uma olhada nos versos de hoje, notando os mandamentos específicos sobre comportamento. Em quais áreas você necessita mudar? Se você está enfrentando lutas, por que não buscar alguém digno de confiança e pedir ajuda para viver melhor os princípios das Escrituras? 





Num piscar de olhos

Quarta                                 




Inquestionavelmente, estar alguém revestido de Cristo é ser uma nova pessoa em Jesus. É ser restaurado, pelo menos em alguma coisa, “segundo a imagem dAquele que o criou” (Cl 3:10). Incontável número de pessoas têm nascido e ainda hoje ostentam o testemunho da realidade do que o Senhor tem feito nelas e por elas. Muitos de nós, independentemente de nossas faltas, lutas e quedas, testemunhamos a realidade do que significa estar revestidos de Jesus.

Todavia, sejamos honestos: Se o que Cristo fez por nós findasse com esta vida aqui, no fim – quer estivéssemos revestidos de Cristo ou não – a sepultura ainda nos esperaria. Nesta vida, muitos têm sofrido bastante por Jesus e pela fé que abraçaram. Quaisquer que sejam as recompensas imediatas, o que são elas, em contraste com a verdadeira recompensa que nos aguarda na segunda vinda de Cristo?

6. Leia 1Coríntios 15:49-55. Que grande esperança está presente nesse texto? Procure identificar as palavras que têm a mesma ideia de “revestir” ou “estar revestido”.
49  E, assim como trouxemos a imagem do que é terreno, devemos trazer também a imagem do celestial.
50  Isto afirmo, irmãos, que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção.
51 Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos,
52  num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.
53  Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade.
54  E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória.
55  Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? 1Coríntios 15:49-55

Nos versos 53 e 54, o verbo (frequentemente traduzido como “vestido”) é o mesmo que nós já vimos. Aqui, porém, o apóstolo o toma a um nível totalmente novo. Estar revestido de Cristo não significa apenas ostentar a imagem moral de Jesus, refletir Seu caráter e viver os princípios que Ele nos ensinou. Em outras palavras, não é apenas uma mudança legal ou moral. Também inclui uma radical mudança física. Nossa carne mortal, dolorida, ferida e agonizante, será revestida com o mesmo tipo de corpo imortal que Jesus teve ao ressurgir. Trata-se de uma mudança de vestimentas e de vestir um novo traje! Essa é a esperança reservada para nós, a última esperança que realmente torna valiosa nossa fé

12 Ora, se é corrente pregar-se que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como, pois, afirmam alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos?
13  E, se não há ressurreição de mortos, então, Cristo não ressuscitou.
14  E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé;
15  e somos tidos por falsas testemunhas de Deus, porque temos asseverado contra Deus que ele ressuscitou a Cristo, ao qual ele não ressuscitou, se é certo que os mortos não ressuscitam.
16  Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou.
17  E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados.
18  E ainda mais: os que dormiram em Cristo pereceram.
19  Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens. (1Co 15:12-19).

A maioria de nós (particularmente enquanto envelhecemos) compreende a fragilidade e instabilidade da carne, em nós mesmos ou nos outros. Tendo a esperança revelada nesses versos, o que o mundo poderia oferecer, para nos convencer de que vale a pena perder essas promessas? 





Nossa habitação celestial

 Quinta                                      



7. Leia 2Coríntios 5:1-4. O que Paulo diz nesse texto? Que esperança é novamente apresentada? Como a imagem de revestir se encaixa nela?
1  Sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos da parte de Deus um edifício, casa não feita por mãos, eterna, nos céus.
2  E, por isso, neste tabernáculo, gememos, aspirando por sermos revestidos da nossa habitação celestial;
3  se, todavia, formos encontrados vestidos e não nus.
4  Pois, na verdade, os que estamos neste tabernáculo gememos angustiados, não por querermos ser despidos, mas revestidos, para que o mortal seja absorvido pela vida. 2Coríntios 5:1-4

Enquanto estamos neste mundo, neste corpo, nesta “casa”, estamos gemendo (uma palavra que também significa “suspirar profundamente”). Quem não tem gemido, enquanto está em sua “casa terrestre”, que é nosso corpo atual? Estude o capítulo anterior (2Co 4), que fala das aflições que os seguidores de Jesus encontram em sua existência. Depois de ter falado sobre isso Paulo menciona o texto de hoje.

