terça-feira, 19 de abril de 2011

A túnica de várias cores (resumo do estudo nº 04)





Ora, Israel amava mais a José que a todos os seus filhos, porque era filho da sua velhice; e fez-lhe uma túnica talar de mangas compridas. Gênesis 37:3

Saber: Descrever a parte que teve a “túnica de várias cores” (Gn 37:3, RC) de José no coração desta história de amor de um pai por um filho, e da raiva e inveja que os outros irmãos demonstraram.
Sentir: Empatia com as emoções conflitantes que se demonstraram na longa história das relações da família de Jacó.
Fazer: Submeter ao controle e mediação de Deus os desafios que surgem em nossos relacionamentos familiares.

Esboço

I. Túnica de amor e ódio
A. Quais foram as várias circunstâncias que provocaram tantos conflitos na família de Jacó?
B. Que parte desempenhou a túnica de várias cores de José em uma grande crise?
C. Como Deus fez sair o bem dessa família em conflito? Que papel desempenharam os doze filhos de Jacó na história de Israel, e que parte eles terão na Nova Jerusalém?

II. Lembranças dolorosas curadas
A. Como as emoções muito fortes de raiva, ciúme, medo, tristeza e dor foram resolvidas na história da família Jacó?
B. Qual foi o papel do perdão nessa cura?

III. Laços de família
A. Por que algumas das relações mais difíceis ocorrem entre membros da família?
B. Que desafios enfrentamos em nossa própria família, e que passos precisamos dar para alcançar a cura?

Resumo: 
Entre os muitos desafios que Jacó enfrentou em suas relações familiares, seu pesar pela perda do filho foi um dos mais dolorosos. No entanto, Deus usou essa situação para salvar muitos durante uma fome generalizada e trouxe também cura para a família de Jacó.

Motivação
Como seres livres, podemos optar por ignorar Deus e colocá-Lo na periferia. Mas isso pode trazer consequências desastrosas, a maioria das quais resulta do curso da natureza e destino humanos. Assim, devemos fazer da sabedoria de Deus a principal influência em nossas decisões.

Enfatize a importância de adotar os valores de Deus ao fazermos nosso caminho através de um mundo que tende a nos corromper e encorajar a abandonar as qualidades morais, éticas e espirituais.

A Ordem de Estanislau era uma honraria concedida pela coroa polonesa, datando de 1765 até 1832, quando a Polônia perdeu a independência nominal na desastrosa Revolta de Novembro. Desde então, os czares da Rússia assumiram a concessão da Ordem de Estanislau. Calculadamente, eles a concediam principalmente aos funcionários poloneses que eram mais diligentes nos esforços para reprimir a independência política e cultural da Polônia. E foi assim que essa medalha, anteriormente uma das mais elevadas honrarias concedidas pela coroa da Polônia, tendo o nome de um herói nacional polonês, se tornou uma desgraça aos olhos dos poloneses.

Conta-se a história do prefeito de uma pequena cidade polonesa que teve a “sorte” de receber essa medalha por seu serviço à ocupação russa. Em circunstâncias ideais, uma medalha como essa teria sido usada em ocasiões especiais ou para impressionar os outros. Mas, ao invés disso, o prefeito a escondeu prontamente, sabendo que só faria dele objeto do ódio de seu próprio povo e, possivelmente, alvo de nacionalistas poloneses. Mas ele encontrou um uso para ela que continuou por várias gerações de sua família. Quando uma criança se destacava pelo mau comportamento, ela era confinada em casa e obrigada a carregar a pesada e desajeitada Ordem de Estanislau até o anoitecer.

Muitas das honras e confortos mundanos que consideramos tão valiosos têm uma desvantagem terrível. Nós as obtemos pelas razões erradas ou para fazer as coisas erradas. Elas incitam ódio ou inveja nos outros. Ou podem nos mudar de forma indesejável. Como a ordem de Estanislau, ou a túnica de José de várias cores, que estudaremos nesta semana, podem vir a significar o contrário do que achamos que significam. A história de José, realmente, só começou quando ele perdeu a túnica e foi forçado a fazer de Deus o centro de sua vida.

