sábado, 2 de julho de 2011

A morte dos primogênitos: Páscoa e adoração

Segunda                    




Respondam-lhes: É o sacrifício da Páscoa ao Senhor, que passou sobre as casas dos israelitas no Egito e poupou nossas casas quando matou os egípcios”. Então o povo curvou-se em adoração (Êx 12:27, NVI).

A palavra hebraica traduzida por “adorou” no verso acima vem de uma raiz que significa “se curvar” ou “se prostrar”. Essa palavra quase sempre aparece na forma verbal que intensifica o significado ou que dá a ideia de repetição. Poderíamos quase imaginar uma pessoa se curvando para baixo e para cima, repetidamente, em sinal de reverência, admiração e gratidão. De fato, considerando o contexto, isso não é difícil de imaginar.

2. Leia a história daquela primeira noite de Páscoa, em Êxodo 12:1-36. Como esses versos revelam o evangelho, que deve ser o centro de toda a nossa adoração?

1 Disse o SENHOR a Moisés e a Arão na terra do Egito:
2  Este mês vos será o principal dos meses; será o primeiro mês do ano.
3  Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês, cada um tomará para si um cordeiro, segundo a casa dos pais, um cordeiro para cada família.
4  Mas, se a família for pequena para um cordeiro, então, convidará ele o seu vizinho mais próximo, conforme o número das almas; conforme o que cada um puder comer, por aí calculareis quantos bastem para o cordeiro.
5  O cordeiro será sem defeito, macho de um ano; podereis tomar um cordeiro ou um cabrito;
6  e o guardareis até ao décimo quarto dia deste mês, e todo o ajuntamento da congregação de Israel o imolará no crepúsculo da tarde.
7  Tomarão do sangue e o porão em ambas as ombreiras e na verga da porta, nas casas em que o comerem;
8  naquela noite, comerão a carne assada no fogo; com pães asmos e ervas amargas a comerão.
9  Não comereis do animal nada cru, nem cozido em água, porém assado ao fogo: a cabeça, as pernas e a fressura.
10  Nada deixareis dele até pela manhã; o que, porém, ficar até pela manhã, queimá-lo-eis.
11  Desta maneira o comereis: lombos cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão; comê-lo-eis à pressa; é a Páscoa do SENHOR.
12  Porque, naquela noite, passarei pela terra do Egito e ferirei na terra do Egito todos os primogênitos, desde os homens até aos animais; executarei juízo sobre todos os deuses do Egito. Eu sou o SENHOR.
13  O sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; quando eu vir o sangue, passarei por vós, e não haverá entre vós praga destruidora, quando eu ferir a terra do Egito.
14  Este dia vos será por memorial, e o celebrareis como solenidade ao SENHOR; nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo.
15  Sete dias comereis pães asmos. Logo ao primeiro dia, tirareis o fermento das vossas casas, pois qualquer que comer coisa levedada, desde o primeiro dia até ao sétimo dia, essa pessoa será eliminada de Israel.
16  Ao primeiro dia, haverá para vós outros santa assembléia; também, ao sétimo dia, tereis santa assembléia; nenhuma obra se fará nele, exceto o que diz respeito ao comer; somente isso podereis fazer.
17  Guardai, pois, a Festa dos Pães Asmos, porque, nesse mesmo dia, tirei vossas hostes da terra do Egito; portanto, guardareis este dia nas vossas gerações por estatuto perpétuo.
18  Desde o dia catorze do primeiro mês, à tarde, comereis pães asmos até à tarde do dia vinte e um do mesmo mês.
19  Por sete dias, não se ache nenhum fermento nas vossas casas; porque qualquer que comer pão levedado será eliminado da congregação de Israel, tanto o peregrino como o natural da terra.
20  Nenhuma coisa levedada comereis; em todas as vossas habitações, comereis pães asmos.

28  E foram os filhos de Israel e fizeram isso; como o SENHOR ordenara a Moisés e a Arão, assim fizeram.
29  Aconteceu que, à meia-noite, feriu o SENHOR todos os primogênitos na terra do Egito, desde o primogênito de Faraó, que se assentava no seu trono, até ao primogênito do cativo que estava na enxovia, e todos os primogênitos dos animais.
30  Levantou-se Faraó de noite, ele, todos os seus oficiais e todos os egípcios; e fez-se grande clamor no Egito, pois não havia casa em que não houvesse morto.
31  Então, naquela mesma noite, Faraó chamou a Moisés e a Arão e lhes disse: Levantai-vos, saí do meio do meu povo, tanto vós como os filhos de Israel; ide, servi ao SENHOR, como tendes dito.
32  Levai também convosco vossas ovelhas e vosso gado, como tendes dito; ide-vos embora e abençoai-me também a mim.
33  Os egípcios apertavam com o povo, apressando-se em lançá-los fora da terra, pois diziam: Todos morreremos.
34  O povo tomou a sua massa, antes que levedasse, e as suas amassadeiras atadas em trouxas com seus vestidos, sobre os ombros.
35  Fizeram, pois, os filhos de Israel conforme a palavra de Moisés e pediram aos egípcios objetos de prata, e objetos de ouro, e roupas.
36  E o SENHOR fez que seu povo encontrasse favor da parte dos egípcios, de maneira que estes lhes davam o que pediam. E despojaram os egípcios.  Êxodo 12:1-36

A menos que fossem cobertos pelo sangue, os filhos de Israel sofreriam a perda de seus primogênitos. Para eles, o primogênito (que geralmente era o filho mais velho), tinha privilégios e responsabilidades especiais. Posteriormente os primogênitos foram substituídos pelos levitas (Nm 3:12). Israel foi considerado “primogênito” do Senhor (Êx 4:22), o que indicava sua relação especial com o Criador. No Novo Testamento, Jesus foi chamado de “Primogênito” (Rm 8:29; Cl 1:15, 18).

