domingo, 4 de setembro de 2011

Os verdadeiros adoradores


Quarta                              




“Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para Seus adoradores” (Jo 4:23).

Depois de afastar a mente da samaritana dos locais específicos de adoração e, em seguida, mencionar a superioridade da fé judaica sobre a dela, Jesus então falou à mulher sobre “os verdadeiros adoradores”. No verso 21, Jesus disse: “Vem a hora” em que as pessoas não adorarão naquele monte nem em Jerusalém; agora, porém, no verso 23, Ele diz que a hora “já chegou”, em que todos os verdadeiros adoradores adorarão em espírito e em verdade. Em outras palavras, não olhe para a glória passada, e não olhe para algum evento futuro. Ao contrário, “já chegou” o tempo para dar ao Senhor a adoração que Ele merece, e através dessa adoração experimentar o amor, a graça e a salvação que Ele oferece.

4. Jesus disse que todos os verdadeiros adoradores “adorarão o Pai em espírito e em verdade”. O que esses dois elementos representam, e como devemos aplicar isso à nossa experiência de adoração? 

6  Respondeu-lhes: Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.
7  E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens.
8  Negligenciando o mandamento de Deus, guardais a tradição dos homens.
9  E disse-lhes ainda: Jeitosamente rejeitais o preceito de Deus para guardardes a vossa própria tradição. Mc 7:6-9

Jesus a estava chamando para uma forma equilibrada de adoração, que procede do coração, que é sincera e profundamente sentida, que nasce do amor e temor para com Deus. Não há nada de errado com as emoções na adoração; afinal, nossa religião nos convida a amar a Deus (1Jo 5:2; Mc 12:30), e como o amor pode ser separado das emoções?

Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus: quando amamos a Deus e praticamos os seus mandamentos. 1Jo 5:2

Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força. Mc 12:30

Ao mesmo tempo, Deus pede que Seus verdadeiros adoradores O adorem “em verdade”. Deus revelou Sua vontade, Sua lei e Sua verdade. Ele espera que acreditemos nessa verdade e a ela obedeçamos. Os verdadeiros adoradores amam a Deus, e por causa desse amor procuram servir-Lhe, obedecer-Lhe e fazer o que é certo. No entanto, como podem saber o que é certo sem conhecer a verdade sobre fé, obediência, salvação e assim por diante? Está equivocada a ideia de que as crenças não importam, de que apenas o espírito sincero é importante. Isso é apenas metade da equação. Crenças corretas não salvam, mas nos dão uma grande compreensão do caráter de Deus, e isso deve nos levar a amá-Lo e servir-Lhe ainda mais.

É a sua adoração mais espírito do que verdade, ou mais verdade do que espírito? Como você pode aprender a integrar e equilibrar esses dois aspectos do culto? 





Adorando aos Seus pés


Quinta                                  




Durante os longos anos da história cristã, a igreja ficou dividida sobre a questão da divindade de Cristo. Seria Ele verdadeiramente o Deus eterno, um com o Pai desde a eternidade? Ou Ele teria sido criado mais tarde, vindo à existência através do poder criativo do Pai?


Embora, no início de nossa igreja, tenha existido certa confusão sobre esse assunto, Ellen G. White deixou muito claro, anos atrás, qual era sua posição. Como igreja hoje, temos aceitado plenamente essa posição.

“‘
Ele será chamado pelo nome de Emanuel [que quer dizer: Deus conosco]’” (Mt 1:23). O brilho do ‘conhecimento da glória de Deus’ vê-se ‘na face de Jesus Cristo’ (2Co 4:6). Desde os dias da eternidade o Senhor Jesus Cristo era um com o Pai; era ‘a imagem de Deus’, a imagem de Sua grandeza e majestade, ‘o resplendor de Sua glória’ (Hb 1:3). Foi para manifestar essa glória que Ele veio ao mundo. Veio à Terra entenebrecida pelo pecado, para revelar a luz do amor de Deus, para ser ‘Deus conosco’. Portanto, a Seu respeito foi profetizado: ‘Será o Seu nome Emanuel’” (Is 7:14; O Desejado de Todas as Nações, p. 19).

5. O que os seguintes textos nos dizem sobre a divindade de Cristo? 

Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas: ouro, incenso e mirra. Mt 2:11 

Então, Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto. Mt 4:10

Enquanto estas coisas lhes dizia, eis que um chefe, aproximando-se, o adorou e disse: Minha filha faleceu agora mesmo; mas vem, impõe a mão sobre ela, e viverá. Mt 9:18 

Então, se chegou a ele a mulher de Zebedeu, com seus filhos, e, adorando-o, pediu-lhe um favor. Mt 20:20 

E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens. Mc 7:7 

Então, eles, adorando-o, voltaram para Jerusalém, tomados de grande júbilo; Lc 24:52

Então, afirmou ele: Creio, Senhor; e o adorou. Jo 9:38

Em Sua resposta a Satanás (Mt 4:10), Jesus deixou muito claro que só o Senhor deve ser adorado. O que nos leva à importante questão apresentada nos textos acima: Cristo nunca recusou a adoração das pessoas. Nas várias vezes em que as pessoas O adoraram, nenhum exemplo é dado, no qual Ele tivesse dito: Não Me adorem, dirijam sua adoração somente ao Pai. De fato, o oposto é o caso.