Evidentemente, gememos, sofremos e morremos. Mas essa não é a história completa. Temos a promessa de ser revestidos em “nossa habitação celestial”.

8. Quais são as duas metáforas, ou imagens, que Paulo usa nesses versos, para descrever nossa presente situação e a esperança que nos aguarda?
Em alguns antigos escritos, a ideia de estar revestido era vista como similar a estar dentro de uma casa. As duas coisas são externas a nós e apresentam certa porção de proteção e cobertura (no tempo de Paulo, o nome da roupa usada pela classe pobre era derivado de uma palavra que significava “pequena casa”). Quaisquer que sejam as razões, Paulo usa diferentes imagens para contrastar duas ideias básicas: uma habitação terrestre, temporal, em contraste com uma habitação celestial e eterna; estar nu em contraste com estar vestido; mortalidade em contraste com a vida eterna em Cristo. No fim, todas essas metáforas estão falando a respeito da mesma coisa: a esperança que temos de que, por ocasião da volta de Jesus, seremos revestidos ou teremos corpo imortal. Em outras palavras, esses textos são outra maneira de expressar a promessa de vida eterna que temos em Jesus.

Pense a respeito da morte, que parece ser o fim de tudo. Sem esperança de alguma coisa além dela, que expectativa poderíamos ter? Enfatize as razões que temos para a esperança de que a morte não tem a palavra final. Partilhe seus argumentos com a classe. 

Sexta                                          Estudo adicional


Leia de Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 662: “O Final e Glorioso Triunfo”.

Todos serão uma família unida e feliz, revestida com as vestes de louvor e ações de graças – as vestes da justiça de Cristo. Toda a natureza, em sua incomparável formosura, oferecerá a Deus um tributo de louvor e adoração. O mundo será banhado com a luz do Céu. A luz da Lua será como a luz do Sol, e a luz do Sol será sete vezes maior do que é hoje. Os anos decorrerão na alegria. Sobre essa cena, as estrelas da manhã cantarão em uníssono, e os filhos de Deus exultarão de alegria, enquanto Deus e Cristo Se unirão proclamando:Não haverá mais pecado nem morte’” (Ap 21:4; Ellen G. White, Minha Consagração Hoje [MM] 1989, p. 348).

Perguntas para reflexão
1. Frequentemente, as pessoas têm colocado muita esperança na ciência. Muitos a têm visto como o caminho único para o conhecimento da verdade e a única esperança para a humanidade. Enfatize por que essa é uma falsa esperança, especialmente no contexto das últimas lições. Que esperança pode a ciência nos oferecer para a morte, nosso maior problema?
2. Pense sobre a pergunta de Paulo em Romanos 7:24: “Quem me livrará do corpo desta morte?” (uma referência à punição a criminosos daquele tempo que tinham que levar um corpo morto amarrado a si mesmos). Que resposta temos acima de toda a sabedoria do mundo?
3. Enfatize o que significa estar “revestido” de Cristo, em termos de como devemos viver. Você reflete a realidade de Cristo nos hábitos, pensamentos e atitudes? Embora lute contra as tendências pecaminosas herdadas e cultivadas, que escolhas públicas e conscientes você pode fazer para viver como deveria?




Revestidos de Cristo (resumo do estudo nº 13)




mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências. Romanos 13:14

Saber: O que significa estar “revestido de Cristo” no que se refere à nossa condição legal diante de Deus, nossa vida espiritual diária e nosso futuro estado corporal.
Sentir: Desejar estar revestido de Cristo como necessidade diária, morrer nEle, viver Sua vida e ser transformado à Sua semelhança.
Fazer: Assumir o corpo de Cristo, tendo a mente e o comportamento transformados à semelhança de Deus.

Esboço

I. Transformados legal, moral e fisicamente

A. Como o fato de sermos “revestidos de Cristo” nos transforma prontamente, e ao longo do tempo?
B. Quando Cristo transforma nosso corpo mortal em imortal?
C. Quais são as relações entre as metáforas do batismo, morrer e ser ressuscitado em Cristo e ser revestido de Cristo?