Eis que tenho eu tomado os levitas do meio dos filhos de Israel, em lugar de todo primogênito que abre a madre, entre os filhos de Israel; e os levitas serão meus. (Nm 3:12)

Dirás a Faraó: Assim diz o SENHOR: Israel é meu filho, meu primogênito. (Êx 4:22)

Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.  (Rm 8:29; 

15  Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação;
18  Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia, Cl 1:15, 18).

Embora os primogênitos de Israel tenham sido poupados, na realidade, Cristo, “o Primogênito”, devia sofrer a morte simbolizada pelo sangue colocado sobre as portas das casas. Esse ato surge como uma poderosa representação da morte substitutiva de Jesus. Ele morreu a fim de poupar da merecida morte os “primogênitos”, que representam, em certo sentido, todas as pessoas salvas

e igreja dos primogênitos arrolados nos céus, e a Deus, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados,  (Hb 12:23).

No Egito, o povo havia obedecido aos seus senhores por causa do medo, e agora eles aprenderiam que a verdadeira adoração brota de um coração cheio de amor e gratidão para com aquele que tem poder para livrar e salvar. Como você pode aprender a apreciar melhor e amar o Senhor? Como o pecado tende a diminuir esse amor? 





Não terás outros deuses

Terça                                        




Imagine a cena: o Monte Sinai, envolto em uma nuvem espessa, estremecendo com trovões, brilhando com relâmpagos e o som de trombetas. As pessoas tremiam.

O ar se enchia de fumaça, porque o Deus de Israel havia descido no fogo sobre o monte santo (Êx 19:16-19). Ali, em meio a nuvens e fumaça, Ele Se revelou em terrível grandeza. Então, a voz do Libertador proclamou os primeiros quatro mandamentos, os quais estão diretamente ligados à adoração.

16  Ao amanhecer do terceiro dia, houve trovões, e relâmpagos, e uma espessa nuvem sobre o monte, e mui forte clangor de trombeta, de maneira que todo o povo que estava no arraial se estremeceu.
17  E Moisés levou o povo fora do arraial ao encontro de Deus; e puseram-se ao pé do monte.
18  Todo o monte Sinai fumegava, porque o SENHOR descera sobre ele em fogo; a sua fumaça subiu como fumaça de uma fornalha, e todo o monte tremia grandemente.
19  E o clangor da trombeta ia aumentando cada vez mais; Moisés falava, e Deus lhe respondia no trovão.  (Êx 19:16-19)

3. Examine Êxodo 20:1-6. Que pontos importantes sobre adoração podemos tirar desses versos?

1  Então, falou Deus todas estas palavras:
2  Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão.
3  Não terás outros deuses diante de mim.
4  Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.
5  Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem
6  e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.  Êxodo 20:1-6

Os Dez Mandamentos começam com um lembrete de Deus aos filhos de Israel, sobre sua libertação. Somente o Senhor, o Deus verdadeiro, o único Deus, poderia ter feito isso por eles. Todos os outros deuses, como os do Egito, eram falsos, criações humanas, incapazes de salvar ou livrar. Esses “deuses” também demonstravam traços de caráter egoístas, exigentes, e muitas vezes imorais, refletindo sua origem humana. Que contraste com o Senhor, o amoroso e abnegado Criador e Redentor! Assim, depois de séculos de envolvimento com o rude politeísmo de uma cultura pagã, os filhos de Israel precisavam conhecer seu Senhor e Deus como o único Deus, especialmente naquela ocasião em que estavam entrando na relação de aliança com Ele.

4. Como esse contexto nos ajuda a entender melhor o que o Senhor disse em Êxodo 20:4, 5? Como podemos aplicar esse princípio em nossa vida?

4  Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.
5  Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso,  Êxodo 20:4, 5

Ellen G. White escreveu: “O que quer que acariciemos que tenda a diminuir nosso amor para com Deus, ou seja incompatível com o culto a Ele devido, disso fazemos um deus” (Patriarcas e Profetas, p. 305).

Pense nisto: Tenho outros deuses em minha vida, competindo pelas minhas afeições, tempo, prioridades e objetivos? Quais são eles e como posso removê-los?




“Estes são teus deuses”

Quarta                                    




5. Leia Êxodo 32:1-6 e responda às seguintes perguntas:

1  Mas, vendo o povo que Moisés tardava em descer do monte, acercou-se de Arão e lhe disse: Levanta-te, faze-nos deuses que vão adiante de nós; pois, quanto a este Moisés, o homem que nos tirou do Egito, não sabemos o que lhe terá sucedido.
2  Disse-lhes Arão: Tirai as argolas de ouro das orelhas de vossas mulheres, vossos filhos e vossas filhas e trazei-mas.
3  Então, todo o povo tirou das orelhas as argolas e as trouxe a Arão.
4  Este, recebendo-as das suas mãos, trabalhou o ouro com buril e fez dele um bezerro fundido. Então, disseram: São estes, ó Israel, os teus deuses, que te tiraram da terra do Egito.
5  Arão, vendo isso, edificou um altar diante dele e, apregoando, disse: Amanhã, será festa ao SENHOR.
6  No dia seguinte, madrugaram, e ofereceram holocaustos, e trouxeram ofertas pacíficas; e o povo assentou-se para comer e beber e levantou-se para divertir-se.
7  Então, disse o SENHOR a Moisés: Vai, desce; porque o teu povo, que fizeste sair do Egito, se corrompeu
8  e depressa se desviou do caminho que lhe havia eu ordenado; fez para si um bezerro fundido, e o adorou, e lhe sacrificou, e diz: São estes, ó Israel, os teus deuses, que te tiraram da terra do Egito. Êxodo 32:1-8

a) Que evento catalisador primeiramente abriu o caminho para essa poderosa expressão de falsa adoração? Como adventistas do sétimo dia, que lições devemos tirar disso?
b) De que foi feito esse falso deus, e o que isso diz sobre quanto é infrutífero esse tipo de adoração?
c) Como a adoração do bezerro de ouro contrasta com a adoração ao Senhor?