6. Leia Lucas 19:37-40. O que a resposta de Jesus aos fariseus diz sobre Sua atitude para com aqueles que O adoravam?

37  E, quando se aproximava da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos passou, jubilosa, a louvar a Deus em alta voz, por todos os milagres que tinham visto,
38  dizendo: Bendito é o Rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas maiores alturas!
39  Ora, alguns dos fariseus lhe disseram em meio à multidão: Mestre, repreende os teus discípulos!
40  Mas ele lhes respondeu: Asseguro-vos que, se eles se calarem, as próprias pedras clamarão. Lucas 19:37-40

Precisamos reafirmar um tema abordado neste trimestre: é muito importante que Jesus seja o centro e o foco de toda a nossa adoração. Cada música, cada oração, cada sermão, tudo o que fazemos deve, de uma forma ou de outra, em última análise, dirigir nossa mente para Cristo, o Deus encarnado que Se ofereceu como sacrifício pelos nossos pecados. A adoração que nos deixa com um sentimento de admiração, amor e reverência para com nosso Senhor é a única, sem dúvida, agradável aos Seus olhos. 

Sexta                                        Estudo adicional


Leia de Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 19-26: “Deus conosco”.

Os homens não são postos em comunhão com o Céu mediante a busca de um monte santo ou um templo sagrado. Religião não se limita a formas e cerimônias exteriores. A religião que vem de Deus é a única que leva a Ele. Para O servirmos devidamente, é necessário nascermos do divino Espírito. Isso purificará o coração e renovará a mente, nos dando nova capacidade para conhecer e amar a Deus. Trará motivação para obediência voluntária a todos os Seus reclamos. Esse é o verdadeiro culto. É o fruto da operação do Espírito Santo” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 189).

“
Ele próprio, igual a Deus, fez o papel de servo para com Seus discípulos... Aquele diante de quem todo joelho se dobrará, a quem os anjos da glória consideram uma honra servir, Se curvou para lavar os pés daqueles que Lhe chamavam Senhor” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 649).

Perguntas para reflexão:

1. Os líderes religiosos do tempo de Cristo afirmavam conhecer as Escrituras, mas ignoravam o maior milagre da história, o nascimento do Messias. Entretanto, os sábios do Oriente foram procurá-Lo no lugar certo e na hora certa. Que significado essa história tem para nós, como cristãos e como igreja? Como podemos evitar os erros das pessoas nos dias de Cristo, ao vermos se cumprido as profecias dos últimos dias?

2. Pense novamente sobre Maria e o que devia estar se passando em sua mente naquela incrível reviravolta nos acontecimentos. Pense em quanta coisa ela não entendeu e como algumas delas podem ter sido difíceis para ela (estar grávida sem nunca ter se envolvido com um homem, certamente deve ter sido estressante).

E ainda, mesmo em meio a tudo isso, ela foi capaz de louvar ao Senhor e adorá-­Lo, apesar de tantas perguntas sem respostas, de tantos pensamentos perturbadores e tantas coisas obscuras. Como podemos fazer o mesmo: adorar e louvar o Senhor em tempos de incertezas e incógnitas? Na verdade, por que esse pode ser o melhor de todos os momentos para estar em atitude de sincera adoração?




Em espírito e em verdade (resumo do estudo nº 11)





Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. João 4:23

Saber: Como o ministério de Cristo e Seu exemplo destacam os temas da verdadeira
adoração, em contraste com as práticas da falsa adoração.
Sentir: A essência da adoração a Deus em espírito e em verdade.
Fazer: Ir além do ritual e da forma exterior, e beber profundamente da água viva que Jesus promete dar, enquanto adoramos e crescemos em nosso relacionamento com Deus.

Esboço:

I. Cristo e a adoração

A. Como a oração de Maria reconheceu a ocasião significativa do cumprimento das promessas de Deus ao Seu povo?
B. Como Cristo tornou claros os limites da adoração durante Suas tentações no deserto?

II. Em espírito e em verdade

A. Como a mulher samaritana, junto ao poço, tentou usar as diferenças na adoração para colocar de lado a revelação de Cristo a ela? Como fazemos o mesmo hoje?
B. O que Cristo identificou como fórmula inadequada para a verdadeira adoração?
C. O que é necessário para adorar de uma forma que agrade a Deus?
D. Como podemos manter o equilíbrio entre espírito e verdade em nossa adoração?

III. Água viva

A. O que precisamos fazer para beber profundamente da água viva que Jesus oferece?
B. Qual é a função da água viva na adoração verdadeira?

Resumo: 
Pelo seu exemplo, Cristo reforçou a necessidade da supremacia de Deus em nossa afeição e serviço, bem como a importância de adorar em espírito e em verdade.

Motivação
Quando gastamos tempo com as histórias de Jesus, descobrimos o verdadeiro assunto da nossa adoração, e encontramos o que Ele ensinou sobre adoração.