II. O desejo de ser revestido

A. Como nosso desejo de ser revestidos de “nossa habitação celestial” (2Co 5:2), é atendido pelas provisões de Cristo, tanto agora como quando Ele voltar?

III. À semelhança de Deus

A. Que devemos fazer para nos revestir do corpo de Cristo?
B. Que mudanças de comportamento serão aparentes em nossa vida se vivermos Sua vida e não a nossa?

Resumo: Ser revestidos de Cristo significa não apenas que Deus passa a nos considerar justificados e justos, mas que, ao diariamente vivermos a vida de Cristo, em vez da nossa, somos diariamente refeitos à semelhança divina. Finalmente, quando Jesus voltar, assumiremos o novo corpo glorioso e imortal que Ele dará aos Seus remidos.

Motivação
O relacionamento com Deus não se trata de mera informação. Deve ser uma transformação, uma experiência contínua na vida do cristão. A vida do cristão só será completa quando o cristão for totalmente transformado na segunda vinda.

Esteja preparado para sugerir, mostrar e partilhar alguns dos exemplos de imagens e histórias de transformação de sua cultura. Considere especialmente histórias de notícias atuais com que os membros da classe estejam familiarizados e sejam capazes de reconhecer. Possíveis exemplos incluem:
• Histórias e contos de fadas, A lenda de “Cinderela”, histórias de renascimento na mitologia de muitas culturas, imagens de “antes e depois” usadas em publicidade.
• Programas de TV ou “reality-shows”, gincanas, programas que “mudam a vida” de pessoas; dramas de TV ou filmes que repitam as fórmulas dos contos de fadas.
• Histórias de sucesso “instantâneo” de “heróis” da mídia ou dos esportes e de estrelas de entretenimento, pessoas que se tornam heroínas por um instante quando vencem um jogo para sua equipe de esportes.

Pergunte aos alunos o que essas histórias têm em comum e por que acham que somos atraídos por histórias de transformação.

Atividade de abertura:
Comente as imagens, símbolos e histórias de transformação em sua cultura. Podem ser mitos ou contos de fadas, programas de TV ou até mesmo a forma de serem criados os “heróis” em nossa sociedade, por vezes no contexto de um momento lendário dos esportes ou de entretenimentos. Comente por que tantos de nós somos atraídos para as histórias de transformação, seja em nossas histórias tradicionais, seja nos eventos atuais, no entretenimento ou nos esportes.

Comente: Qual é a importância de uma boa história de transformação, e por quê? Se lhe fosse oferecida a oportunidade de transformar a vida em uma das formas discutidas acima, qual você escolheria?

Compreensão
A seguinte pesquisa da Bíblia examina três aspectos da transformação como resultado fundamental da experiência da salvação.

Comentário Bíblico


I. Uma escolha subversiva – uma vida nova

1 Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante?
2  De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?
3  Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte?
4  Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida.
5  Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição,
6  sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos;  Rm 6:1-6.)

Em A Peculiar People (Um Povo Peculiar), Rodney Clapp menciona a descrição de Paulo sobre o começo de uma vida nova (2Co 5:17) e descreve o batismo como um ato de desobediência civil. A família, a nação, o mercado, a entidade patronal, a universidade, o anunciante, a agência, o formador de opinião “não são mais a principal fonte de identidade, apoio e crescimento” para o novo cristão. Dessa forma, afirma Clapp, o batismo “é profundamente subversivo. Cada vez que a Igreja leva o batismo a sério, em seu significado mais profundo, a sociedade envolvida não pode deixar de vê-lo ao menos como uma potencial ameaça política” (p. 100).

Clapp não se refere à política no sentido de uma campanha eleitoral ou um debate na mídia. Em vez disso, ele está destacando o real sentido em que o fato de declarar que “Jesus é o Senhor” também deve ser uma declaração poderosa de que tudo mais e todos os demais não são. A decisão de receber o batismo significa aceitar a cidadania em um reino diferente e um tipo diferente de vida.