O povo “levantou-se para divertir-se”, “se corrompeu” “e depressa se desviou do caminho” (Êx 32:6-8). Dificilmente parece refletir o temor e reverência que deve marcar a verdadeira adoração, não é?

A multidão mista (egípcios que tinham escolhido seguir Israel no Êxodo, ou que eram casados com israelitas), sem dúvida influenciou o povo e exigiu de Arão a forma e estilo de adoração que lhes era familiar. Quando Josué ouviu o barulho que vinha de baixo, sugeriu a Moisés que havia uma guerra no acampamento. Moisés, porém, tendo vivido na corte real do Egito, sabia muito bem o que eram aqueles ruídos. Ele provavelmente tivesse reconhecido os sons de folia licenciosa: dança, música alta, canto, gritaria e confusão geral que marcavam sua adoração idolátrica

17  Ouvindo Josué a voz do povo que gritava, disse a Moisés: Há alarido de guerra no arraial.
18  Respondeu-lhe Moisés: Não é alarido dos vencedores nem alarido dos vencidos, mas alarido dos que cantam é o que ouço.
19  Logo que se aproximou do arraial, viu ele o bezerro e as danças; então, acendendo-se-lhe a ira, arrojou das mãos as tábuas e quebrou-as ao pé do monte;
20  e, pegando no bezerro que tinham feito, queimou-o, e o reduziu a pó, que espalhou sobre a água, e deu de beber aos filhos de Israel.
21  Depois, perguntou Moisés a Arão: Que te fez este povo, que trouxeste sobre ele tamanho pecado?
22  Respondeu-lhe Arão: Não se acenda a ira do meu senhor; tu sabes que o povo é propenso para o mal. (Êx 32:17-22).

Quando eles adoraram o verdadeiro Deus, o fizeram com humildade e reverência. Mas, adorando o bezerro de ouro, se comportaram como animais. Eles “
trocaram a Glória deles pela imagem de um boi” (Sl 106:19, 20, NVI). Parece ser um princípio da natureza humana que nós não subimos mais alto do que aquilo que adoramos e reverenciamos.

Observe quão rápida e facilmente eles comprometeram a verdade em sua adoração. Muito rapidamente a cultura local foi introduzida e os afastou de Deus. Em nossa adoração, como podemos evitar essa mesma armadilha? 




“Mostra-me a Tua glória”

Quinta                                     




Na experiência do bezerro de ouro, o povo de Israel havia quebrado sua aliança com Deus. Pelo pecado e falsa adoração, tinha tomado Seu nome em vão. Moisés implorou a Deus em favor deles (Êx 32:30-33). Por causa desse terrível pecado, Deus ordenou ao Seu povo obstinado que tirasse os enfeites, para que o Senhor pudesse decidir o que fazer com eles (Êx 33:4, 5). Para os que, em humildade, se arrependeram, a remoção dos ornamentos foi um símbolo de reconciliação com Deus (Êx 33:4-6).

30  No dia seguinte, disse Moisés ao povo: Vós cometestes grande pecado; agora, porém, subirei ao SENHOR e, porventura, farei propiciação pelo vosso pecado.
31  Tornou Moisés ao SENHOR e disse: Ora, o povo cometeu grande pecado, fazendo para si deuses de ouro.
32  Agora, pois, perdoa-lhe o pecado; ou, se não, risca-me, peço-te, do livro que escreveste.
33  Então, disse o SENHOR a Moisés: Riscarei do meu livro todo aquele que pecar contra mim.  (Êx 32:30-33)

4  Ouvindo o povo estas más notícias, pôs-se a prantear, e nenhum deles vestiu seus atavios.
5  Porquanto o SENHOR tinha dito a Moisés: Dize aos filhos de Israel: És povo de dura cerviz; se por um momento eu subir no meio de ti, te consumirei; tira, pois, de ti os atavios, para que eu saiba o que te hei de fazer.
6  Então, os filhos de Israel tiraram de si os seus atavios desde o monte Horebe em diante. Êx 33:4-6).

6. Leia Êxodo 33:12-23. Por que Moisés pediu que Deus lhe mostrasse Sua glória? O que Moisés queria conhecer? Por que ele acreditava que necessitava dessas coisas?