Recolha exemplos de como Jesus tem sido banalizado de diferentes maneiras. Se possível, traga alguns deles para comentar com a classe, ou imprima cópias desses tipos de coisas em sites da Internet. Exemplos poderiam incluir miniaturas de Jesus no papel de personagens seculares, esculturas, camisetas, músicas, ou exemplos de pessoas usando Jesus para justificar algum tipo de ação ou escolha que, obviamente, parece contradizer o que Jesus ensinou. Tente dissuadir os membros da classe de criticar coisas em que outros cristãos encontram significado. Em vez disso, concentre-se em exemplos que parecem evidentemente comerciais ou triviais. Dirija a discussão conforme a sugestão abaixo, procurando levar os alunos a ter mais discernimento, ao reconhecer os aspectos positivos e negativos na forma pela qual Jesus é retratado em várias culturas.

Atividade de abertura: 
Peça que os alunos sugiram exemplos de como Jesus é banalizado em diferentes culturas do mundo, até mesmo na cultura da Igreja. Compartilhe os exemplos coletados e comente com a classe sobre as possíveis motivações dos vários itens analisados. Parece que Jesus é muito comum em diversas culturas do mundo, mesmo em algumas que não são claramente “cristãs”. Para muitos, Jesus Se tornou um personagem ridículo, e para outros, uma oportunidade de marketing. Mas esse tipo de interesse em Jesus é diferente da verdadeira adoração. Por exemplo, quais são os aspectos positivos que pode haver em alguém vestindo uma camiseta que fale de Jesus? Por que adoração é algo diferente e maior do que isso? Conclua essa discussão, introduzindo as histórias de como pessoas que realmente se encontraram com Jesus responderam a Ele.

Compreensão
Esta seção traz a oportunidade de considerar aspectos da adoração por meio de histórias da vida e de ensinos de Jesus.

Comentário Bíblico


I. Um cântico sobre Jesus

46  Então, disse Maria: A minha alma engrandece ao Senhor,
47  e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador,
48  porque contemplou na humildade da sua serva. Pois, desde agora, todas as gerações me considerarão bem-aventurada,
49  porque o Poderoso me fez grandes coisas. Santo é o seu nome.
50  A sua misericórdia vai de geração em geração sobre os que o temem.
51  Agiu com o seu braço valorosamente; dispersou os que, no coração, alimentavam pensamentos soberbos.
52  Derribou do seu trono os poderosos e exaltou os humildes.
53  Encheu de bens os famintos e despediu vazios os ricos.
54  Amparou a Israel, seu servo, a fim de lembrar-se da sua misericórdia
55  a favor de Abraão e de sua descendência, para sempre, como prometera aos nossos pais.     Lucas 1:46-55

Mesmo antes de Jesus nascer, a boa notícia de Sua vinda impeliu Maria a louvar a Deus por Sua bondade, Seus atos na história, Sua intervenção na vida dela, e esperança de salvação em Jesus. Maria foi visitada por um anjo com uma mensagem pessoal e uma tarefa para ela, (Lc 1:26-38), mas ela reconheceu rapidamente que essa notícia era parte do plano maior e das ações de Deus ao longo da história. Sua expressão de adoração demonstrou a profundidade de sua compreensão de que algo grande estava acontecendo, e de que ela teve o privilégio de desempenhar um papel nesse evento.

26  No sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado, da parte de Deus, para uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré,
27  a uma virgem desposada com certo homem da casa de Davi, cujo nome era José; a virgem chamava-se Maria.
28  E, entrando o anjo aonde ela estava, disse: Alegra-te, muito favorecida! O Senhor é contigo.
29  Ela, porém, ao ouvir esta palavra, perturbou-se muito e pôs-se a pensar no que significaria esta saudação.
30  Mas o anjo lhe disse: Maria, não temas; porque achaste graça diante de Deus.
31  Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus.
32  Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai;
33  ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim.
34  Então, disse Maria ao anjo: Como será isto, pois não tenho relação com homem algum?
35  Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus.
36  E Isabel, tua parenta, igualmente concebeu um filho na sua velhice, sendo este já o sexto mês para aquela que diziam ser estéril.
37  Porque para Deus não haverá impossíveis em todas as suas promessas.
38  Então, disse Maria: Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra. E o anjo se ausentou dela. (Lc 1:26-38)

Pense nisto: 
O que chama sua atenção no cântico de Maria? Você acha que esse cântico foi espontâneo, inspirado, ou talvez cuidadosamente composto? Por quê? E que diferença isso pode fazer no nosso modo de lê-lo?

I. Tentado a “Adorar”
5  E, elevando-o, mostrou-lhe, num momento, todos os reinos do mundo.
6  Disse-lhe o diabo: Dar-te-ei toda esta autoridade e a glória destes reinos, porque ela me foi entregue, e a dou a quem eu quiser.
7  Portanto, se prostrado me adorares, toda será tua.
8  Mas Jesus lhe respondeu: Está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele darás culto. Lucas 4:5-8.)