Viver na contramão da sociedade dominante, de forma criativa e com graça, não é necessariamente fácil. Mas esse é o chamado de Deus, respondido no momento de nosso batismo e renovado a cada batismo a que assistimos: “Portanto, fomos sepultados com Ele na morte por meio do batismo, a fim de que, assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos mediante a glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova” (Rm 6:4, NVI).

Pense nisto: O que você acha desse ponto de vista sobre o batismo? Qual é a importância do batismo para ser transformado em Cristo?

II. Vida transformada

1
 Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas.
2  De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação.
3  Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela,
4  visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal.
5  É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência.
6  Por esse motivo, também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo, constantemente, a este serviço.
7  Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra.
8  A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros; pois quem ama o próximo tem cumprido a lei.
9  Pois isto: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não cobiçarás, e, se há qualquer outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
10  O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor.
11  E digo isto a vós outros que conheceis o tempo: já é hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto do que quando no princípio cremos.
12  Vai alta a noite, e vem chegando o dia. Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz.
13  Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes;
14  mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências.  Romanos 13

Em seu breve romance Life After God (Vida Segundo Deus), Douglas Coupland faz um de seus personagens refletir sobre a verdadeira necessidade que todos temos de ser transformados: “
Meu segredo é que preciso de Deus, que estou doente e não posso mais viver sozinho. Preciso de Deus para me ajudar a dar, porque já não me sinto capaz de dar, para me ajudar a ser bom, porque já não me sinto capaz de ser bom, ajudar-me a amar, porque não me sinto capaz de amar” (p. 359).

Viver com Deus deve fazer diferença em nossa vida, nossas prioridades e ações, e precisamos que Ele faça a diferença em nossa vida. Paulo expõe assim: “
Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente” (Rm 12:2, NVI). Ele amplia esse pensamento em Romanos 12 e 13.

Com muita frequência, a evangelização tem se concentrado apenas em levar as pessoas ao ponto da decisão e do batismo. Mas Jesus nos instruiu que temos de fazer discípulos (cf. Mt 28:20 -
ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século). O discipulado e a transformação espiritual devem ser partes permanentes de nossa experiência de fé. As práticas espirituais se tornam parte de nossa vida em contínuo crescimento e transformação em Cristo.

Pense nisto: Em que aspectos da sua vida você sente particularmente necessidade de Deus, e por quê? Quais são algumas das práticas espirituais que podem ajudar essa contínua transformação espiritual?

III. A transformação final

49
  E, assim como trouxemos a imagem do que é terreno, devemos trazer também a imagem do celestial.
50  Isto afirmo, irmãos, que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção.
51 Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos,
52  num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.
53  Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade.
54  E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória.
55  Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? 1Coríntios 15:49-55

Jesus nos salva no momento em que aceitamos o que Ele fez por nós ao morrer. Não temos que alcançar determinado nível de comportamento para receber esse dom (Tome como exemplo a história do ladrão na cruz, em Lc 23:40-43). Mas Deus não nos deixa onde nos encontra. Ele promete que seremos mudados – transformados – e que, finalmente, teremos uma espécie completamente nova e eterna de vida, quando Ele voltar.

Paulo baseia sua exaltação sobre essa completa transformação na certeza da ressurreição de Cristo. Se Jesus ressuscitou para um novo tipo de vida – e isso aconteceu – Paulo nos exorta a ser assim, também. Olhando para o futuro, Paulo antecipava o tempo em que todos nós vamos compartilhar essa mesma novidade de vida completa e eternamente: “
Todos nós vamos ser transformados, num instante, num abrir e fechar de olhos, quando tocar a última trombeta” (1Co 15:51, 52, NTLH).

Pense nisto: 
Como podemos ter a certeza da salvação hoje? Como a promessa de Deus nos transformar “num abrir e fechar de olhos” na segunda vinda pode mudar sua atitude perante a vida?

Aplicação
A experiência de transformação não é uma coisa espiritual, apenas, está ligada a ocasiões, eventos, decisões e práticas específicas em nossa vida. Entre outros, o batismo é um marco significativo. A lembrança daquele tempo em nossa vida é importante para reafirmar nossos compromissos e reorientá-los para a necessidade de transformação contínua. Igualmente, quando partilhamos essas histórias com outros, a fé pode ser reafirmada. Convide os alunos a contar suas histórias, mas de forma que seja sensível aos membros da classe que ainda não são batizados.