Comente:
Alguma vez você já experimentou uma situação em que algo que, à primeira vista, parecia ser uma bênção, se tornou agente de dificuldades ou adversidades espirituais ou temporais? O que você aprendeu?

Enfatize a importância de considerar o efeito de nossas ações sobre os outros e sobre nós mesmos e a necessidade de permitir que Deus guie nossas decisões.

Comentário Bíblico


I. “Túnica de várias cores”

Ora, Israel amava mais a José que a todos os seus filhos, porque era filho da sua velhice; e fez-lhe uma túnica talar de mangas compridas. Gn 37:3.)

A natureza da túnica de várias cores referida nesta passagem é incerta. O original hebraico se refere a ela como passim ketonet, ou, literalmente, uma longa túnica de mangas, ou, possivelmente, um casaco de mangas compridas com listras. A suposição de muitas cores parece vir a partir da Septuaginta, a tradução oficial grega do Antigo Testamento, dos últimos séculos a.C. Mais tarde, essa roupa se tornou prerrogativa da realeza ou de outros personagens ilustres. Por exemplo, em 2Samuel 13:18, 19, o autor observa que Tamar e outros na corte de Davi usavam túnicas ou casacos. Talvez os tradutores da Septuaginta quisessem enfatizar que essa peça era excepcional e central da narrativa.

18  Trazia ela uma túnica talar de mangas compridas, porque assim se vestiam as donzelas filhas do rei. Mesmo assim o servo a deitou fora e fechou a porta após ela.
19  Então, Tamar tomou cinza sobre a cabeça, rasgou a túnica talar de mangas compridas que trazia, pôs as mãos sobre a cabeça e se foi andando e clamando. 2Samuel 13:18, 19

Na verdade, essa peça era especial: Qualquer pessoa que tivesse a sorte de ter uma, sem dúvida, pensaria em conservá-la contra perda ou dano. Aparentemente, Jacó e família tiravam o sustento do pastoreio de animais, ovinos e caprinos. Uma túnica longa com mangas não era ideal para um dia nos pastos, que mais provavelmente eram capoeiras em vez dos campos verdes em que as pessoas de zonas mais temperadas pensem quando essa palavra é mencionada. Assim, quando Jacó deu o manto a José, ele estava dizendo essencialmente que José não teria que trabalhar como os outros ou lhe atribuiu um papel de supervisão.

Em uma sociedade em que o status era tudo, e no qual a divisão de autoridade e de trabalho se baseava estritamente na idade, entre outras coisas, o favoritismo demonstrado por Jacó para José deveria ser, para seus irmãos mais velhos, não só cansativo, mas quase incompreensível. Jacó enviava José para dar recados que o colocavam claramente no papel do que hoje chamaríamos de gestão intermediária. Pelo fato de que José vestia a túnica no momento de sua “morte”, podemos supor que ele a usava em todos os lugares, e que isso representava – para ressentimento de seus irmãos, a marca de sua autoridade.

Pense nisto: Nesta situação, pode-se verdadeiramente dizer que foram cometidos erros por todos. Os de José eram relativamente inocentes e irracionais, enquanto os de seus irmãos eram mais que enganos, eram crimes; no entanto, algumas de suas queixas podem ter sido legítimas. Como você reage quando sente que tem sido tratado injustamente ou quando alguém age no que percebe como prejuízo seu?

II. O fundo do poço

26
  Então, disse Judá a seus irmãos: De que nos aproveita matar o nosso irmão e esconder-lhe o sangue?
27  Vinde, vendamo-lo aos ismaelitas; não ponhamos sobre ele a mão, pois é nosso irmão e nossa carne. Seus irmãos concordaram.
28  E, passando os mercadores midianitas, os irmãos de José o alçaram, e o tiraram da cisterna, e o venderam por vinte siclos de prata aos ismaelitas; estes levaram José ao Egito.
29  Tendo Rúben voltado à cisterna, eis que José não estava nela; então, rasgou as suas vestes.
30  E, voltando a seus irmãos, disse: Não está lá o menino; e, eu, para onde irei?
31 Então, tomaram a túnica de José, mataram um bode e a molharam no sangue.
32  E enviaram a túnica talar de mangas compridas, fizeram-na levar a seu pai e lhe disseram: Achamos isto; vê se é ou não a túnica de teu filho.
33  Ele a reconheceu e disse: É a túnica de meu filho; um animal selvagem o terá comido, certamente José foi despedaçado.
34  Então, Jacó rasgou as suas vestes, e se cingiu de pano de saco, e lamentou o filho por muitos dias.
35  Levantaram-se todos os seus filhos e todas as suas filhas, para o consolarem; ele, porém, recusou ser consolado e disse: Chorando, descerei a meu filho até à sepultura. E de fato o chorou seu pai.
36  Entrementes, os midianitas venderam José no Egito a Potifar, oficial de Faraó, comandante da guarda.  Gênesis 37:26-36