12  Disse Moisés ao SENHOR: Tu me dizes: Faze subir este povo, porém não me deste saber a quem hás de enviar comigo; contudo, disseste: Conheço-te pelo teu nome; também achaste graça aos meus olhos.
13  Agora, pois, se achei graça aos teus olhos, rogo-te que me faças saber neste momento o teu caminho, para que eu te conheça e ache graça aos teus olhos; e considera que esta nação é teu povo.
14  Respondeu-lhe: A minha presença irá contigo, e eu te darei descanso.
15  Então, lhe disse Moisés: Se a tua presença não vai comigo, não nos faças subir deste lugar.
16  Pois como se há de saber que achamos graça aos teus olhos, eu e o teu povo? Não é, porventura, em andares conosco, de maneira que somos separados, eu e o teu povo, de todos os povos da terra?
17  Disse o SENHOR a Moisés: Farei também isto que disseste; porque achaste graça aos meus olhos, e eu te conheço pelo teu nome.
18  Então, ele disse: Rogo-te que me mostres a tua glória.
19  Respondeu-lhe: Farei passar toda a minha bondade diante de ti e te proclamarei o nome do SENHOR; terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia e me compadecerei de quem eu me compadecer.
20  E acrescentou: Não me poderás ver a face, porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá.
21  Disse mais o SENHOR: Eis aqui um lugar junto a mim; e tu estarás sobre a penha.
22  Quando passar a minha glória, eu te porei numa fenda da penha e com a mão te cobrirei, até que eu tenha passado.
23  Depois, em tirando eu a mão, tu me verás pelas costas; mas a minha face não se verá. Êxodo 33:12-23

O desejo de Moisés de ver a glória de Deus não era curiosidade nem presunção, mas brotou de uma profunda fome de sentir a presença de Deus, depois de tão escandalosa apostasia. Embora Moisés não houvesse participado do pecado, ele foi afetado pela situação. Não vivemos isolados dos outros membros da igreja. O que afeta uma pessoa afeta as outras, algo que nunca deveríamos esquecer.

Leia atentamente Êxodo 33:13. Moisés disse ao Senhor que desejava “conhecê-Lo”. Não obstante tudo que o Senhor havia realizado, Moisés ainda sentia a própria necessidade, fraqueza e impotência, e assim, queria andar mais perto do Senhor. Ele desejava conhecer melhor o Deus de quem era tão dependente. É interessante que, séculos mais tarde, Jesus disse: “
E a vida eterna é esta: que Te conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17:3). Moisés queria ver a glória de Deus, algo que o levaria a compreender ainda mais a própria pecaminosidade e impotência e, consequentemente, sua completa dependência do Senhor. Afinal, considere o que Moisés tinha sido chamado a fazer e os desafios que teve de enfrentar. Não é de admirar que ele tivesse sentido essa necessidade de conhecer Deus.

Percebemos, também, um ponto crucial sobre adoração. Deus deve ser o assunto da adoração; a ênfase deve ser o nosso empenho em conhecer mais sobre Ele e Seu “caminho”, com humildade, fé e submissão

Agora, pois, se achei graça aos teus olhos, rogo-te que me faças saber neste momento o teu caminho, para que eu te conheça e ache graça aos teus olhos; e considera que esta nação é teu povo.   (Êx 33:13).

Quanto você conhece sobre o Senhor? Que escolhas o habilitarão a conhecê-Lo melhor? Como aprender a adorar de uma forma que lhe dê melhor apreciação de Deus e Sua glória? 

Sexta                                          Estudo adicional


Leia de Ellen G. White, Patriarcas e Profetas; p. 303-314: “Israel Recebe a Lei”; p. 315-330: “Idolatria no Sinai”; e p. 331-342: “Inimizade de Satanás Contra a Lei”; Salmos 105:26-45; 106:8-23.

A humildade e a reverência devem caracterizar o comportamento de todos os que vão à presença de Deus. Em nome de Jesus podemos ir perante Ele com confiança. Não devemos, porém, nos aproximar dEle com uma ousadia presunçosa, como se Ele estivesse no mesmo nível que nós. Há os que se dirigem ao grande, todo-poderoso e santo Deus... como se estivessem se dirigindo a um igual, ou mesmo inferior. Há os que se portam em Sua casa conforme não imaginariam fazer na sala de audiência de um governador terrestre. Tais pessoas devem se lembrar de que se acham à vista daquele a quem serafins adoram, perante quem os anjos velam o rosto. Deus deve ser grandemente reverenciado. Todos os que em verdade se compenetram de Sua presença, se prostram com humildade perante Ele (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 252).

Perguntas para reflexão 
1. O que podemos aprender com a história trágica da adoração ao bezerro de ouro? Quais são as consequências de adorar falsos deuses (visíveis ou invisíveis)? Quais são os ídolos geralmente adorados na sociedade? Quais são as lições dessa história para a igreja hoje, que tem esperado por longo tempo a segunda vinda de Jesus?
2. Como os nossos cultos podem nos ajudar a sentir de maneira mais intensa a majestade, glória e poder de Deus? Ou será que eles tendem a trazer Deus para o nosso próprio nível?
3. O que significa conhecer o Senhor? Se alguém lhe perguntasse: “Como você conhece o Senhor?”, como você responderia? Em outras palavras, como pode um ser humano conhecer a Deus pessoalmente?




Adoração e o êxodo: compreendendo quem é Deus (resumo do estudo nº 02)




2
  Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão.
3  Não terás outros deuses diante de mim. Êxodo 20:2, 3

Saber: A diferença entre os sentimentos e ações dos adoradores ao redor da imagem do bezerro e os sentimentos e ações dos adoradores ao pé do Monte Sinai.
Sentir: Humildade ao adorar a Deus, tendo percepção do domínio de Sua majestade, Seu poder criativo e justiça santa.
Fazer: Honrar o Deus do Êxodo, respeitando Suas expectativas para o culto e a elas respondendo.

Esboço

I. Respeito ou folia?
A. Por que, para Deus, era tão importante demonstrar quem Ele era, através do fogo, palavras trovejantes e terremotos no Monte Sinai?
B. O que distingue a celebração reverente do poder libertador de Deus da folia hedonista exibida por Israel ao redor da imagem do bezerro? Como Israel caiu nesse tipo de adoração falsa?
C. Como tentações semelhantes podem surgir diante de nós? Como podemos evitar a adoração falsa e irreverente?