Atividade: Lembre-se de seu batismo: Qual foi a experiência que o levou a essa decisão? Onde e quando você foi batizado? Quais foram as circunstâncias em que você foi batizado? Como sua experiência cristã cresceu e continuou a ser transformada, desde essa data? Compartilhe essa história com outros membros da classe, até mesmo mostrando fotos do evento, se houver. Quando o maior número possível dos membros da classe tiverem contado suas histórias, ore com eles, confirmando essas decisões e compromissos assumidos em outras ocasiões em sua vida.

Perguntas para consideração
1. Como você explicaria a um amigo não cristão a “transformação”, como foi comentada no estudo desta semana?
2. Como você mede seu próprio crescimento espiritual?
3. Quando pensamos em nossa transformação final na segunda vinda de Cristo, podemos concluir que, por não podermos atingir a perfeição até aquele tempo, não vale a pena fazer muito esforço em assuntos espirituais? Por que não? Como podemos equilibrar os esforços para viver fielmente com o reconhecimento de nossas atuais limitações humanas?
4. Como a metáfora do vestuário, como em “nos revestir de Cristo”, é útil para compreender a transformação em Cristo? Em que aspectos essa metáfora é inadequada ou incompleta?
5. Que significa sermos agentes de transformação em nossa comunidade?

Criatividade
A transformação é algo que experimentamos em pequenas coisas todos os dias, algo que podemos partilhar com os outros, mas que são apenas vislumbres da transformação que Deus nos oferece. Devemos procurar maneiras de reconhecer esse tipo de transformação em nossa vida diária e buscar formas de partilhá-las intencionalmente com os outros em nossa comunidade.

Sugestões para atividades individuais
Tente descrever a um amigo, verbalmente ou por escrito, os sentimentos que você experimenta em uma ou mais das seguintes situações:

1. Após um dia de trabalho, ao tomar banho e vestir roupas limpas: Como descrever o sentimento de estar renovado e refrigerado?
2. Quando você nota que a primavera começa a mudar o ambiente natural: Que significa ver o mundo ao nosso redor se transformando dessa maneira?
3. Ao observar as crianças crescerem: Como esse crescimento se assemelha ao crescimento espiritual?

Sugestões para atividades em grupo ou equipe:
Faça arranjos para uma “noite de transformação” para os membros de sua igreja ou a comunidade. Convide pessoas-chave a participarem do programa e convide pessoas relevantes para lhes dar uma “renovação” ou uma noite para ser “mimados”. Possíveis atividades podem incluir exames de saúde ou tratamentos adequados, dicas de moda, cabeleireiros grátis e outros tratamentos de beleza apropriados, proporcionando uma refeição saudável ou ensinando aos participantes uma nova habilidade. Ofereça esses serviços como um presente e encerre o programa com uma breve apresentação sobre o tema devocional da “transformação”, explorada neste estudo.





Revestidos de Cristo (comentário ao estudo nº 13)






Introdução
Reportagem da revista Veja da semana passada (15/06/11) mostra o esforço da medicina para esticar a vida humana, imprimindo-lhe o máximo de qualidade. Prevê-se que, dentro de algum tempo, já não mais teremos que conviver com os incômodos e limitações da velhice. “A promessa agora”, diz a reportagem, “não é a de imortalidade com decadência, mas a da saúde, do vigor físico, mental e emocional esticados para as quadras da vida que, em gerações passadas eram sinônimo de decrepitude e doença.”

Os pesquisadores se mostram animados com as conquistas da medicina. Lembrando que, em 1900, a expectativa de vida nos Estados Unidos era de 47 anos e, hoje, é de 78 (no Brasil é de 73), o repórter conjectura que “não seria espantoso que, no decorrer do século 21, a sobrevivência humana com saúde fosse acrescida de mais sessenta anos, o que levaria a idade média para bem mais de 100”.