A segunda tentação de Jesus, registrada em Lucas 4 (terceira tentação no relato de Mateus), talvez tenha sido a maior dessas ofertas a Jesus. O ponto central de Sua missão na Terra foi recuperar os reinos deste mundo, como domínio divino. Aquela tentação parecia um atalho para esse objetivo. Jesus, porém, Se manteve firme, declarando que Deus, e somente Deus, é digno de adoração. Ele também deu o exemplo de manter a verdadeira adoração, não importando o custo ou quanto a oferta seja sedutora, esperando a promessa apresentada na visão de João no Apocalipse: “
O sétimo anjo tocou a trombeta, e houve no Céu grandes vozes, dizendo: O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do Seu Cristo, e Ele reinará pelos séculos dos séculos” (Ap 11:15).

Pense nisto:
Jesus poderia ter achado essa tentação atraente? Por quê? Quando nos lembramos das promessas que temos para o futuro, como a de Apocalipse 11:15 (não importando nossa situação atual), o que muda em nossa perspectiva sobre a adoração?

III. Jesus fala sobre adoração

1  Quando, pois, o Senhor veio a saber que os fariseus tinham ouvido dizer que ele, Jesus, fazia e batizava mais discípulos que João
2  (se bem que Jesus mesmo não batizava, e sim os seus discípulos),
3  deixou a Judéia, retirando-se outra vez para a Galiléia.
4  E era-lhe necessário atravessar a província de Samaria.
5  Chegou, pois, a uma cidade samaritana, chamada Sicar, perto das terras que Jacó dera a seu filho José.
6  Estava ali a fonte de Jacó. Cansado da viagem, assentara-se Jesus junto à fonte, por volta da hora sexta.
7  Nisto, veio uma mulher samaritana tirar água. Disse-lhe Jesus: Dá-me de beber.
8  Pois seus discípulos tinham ido à cidade para comprar alimentos.
9  Então, lhe disse a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana (porque os judeus não se dão com os samaritanos)?
10  Replicou-lhe Jesus: Se conheceras o dom de Deus e quem é o que te pede: dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva.
11  Respondeu-lhe ela: Senhor, tu não tens com que a tirar, e o poço é fundo; onde, pois, tens a água viva?
12  És tu, porventura, maior do que Jacó, o nosso pai, que nos deu o poço, do qual ele mesmo bebeu, e, bem assim, seus filhos, e seu gado?
13  Afirmou-lhe Jesus: Quem beber desta água tornará a ter sede;
14  aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna.
15  Disse-lhe a mulher: Senhor, dá-me dessa água para que eu não mais tenha sede, nem precise vir aqui buscá-la.
16  Disse-lhe Jesus: Vai, chama teu marido e vem cá;
17  ao que lhe respondeu a mulher: Não tenho marido. Replicou-lhe Jesus: Bem disseste, não tenho marido;
18  porque cinco maridos já tiveste, e esse que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade.
19  Senhor, disse-lhe a mulher, vejo que tu és profeta.
20  Nossos pais adoravam neste monte; vós, entretanto, dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar.
21  Disse-lhe Jesus: Mulher, podes crer-me que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai.
22  Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus.
23  Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores.
24  Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade. João 4:1-24

Quando Jesus respondia questões que eram de tema de discussões teológicas de Seus dias, Ele muitas vezes evitava as perguntas, preferindo, em vez disso, reformular a conversa e dar a Seus ouvintes uma nova maneira de encarar o tema. Um desses exemplos é encontrado em João 4:19-24, em que a mulher samaritana levantou a discussão sobre o lugar em que Deus poderia ser verdadeiramente adorado. Jesus explicou que nossa forma de adorar, a atitude com a qual adoramos, são muito mais importantes do que o lugar. Ele lembrou à mulher que Deus é acessível a todos os que verdadeiramente O buscam. Mas Jesus também demonstrou que fazer as perguntas certas é mais importante do que responder às questões menores, que podem facilmente nos distrair.

Pense nisto: 
O que você acha que Jesus quis dizer quando falou sobre adorar “em espírito e em verdade”? Quais são algumas das perguntas pelas quais poderíamos ser distraídos?

IV. Adorando a Jesus como Deus

Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas: ouro, incenso e mirra. Mt 2:11 

Então, Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto. Mt 4:10

Enquanto estas coisas lhes dizia, eis que um chefe, aproximando-se, o adorou e disse: Minha filha faleceu agora mesmo; mas vem, impõe a mão sobre ela, e viverá. Mt 9:18 

Então, se chegou a ele a mulher de Zebedeu, com seus filhos, e, adorando-o, pediu-lhe um favor. Mt 20:20 

E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens. Mc 7:7 

Vendo isto, Simão Pedro prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo: Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador. Lc 5:8

37  E, quando se aproximava da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos passou, jubilosa, a louvar a Deus em alta voz, por todos os milagres que tinham visto,
38  dizendo: Bendito é o Rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas maiores alturas!
39  Ora, alguns dos fariseus lhe disseram em meio à multidão: Mestre, repreende os teus discípulos!
40  Mas ele lhes respondeu: Asseguro-vos que, se eles se calarem, as próprias pedras clamarão.  Lc 19:37-40

Então, eles, adorando-o, voltaram para Jerusalém, tomados de grande júbilo; Lc 24:52

Então, afirmou ele: Creio, Senhor; e o adorou. Jo 9:38

Durante todo o ministério de Jesus, várias pessoas experimentaram momentos em que perceberam que Jesus era realmente Deus, e sua resposta natural foi adorá-Lo. Embora Jesus geralmente não incentivasse isso publicamente, Ele também não desencorajou os que foram impelidos a Lhe responder dessa forma. Imagine como deve ter sido irresistível perceber que essa pessoa que eles haviam conhecido significava muito mais. Uma compreensão similar, de que estamos na presença de Deus, deve também nos levar a adorar esse mesmo Jesus.