II. Digno de adoração
A. Como Deus Se apresentou a Moisés e a Israel, ao lhes ensinar a maneira de adorá-Lo?
B. Que emoções e comportamentos surgem do reconhecimento da glória, poder e justiça de Deus?

III. Governante majestoso, libertador poderoso
A. Que imagens e concepções de Deus devemos ter em mente ao nos aproximarmos dEle em adoração?
B. Como podemos expressar nossa devoção de maneira íntima, porém respeitosa?

Resumo: Embora Deus pessoalmente tivesse libertado Israel do Egito e Se manifestado ao Seu povo de muitas formas, Ele requeria profundo reconhecimento e respeito por Sua natureza transcendente e santa.

 

Motivação
A verdadeira adoração é caracterizada pela consciência e reconhecimento da infinita grandeza de Deus e nossa aspiração de conhecê-Lo mais. O verdadeiro adorador se recusará a aceitar substitutos para Deus, também conhecidos como ídolos.

Enfatize o contraste entre Deus e as coisas que poderíamos ser tentados a colocar acima dEle em nossa vida.

Ídolo. Todos nós estamos familiarizados com essa palavra. Se estudamos a Bíblia, ou escutamos os que a estudam, sabemos que a palavra se refere à imagem de um deus falso. Algumas culturas e religiões pensavam que o poder residia na própria imagem; outras pensavam que o ídolo era um ponto focal através do qual o deus em questão se manifestava ao adorador. Mas o ponto importante é que o ídolo é, ou era, um artefato humano, que não tinha nenhum significado verdadeiro além da imaginação, superstições ou equívocos de seu criador.

No entanto, a palavra ídolo também é usada de outras maneiras. É usada, por exemplo, nos títulos de shows populares de televisão em vários países. Alguém a quem se admira muito é chamado de “ídolo”. Com certeza, poderíamos pensar que isso é apenas uma figura de linguagem, ou que a intenção é irônica. Mas a realidade é que o mundo nos incentiva a colocar nossa adoração e confiança em coisas temporais e transitórias como nós. E, embora não sejamos totalmente incentivados a adorá-las, parte das emoções em torno dessas coisas e pessoas certamente se parece muito com adoração. Podemos argumentar que isso tende a enfraquecer o desejo e a disposição de adorar a Deus autenticamente.

No livro de Êxodo vemos os atos poderosos de Deus, o único Ser digno de adoração. Vemos também a tendência humana de substituir Deus por outras coisas e a confusão e tristeza que resultam disso.

Comente: 
O que é necessário para manter a atitude correta para com Deus e uma percepção correta de quem e o que Ele é? Como as coisas deste mundo podem tirar a reverência e a adoração que devemos dedicar somente a Deus? Como podemos manter em ordem nossas prioridades?

Compreensão
Enfatize a diferença entre a verdadeira atitude de adoração, como se vê na experiência de Moisés no Monte Horebe (Êx 3:1-15), e a atitude característica da adoração aos falsos deuses (Êx 32:1-6).


Comentário Bíblico


I. “Eu Sou me enviou a vocês”

1
Apascentava Moisés o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Midiã; e, levando o rebanho para o lado ocidental do deserto, chegou ao monte de Deus, a Horebe.
2  Apareceu-lhe o Anjo do SENHOR numa chama de fogo, no meio de uma sarça; Moisés olhou, e eis que a sarça ardia no fogo e a sarça não se consumia.
3  Então, disse consigo mesmo: Irei para lá e verei essa grande maravilha; por que a sarça não se queima?
4  Vendo o SENHOR que ele se voltava para ver, Deus, do meio da sarça, o chamou e disse: Moisés! Moisés! Ele respondeu: Eis-me aqui!
5  Deus continuou: Não te chegues para cá; tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é terra santa.
6  Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. Moisés escondeu o rosto, porque temeu olhar para Deus.
7 Disse ainda o SENHOR: Certamente, vi a aflição do meu povo, que está no Egito, e ouvi o seu clamor por causa dos seus exatores. Conheço-lhe o sofrimento;
8  por isso, desci a fim de livrá-lo da mão dos egípcios e para fazê-lo subir daquela terra a uma terra boa e ampla, terra que mana leite e mel; o lugar do cananeu, do heteu, do amorreu, do ferezeu, do heveu e do jebuseu.
9  Pois o clamor dos filhos de Israel chegou até mim, e também vejo a opressão com que os egípcios os estão oprimindo.
10  Vem, agora, e eu te enviarei a Faraó, para que tires o meu povo, os filhos de Israel, do Egito.
11  Então, disse Moisés a Deus: Quem sou eu para ir a Faraó e tirar do Egito os filhos de Israel?
12  Deus lhe respondeu: Eu serei contigo; e este será o sinal de que eu te enviei: depois de haveres tirado o povo do Egito, servireis a Deus neste monte.
13  Disse Moisés a Deus: Eis que, quando eu vier aos filhos de Israel e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós outros; e eles me perguntarem: Qual é o seu nome? Que lhes direi?
14  Disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós outros.
15  Disse Deus ainda mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O SENHOR, o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó, me enviou a vós outros; este é o meu nome eternamente, e assim serei lembrado de geração em geração.        Êxodo 3:1-15

Deus primeiramente Se revelou a Moisés em um objeto muito comum: uma sarça. Um arbusto que estava em chamas. Numa área seca como, aquela os arbustos deviam pegar fogo com bastante frequência. O fogo era a maneira pela qual a natureza removia a vegetação morta para dar lugar à vegetação viva. Moisés, porém, logo notou algo que não era tão natural e comum: a sarça não se consumia. Era um grande insulto às leis da termodinâmica, que até mesmo os antigos devem ter compreendido intuitivamente. Tendo conseguido a atenção de Moisés, o Senhor então trabalharia de maneira especial com Seu servo.