Aparentemente, nunca foi fácil aceitar a degeneração humana e o combate a ela não é coisa nova. Aliás, muitos não creem que tal coisa exista e, num caminho inverso, apregoam a evolução da raça. Mas, o pecado não nega as terríveis marcas espirituais, emocionais e físicas que gravou no ser humano. Felizmente, elas têm prazo de validade. Num processo que pode ter início agora, com a restauração espiritual, essas marcas degenerativas serão completa e eternamente apagadas por ocasião da vinda de Jesus. Isso é o que nos garantem as promessas de restauração, analisadas nesta semana sob o simbolismo de vestes especiais.

Herdeiros conforme a promessa

No que tange à nossa restauração ao plano divino original de perfeição e santidade, do qual, como seres humanos, nos afastamos, devemos admitir a realidade de que nada podemos fazer de nós mesmos. Como meios de salvação, nossos melhores atos de obediência e mais expressivos feitos religiosos são insuficientes para nos tornar justos diante de Deus (Is 64:6; Jr 13:23). Dependemos inteira, completa e absolutamente de Cristo Jesus. Foi essa realidade que Paulo teve que esclarecer insistentemente à comunidade cristã da Galácia, que enveredava pela contramão do evangelho.

Escreveu o apóstolo: “
Todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus; porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes” (Gl 3:26, 27).

Primeiramente, está claro que nossa aceitação como “filhos de Deus” se dá “mediante a fé em Cristo Jesus”, não por nossos méritos. Ao lado disso, somos “revestidos” com a justiça de Jesus, o que significa dizer que nossas vezes pecaminosamente manchadas foram tiradas, nosso pecado foi perdoado e, a partir dessa experiência, adotamos os princípios que nortearam a vida de Cristo, submetemo-nos à Sua vontade, imitamos Seu exemplo e podemos reclamar a perfeição de Sua vida como sendo nossa. As promessas da aliança feita com Abraão (Gn 12:2, 3) não são herdadas por critérios étnicos, mas por meio da fé exercida em Cristo.

Escrevendo aos romanos (6:1-6), Paulo ampliou o conceito do revestimento de Cristo. Nas palavras dos autores da Lição, “
estar revestido de Cristo é mais que uma reputação legal diante de Deus. Os cristãos são unidos com Cristo; são entregues a Ele; e, através dEle, estão sendo renovados, rejuvenescidos e restaurados” (nota de domingo).

É importante lembrar a menção do batismo nesse processo. Ele simboliza não apenas a morte e o sepultamento do crente, mas também sua ressurreição. O batismo aponta simbolicamente em duas direções: o que ficou para trás e o que está adiante. O que ficou para trás, a deliberada vida pecaminosa, foi sepultado. O que está à frente é a vida nova em Cristo. A morte para o pecado projeta uma vida espiritualmente elevada. A justificação antecipa a santificação do cristão.

Nenhuma provisão para a carne

No capítulo 13 da carta aos romanos, Paulo apresenta resultados práticos da nova vida cristã derivada de nossa aceitação de Jesus como Salvador e Senhor. Inicialmente, ele realça o comportamento do cristão, como cidadão e parte da sociedade em que vive. Nem isolamento, nem hostilidade. Revestido de Cristo, o cristão deve ser o exemplo de conduta, agindo como Cristo agiria estando em seu lugar. Paulo exortou os romanos declarando que isso deveria acontecer especialmente por causa da solenidade do tempo em que imaginavam estar vivendo, ou seja, a suposta proximidade do fim (Rm 13:11-14). Esse fato nos diz muita coisa!

Nesse contexto, como deviam viver os cristãos “revestidos de Cristo”?
– Despertos do sono espiritual (v. 11).
– Vigilantes (v. 11, 12).
– Libertos das obras das trevas (v. 12). A palavra grega traduzida para “deixar” é apolítemi, utilizada várias vezes no Novo Testamento para descrever o abandono de maus hábitos (Ef 4:22, 25, Cl 3:8, Hb 12:1, Tg 1:21; 1Pe 2:1). Note-se que a transição das “obras das trevas” para as “armas da luz” inclui o conceito de “revestimento”. As “vestes” das trevas devem ser substituídas pela vestimenta da armadura da luz.