Pense nisto: 
Como você explicaria as ocasiões em que Jesus pediu às pessoas que mantivessem silêncio sobre Ele, em contraste com as vezes em que Ele aceitou adoração e louvor?

Como podemos ter uma experiência com Jesus de forma semelhante à que aconteceu com os que tiveram o privilégio de andar e falar com Ele, direta e fisicamente?

Aplicação
Visto que Jesus é o centro de nossa adoração, compreender o que Ele disse sobre esse assunto e como Ele o praticou, é vital para desenvolver uma vida de adoração saudável, individualmente e como Igreja. É interessante que Jesus aparentemente não tenha dito muita coisa sobre a adoração diretamente, e tenhamos apenas relatos ocasionais de Seu envolvimento com o que poderíamos reconhecer como adoração. Mesmo assim, Ele levou uma vida de adoração e serviço a Deus, Seu Pai, e constantemente conduzia outros ao Senhor, o que é a essência da adoração.

Perguntas de aplicação

1. Considerando outros aspectos da Bíblia e a importância da adoração na vida da nossa igreja, podemos pensar que a adoração teve um papel relativamente pequeno na vida de Jesus? Explique sua resposta.
2. Como podemos comparar a adoração na vida e nos ensinos de Jesus com a adoração na vida da Igreja hoje?
3. Você acha que a adoração é mais eficaz ou atrativa quando é espontânea, ou quando é cuidadosamente planejada? Por quê? Quais são as vantagens da adoração espontânea? Quais são as vantagens da maneira mais planejada de adoração?
4. Como somos tentados a praticar formas de adoração que nos afastam de Deus? Como evitar isso?
5. Você acha que Jesus estava dizendo para a mulher junto ao poço que os lugares de culto não são importantes? De que maneira os lugares dedicados à adoração podem ser úteis ou inúteis?
6. Como podemos fazer com que os cultos e outras atividades da igreja sejam realizados “
em espírito e em verdade”?
7. Partilhe sua lembrança de um momento em que você reconheceu Jesus como Deus, Salvador, alguém que o ama e cuida de você. Como você reagiu na ocasião? Como você responde a essa percepção hoje?
8. O que significa ter Jesus como o centro de nossa adoração? Como podemos ter certeza de que essa é uma realidade?

Criatividade
Estas atividades são destinadas a motivar os alunos a adorar a Deus de forma diferente, como exaltá-Lo de forma escrita e buscar na sua região lembranças de Jesus e razões para louvá-Lo.

Sugestões de atividades individuais

Distribua papel e caneta e peça que os alunos componham canções de louvor a Deus, por Suas ações na vida deles e do mundo, no estilo do cântico de Maria, em Lucas 1. Isso pode ser escrito em poesia, prosa, ou música, usando as palavras introdutórias do cântico de Maria como ponto de partida e sugestão: “Minha alma engrandece ao Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, pois Ele...”

Se os alunos estiverem dispostos a partilhar suas “canções”, separe um tempo para ler algumas delas, como oração final pela classe.

Sugestões para atividades em grupo ou equipe

Planeje com a classe uma caminhada em uma área natural do bairro ou da região. Isso poderia ser feito durante o sábado à tarde ou em outro momento. Durante a atividade, mantenha uma atitude de oração e caminhe tranquilamente, tendo a consciência da presença de Deus e atenção aos ecos de Deus no mundo que nos rodeia. Procure sugestões à oração ou louvor, enquanto o grupo caminha, parando para indicá-las ou reconhecê-las. Lembre-se: muitas vezes Jesus usou imagens e histórias do mundo natural para ilustrar como é o reino de Deus. Depois de um tempo específico, termine os momentos de adoração com orações em grupo e, talvez, partilhem uma refeição juntos, ou converse com os colegas, no lugar em que caminharam.




Em espírito e em verdade (comentário ao estudo nº 11)





A adoração ao verdadeiro Deus, pelas características próprias que essa atitude manifesta, principalmente quando se define o lugar em que esse sentimento é expresso, pode ser dividida em dois períodos:  Vetero testamentário e Neotestamentário. No primeiro período indicado, o lugar de adoração era o Tabernáculo, mais tarde, o Templo de Jerusalém. No segundo período, a exclusão do Templo como lugar de adoração permite que o sentimento de reverência ao Ser divino seja expresso em espírito e em verdade.

A construção do Tabernáculo, na travessia do deserto e na posse da terra de Canaã, seguida pela grandeza arquitetônica do Templo de Jerusalém, teve o propósito divino de ser habitação de Deus.  Ali a presença do Ser supremo se manifestava para promover a purificação do povo, principalmente quando o sumo sacerdote atuava como intercessor. Como distinção da terra ocupada, era reconhecido pelo povo de Israel como lugar de santidade. Ali eram renovadas as benéficas promessas da aliança. Era o lugar em que se revelava o sacrifício do Redentor mediante a morte cruenta do cordeiro sem defeito. Em suma, era o lugar da revelação divina para conceder ao povo a salvação esperada.