Deus criou os arbustos, assim como o fogo, e criou as leis que regem as relações entre ambos. Mas Deus é maior do que essas leis. Ele poderia, se quisesse, eliminá-las completamente, que ele fez, obviamente.

Moisés estava familiarizado com a maneira natural de acontecerem as coisas: arbustos queimados. Mas, nesse caso, ele viu dois fenômenos naturais se comportando de modo antinatural, o que indicava que Deus estava presente. Deus havia aparecido no meio de Sua criação, e coisas estranhas estavam acontecendo. A resposta natural foi adoração. Moisés teve que ser orientado a tirar as sandálias, mas não teve que ser instruído a se prostrar.

Quando adoramos hoje, geralmente é um evento agendado. Raramente é uma explosão espontânea da presença de Deus, da forma que Moisés experimentou. Vamos à igreja no mesmo tempo, a cada semana ou reservamos um tempo para adoração pessoal ou familiar. É fácil, mesmo com as melhores intenções, permitir que a adoração se torne apenas mais uma rotina. Mas devemos sempre lembrar que a verdadeira adoração ocorre onde encontramos Deus em meio à realidade comum e reconhecemos que, talvez, a experiência não seja tão comum, afinal. A adoração nos lembra de que Deus está no centro da realidade comum, e que essa realidade, e nós também, somos totalmente dependentes dEle.

Pense nisto: 
Como Deus Se revela na sua vida diária? De que maneiras você honra a Deus e Lhe agradece a Sua presença?

II. O bezerro de ouro

1
  Mas, vendo o povo que Moisés tardava em descer do monte, acercou-se de Arão e lhe disse: Levanta-te, faze-nos deuses que vão adiante de nós; pois, quanto a este Moisés, o homem que nos tirou do Egito, não sabemos o que lhe terá sucedido.
2  Disse-lhes Arão: Tirai as argolas de ouro das orelhas de vossas mulheres, vossos filhos e vossas filhas e trazei-mas.
3  Então, todo o povo tirou das orelhas as argolas e as trouxe a Arão.
4  Este, recebendo-as das suas mãos, trabalhou o ouro com buril e fez dele um bezerro fundido. Então, disseram: São estes, ó Israel, os teus deuses, que te tiraram da terra do Egito.
5  Arão, vendo isso, edificou um altar diante dele e, apregoando, disse: Amanhã, será festa ao SENHOR.
6  No dia seguinte, madrugaram, e ofereceram holocaustos, e trouxeram ofertas pacíficas; e o povo assentou-se para comer e beber e levantou-se para divertir-se.
7  Então, disse o SENHOR a Moisés: Vai, desce; porque o teu povo, que fizeste sair do Egito, se corrompeu
8  e depressa se desviou do caminho que lhe havia eu ordenado; fez para si um bezerro fundido, e o adorou, e lhe sacrificou, e diz: São estes, ó Israel, os teus deuses, que te tiraram da terra do Egito. Êxodo 32:1-8

Quando se considera a história do bezerro de ouro, é fácil supor que os israelitas estavam simplesmente se apropriando dos deuses das culturas pagãs vizinhas e abandonando o Senhor. Isso parece ser sugerido na passagem (v. 1, 4), na qual é dito que o povo pediu que Arão fizesse deuses para eles e, em seguida, os adorou, considerando que tais ídolos os houvessem tirado do Egito. Mas temos também o verso 5, no qual Arão se refere à iminente festa como “uma festa ao Senhor”, literalmente, Jeová.

Analisado em conjunto, o texto sugere que, pelo menos, algumas pessoas pensavam que, enquanto ainda honravam o Senhor, poderiam ter deuses semelhantes aos de seus vizinhos. Desejavam se envolver nessa orgia pagã desenfreada, mas consagrando essa festa como se fosse ao Senhor, de alguma forma a tornariam agradável a Deus.

Assim, o que realmente observamos nessa passagem não é tanto a apostasia aberta, mas o sincretismo. O termo se refere à combinação de religiões ou sistemas de crenças geralmente contraditórios, muitas vezes com base em expediente político, gosto pessoal, ou capricho. Como acontece com muitos conceitos moralmente ou teologicamente duvidosos, justificativas para o sincretismo são fáceis de encontrar.

Por exemplo, pense no que poderia estar acontecendo na mente de Arão. Moisés parecia ter desaparecido sem deixar vestígios e, sem sua liderança carismática, a lealdade do povo ao Senhor estava se enfraquecendo. Sua fé era do tipo que pergunta “o que Ele tem feito por mim ultimamente?” Arão, de certa forma, provavelmente estivesse com medo de uma revolta. Ao mesmo tempo, ele era muito leal ou medroso para abandonar o Senhor completamente. “Por que não satisfazer os desejos do povo, para mantê-lo no aprisco, no caso de Moisés retornar?” Esse pode ter sido o pensamento de Arão. Essa foi a decisão, então. Ele daria aos israelitas apenas um deus falso, embora eles pedissem muitos, e faria desse falso deus um amigo de Jeová, Seu ajudante.