4. Comportamento digno, que inclui viver honestamente às claras, abandono das orgias, luxúria e lascívia (que envolvem imoralidade sexual), inveja e contenda (v. 13).

5. Revestidos de Cristo, sem chance para a carnalidade (v. 14). A experiência do nosso revestimento com a justiça de Cristo deve ser renovada a cada dia, no processo da santificação. Perseverando nesse caminho, cresceremos na imitação do modelo supremo, Cristo Jesus. Embora Deus nos tenha agraciado com desejos legítimos que precisam ser satisfeitos, eles não devem nos dominar. Uma vida de complacência própria tende a estimular apetites físicos impuros. Estando revestidos de Cristo, teremos o poder para mantê-los subjugados.

Despir e vestir

Colossenses 3:1-10. Novamente nos deparamos com os conceitos paulinos de “morte” para a velha vida e “ressurreição” para uma vida nova, presentes na exposição que ele fez sobre o batismo, em Romanos 6. Com isso, o apóstolo se referiu à transformação produzida nos crentes, devido à identificação deles com Cristo, em Sua morte e ressurreição, eventos dos quais o batismo é símbolo.

“Em termos inequívocos”, assinalam os autores da Lição, “nos é mostrada a ideia de renovação, regeneração, de algo feito melhor do que era antes”. Sendo que, quando Ele “Se manifestar” em glória, também seremos “manifestados com Ele”, devemos viver aqui em sintonia com o Céu, revelando os frutos descritos nos versos 8-10, despidos do velho homem e revestidos do novo homem, em Cristo Jesus.

Essa mesma ideia foi apresentada aos cristãos de Éfeso (Ef 4:22-24). A morte do velho homem e ressureição do novo; o ato de nos despirmos do velho homem e nos revestirmos de Cristo ou do novo homem, tudo isso envolve transformação, mudança do ser. “
Como cristãos batizados, somos novas pessoas no Senhor. Estar revestido de Cristo não é uma metáfora para justificação apenas, para a justiça de Cristo cobrindo nossos pecados e nos dando uma nova posição diante de Deus. Estar revestido de Cristo significa igualmente ser uma nova pessoa, ou seja, sercriado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade’ (v. 24).”

Num piscar de olhos

Nosso crescimento espiritual, porém, não nos isenta das consequências físicas do pecado, entre as quais a mais dolorosa é a morte. Ela nos espreita; a sepultura nos aguarda, independentemente de quão longa seja nossa existência. O fim será a morte. E, ao longo da existência terrestre, não é sem lutas, escorregões e quedas, transposição de vales e montanhas, revezes e conquistas que buscamos perseverar na manutenção do nosso status de “revestidos de Cristo”. Graças a Deus, existe uma esperança, perfeita e firme, de transformação plena e final da nossa vida em todos os aspectos espiritual, emocional e físico. Nessa transformação está envolvida a vitória sobre a morte com sua decorrente troca das vestes da corrupção física pelas vestes da incorruptibilidade.

Segundo a reportagem de Veja, o atual esforço da medicina é apenas para ampliar a expectativa de vida humana. “Vivemos num tempo em que é ótimo ser mortal”, afirmou Jonathan Weiner, citado na reportagem e autor do livro The Strange Science of Immortality [A Estranha Ciência da Imortalidade]. Como Deus não faz as coisas pela metade, a promessa de Sua Palavra é completa e garante o retorno do ser humano à imortalidade para a qual foi planejado.

Paulo enfatiza essa esperança em 1 Coríntios 15:49-55. Especificamente, os versos 53 e 54 falam da substituição das vestes mortais e corruptíveis, que agora ostentamos, pelas vestes imortais e incorruptíveis. É essencial que ocorra essa mudança no corpo dos santos; e isso acontecerá por ocasião da ressurreição ou, no caso dos que forem encontrados vivos na vinda de Jesus Cristo, quando forem transformados “
num momento, num abrir e fechar de olhos, quando ressoar a última trombeta” (v. 52). Então o corpo não mais incitará o “eu” débil ao pecado. Como somos agora, “carne e sangue”, não podemos “herdar o reino de Deus”, assim como a corrupção não pode herdar a incorrupção (1Co 15:50). Ainda não temos substância celestial; ainda não refletimos a imagem plena de Jesus Cristo.