No período Neotestamentário, Cristo cumpre as funções pelas quais o Templo havia sido erguido. Ele é a mais autêntica revelação de Deus. Seu nome, Emanuel, dá clara prerrogativa ao seu significado “
Deus conosco”. Sua voz, o toque das Suas mãos, as marcas das Suas pisadas deixam o selo da Sua santidade. Seus ensinamentos projetam à vida eterna, todas as promessas da aliança. Acima de tudo, Ele é o Redentor aguardado, consumado com o derramamento do Seu sangue na ignominiosa morte no Calvário. Seu papel histórico em favor da humanidade continua, como intercessor diante do Pai celestial. Assim, Cristo na Sua missão terrena, substitui o Templo; ou melhor, Ele é o próprio Santuário (Jo 2:19-21).

O Templo vetero testamentário cumpriu o papel que lhe fora designado. Não mais é necessário contemplar seu solo umidificado pelo escorrer do sangue do cordeiro, degolado para redimir o pecador. Não mais é preciso manter o símbolo da augusta presença divina para promover as grandes celebrações ritualísticas anuais. Toda essa função apenas tipificava a missão de Cristo na Terra. O Templo, agora inexistente, deixa de ser o lugar de adoração; começa um novo período em que os adoradores exprimem esse sentimento, em espírito e em verdade.

ADORAÇÃO E SERVIÇO

O vocábulo sagad, no hebraico bíblico, é o termo mais frequentemente traduzido como adorar.  Literalmente, essa palavra é um verbo que significa “curvar-se até o chão”. A semântica do termo indicado reflete uma atitude de humilde submissão e reverência diante da presença de Deus; sendo ampliado por outras expressões da pessoa humana, relativas à adoração, como: respeito, consternação, temor, honra, acatamento, dar glória, louvor, exaltação, obediência, tributo, etc.

A atitude de “adorar” não se restringe simplesmente a uma forma ou posição corporal que o adorador deve assumir. Segundo o contexto bíblico, a adoração pode ser expressa mediante duas atitudes pessoais: uma estática, e outra, dinâmica. A atitude estática da adoração é aquela na qual o adorador restringe seus movimentos corporais à expressão mínima, como nos momentos de oração, meditação, leitura da Palavra, momento de ouvir a mensagem, consagração, louvor, etc. A atitude dinâmica da adoração é representada pela gama de atividades de relacionamento do adorador com Deus e com seus semelhantes. Nessa conduta assumida pelo adorador, o relacionamento é de obediência e serviço.

A relação da atitude de adoração com o serviço efetivo é íntima, ao ponto de o adorador depositar sua vontade na dependência da vontade do Ser que recebe adoração. Essa relação  é demonstrada na narrativa bíblica, na forma interpretativa de adoração exigida pelo tentador à pessoa de Jesus. O jejum prolongado de Jesus deixou Seu corpo no extremo da fraqueza física, e qualquer tentativa de sublimar essa situação seria uma oportunidade de vida. O tentador, conhecedor da condição humana de Jesus à qual estava submetido, procurou com argumentação e objetividade, que Jesus ouvisse seu apelo e concordasse em cumprir seu insinuante desejo. Finalmente, ele mostrou a Jesus a vasta diversidade de grandes impérios, onde o poder e a riqueza afloram em níveis elevados e descritos em graus superlativos. Tudo seria da posse do justo Galileu, se tão somente ELe cumprisse a exigência do tentador, de receber adoração de Cristo ajoelhado diante dele (Lc 4:6, 7).

A resposta de Jesus, mesmo estando no limite da resistência da Sua natureza humana, foi imediata e fulminante: “
Ao Senhor, teu Deus adorarás e só a Ele darás culto” (Lc 4:8). No contexto do Antigo Testamento, render culto a uma entidade superior leva a conotação de serviço (Dt 11:16; Sl 97:7; Dn 3:12). Assim, a atitude de adorar adquire a ação reflexiva de servir a quem é tributada essa adoração. Quem serve a deuses estranhos, representados por figuras de materiais corruptíveis, torna-se servo deles, agindo de maneira também estranha, em rituais e comportamento social improcedente. A adoração ao verdadeiro Deus envolve uma atitude de serviço real, colocando a vontade do adorador na dependência da vontade divina.

Um exemplo claro da relação entre o sentimento de adoração e a atitude de serviço encontra-se na narrativa do evangelista Lucas, que transferiu para as páginas as palavras do Cântico de Maria, mãe de Jesus. A jovem mulher da Judeia recebeu a visita do anjo do Senhor, que fez a anunciação do nascimento do Redentor, e da escolha da pessoa através da qual esse evento seria realizado. Então, Maria adorou o Senhor, elaborando um cântico no qual expressa sua condição de “serva” (Lc 1:48), para cumprir a vontade de Deus. Dessa maneira, Maria, como adoradora de Deus, colocou sua vontade de servir em irrestrita harmonia com a vontade divina.