Se o raciocínio falho por trás dessa argumentação não fora óbvio desde o início, certamente deve ter sido quando a festa começou. Arão e os outros logo descobriram que não havia algo como uma insignificante adoração falsa. Misturar um pouco de culto pagão com um “uma festa ao Senhor” resultou em uma festa pagã, assim como teria ocorrido se eles simplesmente abandonassem o Senhor e abraçassem o paganismo. Assim como veneno misturado com alimento disfarça o veneno, mas não altera sua natureza, a falsa adoração misturada com a adoração verdadeira se torna apenas uma falsa adoração.

Pense nisto: Quais são os resultados de tentar unir o culto ao verdadeiro Deus com elementos incompatíveis, ou mesmo contraditórios? Por que tentamos fazer isso?

Aplicação
Use as seguintes perguntas para enfatizar a importância de conhecer a Deus e de buscar conhecê-Lo como o elemento-chave na adoração. Destaque como o verdadeiro conhecimento de quem e do que Deus realmente é previne a idolatria, ou a adoração de deuses de nossa própria fabricação ou imaginação.

Perguntas para consideração
1. O que significa temer a Deus? Esse temor tem o sentido de ter medo de Deus? Há algum sentido em que devemos ter medo de Deus? Por quê?
2. Por que você acha que o povo de Israel tinha memória tão curta acerca do que Deus havia feito por ele? O que isso pode dizer sobre a maneira pela qual eles se aproximavam de Deus na adoração e na vida diária?

Pergunta de aplicação
1. Em Êxodo 3:1-15 testemunhamos a relutância inicial de Moisés em fazer o que Deus pediu dele. Mas, quando ele adorou, reconheceu que Deus tinha poder suficiente para usá-lo de forma eficaz. Como a adoração a Deus pode nos dar confiança?
2. Nosso Deus é grande. Há muitas maneiras válidas para adorá-Lo. Como podemos discernir entre os caminhos compatíveis com a descrição bíblica da adoração correta e espiritualmente honesta, e os caminhos que comprometem ou contradizem o espírito da verdadeira adoração? Como podemos ter certeza de que nossos pontos de vista sobre o assunto não procedem apenas de nossas opiniões, ou mesmo preconceitos?

Criatividade
Esta lição enfatiza a centralidade de Deus na verdadeira adoração. As seguintes atividades são destinadas a incentivar os membros da classe a colocar a adoração no centro de sua vida e derivar suas prioridades e compreensão de si mesmos do verdadeiro conhecimento de Deus assim obtido.

De que maneiras eles têm experimentado o que consideram um verdadeiro milagre ou algo que lhes tenha transmitido a mensagem de que eles poderiam lidar com a vida com espírito de piedosa confiança?

Alternativa: 
Para os filhos de Israel, foram os deuses da terra da qual tinham acabado de sair. Embora fossem filhos do Deus supremo, que havia mostrado muitos milagres e sinais, eles ainda desejavam os deuses do Egito. E alguns deles pensavam que poderiam adorar os dois. Hoje temos ainda mais coisas afastando nossa atenção de Deus. E como os filhos de Israel, podemos pensar que podemos ter “Deus e...”.  Pergunte aos membros da classe quais são algumas dessas coisas que os afastam do Senhor. Como podemos colocá-las no devido lugar? Seria necessário abandoná-las completamente, como teria sido o caso com os deuses pagãos? Comente.





Adoração e o êxodo: compreendendo quem é Deus (comentário ao estudo nº 02)



 
Nesta semana, analisaremos alguns encontros que os filhos de Israel tiveram com o Senhor e o que eles revelam sobre a natureza e o caráter do Deus a quem professamos servir e adorar.

I. Terra santa

Vivendo no deserto, Moisés provavelmente já tivesse visto sarças queimando, mas não uma que não se consumia. A cena lhe chamou a atenção e ele se dirigiu até o local. É possível que ele pensasse tratar-se de algo sobrenatural. Foi então que ele ouviu duas ordens de Deus: não se aproximar demais e tirar as sandálias, porque aquele lugar, pela presença divina, era santo (Êx 3:5).

O relato de Êxodo 3:1-15 nos mostra os elementos fundamentais da verdadeira adoração:

1. Deus é santo; nós somos pecadores. Daí a razão para dEle nos aproximarmos com reverência, admiração e temor (respeitoso).
2. A adoração deve estar centralizada em Deus, não em nós. A pergunta de Moisés “Quem sou eu para ir?” (Êx 3:11), que expressa seus temores e fraqueza e está focalizada no que ele poderia fazer, deveria ser trocada para: “Se é Deus quem ordena, quem sou eu para não ir?”, expressando confiança em quem é Deus e no que Ele poderia e iria fazer pelos israelitas.
3. Adorar é reconhecer que a salvação só é possível pela atuação divina. Sem a intervenção de Deus estaríamos condenados à escravidão do pecado, como estavam os israelitas no tempo do cativeiro egípcio.

II. A morte dos primogênitos: Páscoa e adoração

O capítulo 12 de Êxodo relata a instituição da Páscoa. O sangue do cordeiro pascal deveria ser colocado na verga e ombreiras (batentes) das portas. Moisés explicou aos israelitas que seus filhos primogênitos seriam poupados por causa do sangue do inocente cordeiro.

Em gratidão pelo prometido livramento da morte de seus filhos, os israelitas se inclinaram e adoraram (Êx 12:27). Há aqui um princípio ou motivo-chave para adorarmos a Deus: além de Criador, Ele é também Redentor. Cada pecador perdoado jamais deveria se esquecer de que sua salvação só é possível por causa do sacrifício que Deus fez na pessoa de Cristo. Nesse sentido, adoração envolve tanto o reconhecimento de quem é Deus quanto gratidão pelo que Ele fez e faz pelo pecador. Havendo gratidão, há adoração. E o contrário também é verdadeiro: a ingratidão leva à negação de Deus ou ao desrespeito para com Sua pessoa.