Esse corpo imperecível, revestido de incorruptibilidade, não é algo como um espírito desencarnado, nem fantasma. Trata-se de um corpo real, tangível, organismo perfeito e apto para ser morada do Espírito Santo. Paulo o comparou ao corpo de Cristo ressuscitado (Fp 3:21). À semelhança de Cristo ressuscitado, conservaremos os aspectos de nossa personalidade. Apesar das diferenças entre o corpo revestido de corrupção e o incorruptível, haverá certa continuidade entre elas, conforme descrição de Ellen G. White:

Nossa identidade pessoal é preservada na ressurreição, ainda que não as mesmas partículas de matéria ou substância que foram à tumba. As maravilhosas obras de Deus são um mistério para o homem. O espírito, o caráter do homem, volve a Deus para ser preservado. Na ressurreição, cada homem terá seu próprio caráter. A seu devido tempo, Deus chamará os mortos, devolvendo-lhes o sopro da vida, fazendo com que os ossos secos tornem a viver. Eles se levantarão com a mesma forma que tinham, porém livres de doenças e defeitos. E viverão conservando suas mesmas características individuais, de maneira que os amigos poderão reconhecer-se” (MS 76, 1900).

Nossa habitação celestial

2 Coríntios 5:1-4. Nesses versos, Paulo explica a razão da esperança mantida em meio às provas e aflições que provocam gemidos ao longo da vida. Tal esperança, apresentada no capítulo anterior, tem seu fundamento na certeza da ressurreição dos justos, na segunda vinda de Cristo. Naquela ocasião, nosso corpo, aqui simbolicamente identificado como “casa terrestre”, será transformado em “um edifício, casa não feita por mãos, eterna” (v. 1), ou revestido “da nossa habitação celestial” (v. 2).

Como informa a nota da Lição de quinta-feira, “em alguns antigos escritos, a ideia de estar revestido era vista como similar a estar dentro de uma casa. As duas coisas são externas a nós e apresentam certa porção de proteção e cobertura (no tempo de Paulo, o nome da roupa usada pela classe pobre era derivado de uma palavra que significava ‘pequena casa’).”

Porém, é apropriada a comparação do corpo humano com uma casa ou tenda (essa é a expressão original). O material do qual as duas coisas são feitas é proveniente da terra, o que as torna perecíveis, transitórias e vulneráveis a intempéries. Mas a casa “não feita por mãos” (o corpo transformado) é “eterna”. Esse corpo será imperecível, glorioso e forte. Estará livre de tendências e impulsos egoístas; revestido de glória imortal e santidade perene.

Final glorioso

O plano divino estabelecido para a salvação do homem prevê a restauração de todas as coisas ao seu estado original. O paraíso perdido por Adão será restaurado por Jesus à Sua original perfeição espiritual e física. Em breve, esse plano alcançará seu propósito final para os filhos de Deus de todos os tempos. Para sempre, viveremos com Ele e Ele estabelecerá Seu trono neste planeta.

Não podemos criar o paraíso por meio de pesquisas científicas, programas políticos nem mediante nossas boas obras. O homem não pode acabar com a morte, eliminar o pecado nem suprimir Satanás. Porém, todas essas esperanças serão materializadas quando o que está assentado no trono do Universo proclamar: “
Eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21:5).

A santa cidade, prometida a Abraão, descerá do Céu como Nova Jerusalém, a morada de Deus e dos remidos. Então, terá passado o inverso cristão com seus gelados ventos de aflições e provas.

A garantia do nosso Deus é a seguinte: “
O que vencer herdará todas estas coisas, e Eu serei seu Deus, e ele será Meu filho” (Ap 21:7). Diante disso, à semelhança do apóstolo João, podemos orar: “Vem, Senhor Jesus!” (Ap 22:20).

Obras consultadas:
– Comentário Bíblico Adventista del Séptimo Dia, v. 6.
– Russell Norman Champlin, O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, v. 5.
– Desmond Ford, Right With God Right Now.
– John C. Brunt, The Abundant Bible Amplifier – Romans.

Zinaldo A. Santos - Editor de Ministério