ADORANDO O QUE NÃO SE CONHECE

Uma das condições primordiais da adoração genuína é a de conhecer os atributos de quem merece adoração. As religiões do passado, que na atualidade são consideradas extintas e, por esse fato, devem ser consideradas falsas expressões de religiosidade, assumiam suas características com cerimônias e ritos diante de imagens elaboradas, sem que se conhecesse a natureza ou os atributos do ser que adoravam.

Estudiosos da origem das religiões afirmam que muitos desses agrupamentos foram constituídos por impulsos sentimentais do ser humano, diante do desconhecido. Essas religiões surgiam por expressões emotivas da natureza humana, como esforço um tanto racional para poder entender os fenômenos que afetavam sua vivência. Tais expressões emotivas permitem efetuar uma classificação das religiões e da sua origem. Assim, o fetichismo consiste em personificar os grandes objetos que provocam os fenômenos naturais (exemplo: o deus Sol, adorado em muitas religiões); o Manismo, que surgiu pela recordação e culto aos antepassados mortos; o Animismo, posição que sustenta a ideia da existência de espíritos dos objetos da natureza; o Totemismo, crença que destaca o parentesco de todas as famílias do clã ou tribo com um determinado animal de atributos pródigos, considerado o Tótem (exemplo: as religiões nacionais, que agrupam os indivíduos pelas afinidades com o símbolo religioso, como as atuais torcidas organizadas).

As teorias propostas para tratar a origem das religiões, principalmente do passado, podem também ser aplicadas ao surgimento de movimentos religiosos da atualidade. Em parte das suas crenças, esses evocam alguns dos princípios fundamentais ou expressões emotivas que, no passado, motivaram o surgimento das religiões. Assim, essas formas religiosas podem ser identificadas como grupos que estimulam uma religiosidade de adoração ao que não se conhece.

Nas páginas do evangelho de João, o discípulo amado, está registrado um evento que permite verificar como um grupo social pode estabelecer um comportamento religioso improcedente, adorando o que não se conhece. É o encontro de Jesus com a mulher samaritana, na região da Galileia, no entorno do poço de Jacó.

Os samaritanos foram denominados assim, com sentido pejorativo, porque eram um grupo social heterogêneo constituído por remanescentes das tribos que formavam o reino de Israel ou do Norte, que se uniram em matrimônio com pessoas de diversas nacionalidades. Essa miscigenação começou durante o exílio, após a destruição da cidade de Samaria em 722 a.C. pelas forças do exército assírio comandadas, inicialmente, por Salmanasar V, e concluída por Sargão II. Os sobreviventes foram levados ao cativeiro onde puderam formar famílias com pessoas do paganismo. A mistura étnica era de tão grande que, nas veias das novas gerações, parecia correr mais o sangue do paganismo do que o israelita. A volta do exílio permitiu que muitos estrangeiros fizessem parte do novo grupamento, adotando a religião judaica alienada com o ritualismo idolátrico das suas origens.

Os judeus de Jerusalém não os reconheceram como descendentes de Israel. Eles os desprezaram e não permitiram que colaborassem com a construção do Templo. Então, os samaritanos decidiram construir para si um Templo, no monte Gerizim. O local escolhido tinha precedentes de sacralidade: fazia parte da região de Hamor, adquirida por Jacó. Foi o lugar em que Josué leu para o povo a Lei de Moises. Flávio Josefo, historiador judeu, afirma que os samaritanos, além de construir o Templo, estabeleceram uma casta sacerdotal, que propiciou o início de um cerimonial festivo e inovador.

A controvérsia sobre a validade da adoração no Templo de Jerusalém ou no edificado no monte Gerizim é colocada em destaque pelas palavras da mulher samaritana, quando se referiu aos juízos enunciados pelos ancestrais dos samaritanos e dos judeus (Jo 4:20). Jesus, então, procurou elucidar a controvérsia que persistia sobre o lugar de adoração, afirmando que os samaritanos adoravam o que não conheciam; mas, os judeus adoravam o que conheciam, porque é desse povo que procede a salvação (Jo 4:22). Jesus fazia referência à revelação divina sobre o povo judeu; enquanto a religiosidade e o ritualismo dos samaritanos eram fruto de bem intencionadas prerrogativas humanas; mais nada que isso.

O problema sobre o lugar de adoração teria permanecido insolúvel, não fosse o esclarecimento de Jesus, a esse respeito. O Templo de Jerusalém cumpriu sua função como lugar de adoração, pelos atributos que ostentava e por enunciar a vinda e sacrifício do Redentor, na figura do cordeiro imolado. A partir do momento em que o Redentor veio para os Seus, e aguardava o momento culminante do Seu sacrifício expiatório, Jesus anunciou que era chegada a hora em que a verdadeira adoração não mais seria efetuada no lugar restrito pelo cerimonialismo judeu; mas os verdadeiros adoradores “
adorarão o Pai em espírito e em verdade” (Jo 4:21, 23).

OS VERDADEIROS ADORADORES

Não havendo o Templo para expressar adoração a Deus, esse ato, que renova a comunhão do humano com o divino, deve ser efetuado em “
espírito e em verdade”. Não se deve considerar que os templos atuais não sejam lugares de adoração. Não são, na medida da função cerimonial e sacerdotal que caracterizava o Templo do período vetero testamentário. Mas os templos atuais exercem outras funções e, como tais, são lugares sagrados de adoração.