Por causa do sangue do cordeiro pascal, os primogênitos dos israelitas foram poupados. O mesmo não aconteceu a Jesus, o filho Primogênito de Deus. Ele teve que morrer para que os “primogênitos” da humanidade, os que serão salvos, pudessem viver. E o que faremos em face de tão grande amor e sacrifício? Só nos resta fazer como os israelitas do passado: inclinarmo-nos diante de Deus e adorá-Lo por Seu imenso amor, manifestado no plano da salvação.

III. Não terás outros deuses

No monte Sinai Deus proclamou Sua vontade para com os israelitas e toda a humanidade através dos Dez Mandamentos, estando os quatro primeiros diretamente relacionados à adoração.

Antes de proclamar os mandamentos, Deus lembrou aos israelitas que fora Ele quem os havia tirado “
da terra do Egito, da casa da servidão” (Êx 20:2). Ao fazer isso, o Senhor pretendia que Seu povo fosse obediente e O adorasse motivado por gratidão, pelo fato de ter sido livrado da escravidão egípcia.

O primeiro mandamento mostra que Deus não admite rivais. Só Ele deve ser adorado. A razão para esse exclusivismo é o nosso próprio bem. Adorando-O, encontramos razão e significado para nossa vida, crescemos em bondade, altruísmo, pureza, veracidade, paciência, longanimidade, pois essas virtudes são as de Deus. Adorando outros deuses, certamente desenvolveremos outros atributos, diferentes daqueles que levam ao bem e ao crescimento pessoal e espiritual. A verdade é que nos tornamos parecidos com aquilo que adoramos.

O segundo mandamento proíbe fazer e adorar imagens, pois só Deus é digno de adoração, visto que é criador e mantenedor de tudo o que existe. Além disso, esse ato reduziria Deus ao tamanho e formato de uma imagem. A verdade é que não existe nada que possa representar adequadamente a pessoa de Deus. Qualquer tentativa nesse sentido acabaria por diminuí-Lo.

O terceiro mandamento proíbe tomar o nome de Deus em vão, seja em proferir Seu nome de maneira descuidada, seja em fazer piadas com o nome de Deus, seja ainda em dizer-se cristão e viver como se não fosse.

E o quarto mandamento nos pede que, de maneira especial no sétimo dia, nos lembremos do poder criador de Deus – o que nos levará a adorá-Lo em reconhecimento de tal poder. Após a morte de Cristo, o sábado passou a ser também lembrança da redenção efetuada na cruz. A adoração sabática, portanto, celebra o poder criador, mantenedor e salvador da pessoa de Deus.

IV. "Estes são teus deuses”

Quão facilmente a adoração pode ser corrompida! Bastou a ausência de Moisés por alguns dias, e eis o povo adorando um bezerro de ouro, algo bem conhecido, pois no Egito o boi Ápis era adorado. E o mais triste: aquela adoração (pelo menos na mente de Arão e dos demais idólatras) era uma “festa ao Senhor”! Chama nossa atenção a prontidão dos idólatras. Para um ato de falsa adoração eles madrugaram, ofereceram holocaustos e levaram ofertas pacíficas. Teriam eles a mesma prontidão caso o encontro fosse para a adoração séria e verdadeira a Javé, e não a um ídolo? Dificilmente!

Na verdade, quando adoraram o bezerro de ouro, os israelitas estavam adorando a si mesmos, no extravasar de suas paixões carnais. É-nos dito que
“... o povo assentou-se para comer e beber e levantou-se para divertir-se” (Êx 32:6). E o resultado dessa falsa adoração foi que o povo ficou “desenfreado” (Êx 32:25). Os israelitas se esqueceram de que eram o povo de Deus e se comportaram como animais. E hoje não é diferente: sempre que houver falsa adoração, haverá afrouxamento moral, descambando para a licenciosidade, pois o ser humano não é maior nem diferente daquilo que adora. Se o ídolo não é ético (pois ele não fala contra a conduta errada), que dizer de seus adoradores?

V. "Mostra-me a Tua glória"

 Chama nossa atenção o fato de que tão logo os adoradores do bezerro de ouro foram mortos (Êx 32:27-29), Moisés pediu que o Senhor lhe mostrasse Sua glória (Êx 33:18). Por que esse pedido? O que tem a ver o conhecimento de Deus com adoração? A resposta é: tudo a ver.

Quando conhecemos verdadeiramente a Deus, Seus poderosos atributos, Sua justiça, bondade, fidelidade e amor, nossa reação a tudo isso será nos prostrarmos diante dEle em admiração e gratidão. Isso indica que geralmente a causa da idolatria é o desconhecimento do Deus verdadeiro. Foi isso o que Jesus quis dizer, ao Se dirigir em oração ao Pai: “
A vida eterna é esta: que Te conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17:3).

Interessante é que Deus Se fez conhecido a Moisés não por demonstrações fantásticas de Seu imenso poder, nem pela manifestação de Seu brilho e resplendor (coisas que Ele poderia fazer, se assim o desejasse), mas por revelar-Se como Deus bondoso, misericordioso e compassivo (Êx 33:19). Isso indica que, mais importante do que saber sobre o que Deus pode fazer é saber quem Ele é (e também quem somos: seres finitos e pecaminosos). Isso nos levará à adoração correta de Sua pessoa.

Autor deste comentário:  Ozeas C. Moura - Doutor em Teologia Bíblica