A expressão “em espírito e em verdade” merece uma análise e interpretação em forma ampla, o que é feito por diversos comentaristas bíblicos. Nesta oportunidade, daremos a interpretação com base na relação entre adoração e serviço, segundo o critério hermenêutico esboçado em parágrafos anteriores. Ao assim proceder, cabe mencionar a relação explícita entre os vocábulos ativos: servir e obedecer. Só é possível servir a quem se obedece. O serviço efetuado para o bem reflete obediência devida a Deus; contrariamente, o serviço que gera resultados negativos supõe submissão e obediência ao maligno. A advertência de Jesus a esse respeito é uma orientação segura para uma vida de comunhão: “
Ao Senhor teu Deus adorarás e só a Ele servirás (obedecerás)” (Lc 4:8).

O termo grego utilizado pelo apóstolo João, e traduzido por espírito, é pneuma. Os significados desse vocábulo são diversos, como: ar, vento, força, disposição, atitude, etc. Numa apreciação genérica do termo, observa-se que seu significado mais expressivo é: energia dinâmica que atua na pessoa. Com o auxílio desses recursos linguísticos, será possível concretizar um conceito mais elaborado sobre o termo verbal adorar. O enunciado seria: adorar é servir para o bem, obedecendo a Deus, com paixão e dinamismo.

O bem servir, segundo expressão da vontade divina, é para beneficiar a si mesmo e aos semelhantes. Na realidade, é uma atitude que se iguala ao mandamento comportamental enunciado por Jesus: “
Amarás ao teu próximo, como a ti mesmo” (Jo 22:39). Só existe uma forma de bem servir recomendada pelo escritor bíblico, e cuja premissa fundamental concede caráter de viabilidade e disponibilidade para os verdadeiros adoradores. Essa única maneira de executar serviço eficiente e de benefício para todos é desenvolver os “dons espirituais” e cultivar os “frutos do Espírito”. Citamos algumas dessas virtudes que fazem parte da nobre galeria de qualidades morais concedidas pelo Espírito Santo: entre os dons espirituais: sabedoria, conhecimento, fé, dons de curar, operação de milagres, etc. (1Co 12:8-12); e entre os frutos do Espírito: amor, alegria, paz, longanimidade, bondade, mansidão, etc. (5:22-24). Adorar em espírito é servir imbuído integralmente com os dons e frutos do Espírito.

Adorar em verdade. 

Não é possível desprender da identidade de Jesus o conceito de verdade. Ele mesmo afirmou: “Eu sou... a verdade...” (Jo 14:6). Jesus teria feito a mesma afirmação quando foi inquirido por Pilatos: “O que é a verdade?”; mas o governador da Judeia não aguardou a resposta orientadora que teria causado grande comoção à sua natureza humana, enfraquecida pela corroída ambição política.

Um dos conceitos sobre verdade que têm harmonia com a declaração de Jesus foi exposto pelo filósofo grego, Aristóteles. Para esse pensador, verdade é o que se relaciona com a realidade; não com aquela realidade transitória ou efêmera, mas, com a que perdura ou que é eterna. Assim, utilizando o enunciado aristotélico, podemos entender a afirmação bíblica e saber que a única realidade eterna é Deus, portanto, a única verdade. Todos os outros objetos, criados e transformados apenas se aproximam da verdade. Continuando com a exposição do sábio ateniense, é necessário incluir o seguinte raciocínio: todo objeto verdadeiro precisa de um enunciado verdadeiro. Isso significa que um objeto, por mais real que seja, se não tiver um conceito ou descrição, será incognoscível. Ainda mais, é necessário destacar a relação íntima entre o objeto real e seu enunciado; assim: o objeto real é verdadeiro se seu enunciado for verdadeiro, e a expressão inversa é também válida: o enunciado é verdadeiro se o objeto real for verdadeiro.

As premissas expostas por Aristóteles assumem uma sequência lógica e são de valioso auxílio para entender a afirmação bíblica que relaciona Deus com a verdade. Deus é a única realidade eterna; por isso, Sua qualidade de verdade é apreciada. Além disso, o enunciado de Deus são Seus atributos que também são eternos, através dos quais Ele se faz conhecido. Os atributos de Deus se expressam em Seu poder criador, na implantação das leis naturais e sobretudo no estabelecimento da lei moral, sem deixar de apontar Seu desígnio que esboça o destino futuro do Universo. O estudo desses atributos em forma sistemática dá origem à contextualização das doutrinas. Por isso, é factível asseverar: Deus é verdadeiro porque Suas doutrinas são verdadeiras; ou inversamente, as doutrinas de Deus são verdadeiras poque Ele é verdadeiro. Adorar em verdade é observar em obediência os preceitos das Suas doutrinas.

Em suma, adorar em espírito e em verdade é servir a Deus mediante o uso dos dons e frutos do Espírito e cumprir as proposições das Suas doutrinas.

Autor deste comentário Pr. Dr. Ruben Aguilar