Fundo do poço. Trata-se do lugar lendário a que os alcoólatras ou viciados têm que chegar antes de saber que precisam de ajuda, quando não existe mais nenhum lugar para onde ir, a não ser para cima. Qualquer que seja a expressão que se escolha, José chegou lá, e foi, de fato, uma queda vertiginosa. Pior ainda, ele provavelmente não soubesse por que estava lá ou o que havia feito para merecê-lo, embora o leitor moderno possa identificar algumas coisas.

Existem muitos tipos diferentes de poços. Uma cova literal, como aquela em que José se achava, embora não deva ser desejada para si mesmo nem para qualquer outra pessoa, tem suas vantagens. Pelo menos, se sabe onde está e, mesmo sendo tirado de lá para ser vendido como escravo, provavelmente é preferível a ser deixado para enfrentar fome e frio. Como disse Samuel Johnson do patíbulo, estar em uma cova, sem dúvida, concentra a mente de maneira maravilhosa. No caso de José, pode até ter sido seu rito de passagem para a maturidade espiritual e psicológica.

Mas seus irmãos também se haviam jogado em um poço, ou, mais apropriadamente, cavado um para si. E não era o tipo de poço de que se pode escapar com o comprimento de uma corda. Eles começaram a cavar quando permitiram que pensamentos de ódio, vingança e assassinato residissem em sua mente. À medida que eles racionalizavam esses pensamentos e brincavam com eles, em vez de afastá-los, eles cavavam ainda mais. Quando os puseram em ação, precisaram de um disfarce para desviar a responsabilidade, causando muita dor a Jacó. A essa altura, eles já haviam ido demasiadamente fundo nessa cova que tinham cavado para si mesmos para sair sem grandes dificuldades e adversidades. Como mostram os eventos do capítulo seguinte, eles se haviam alienado completamente de Deus e de qualquer senso de ética ou moral. Só mais tarde eles se conscientizaram de que precisavam de resgate, e que teria que vir daquele que eles haviam jogado em um poço literal.

Pense nisto: 
À semelhança dos irmãos de José, todos nós cavamos para nós uma “cova”. Tentamos negar que estamos em “um buraco”. Tentamos racionalizar as ações que nos levaram a esse lugar. Quanto mais profundo nos encontramos, mais profundo queremos ir, até bater “no fundo do poço”. Por que nossa única saída surge quando descobrimos que o único que pode – e irá – nos tirar de lá é aquele contra quem pecamos, o próprio Deus?

Aplicação
Reconheça a necessidade de aceitar a orientação de Deus em sua vida, tanto por razões eternas como temporais e evitar o comportamento que os ponha fora da vontade de Deus.

Perguntas para consideração
1. Basicamente, existem duas escolas de pensamento sobre as consequências do pecado humano. Uma delas é que Deus nos castiga ativamente pelos nossos pecados, como forma de punir ou redimir, como meio de levar o pecador a Ele. A outra é que Deus só nos permite colher as consequências de nossas ações, retirando Sua proteção. Em qual delas você acredita? Como você sustenta seu ponto de vista?
2. Como você se sente sobre José, da forma como é apresentado na parte inicial da história? Embora seja o herói, quais são alguns dos traços negativos que ele apresenta? Como ele mudou e cresceu como resultado de suas experiências?

Perguntas de aplicação
1. Alguma vez você já permitiu que seus sentimentos negativos em relação a outras pessoas saíssem do controle? Se assim foi, que aconteceu como resultado? O que você aprendeu com a experiência? Como podemos evitar que esses pensamentos e sentimentos se enraízem em nossa mente?

5  Assim, também a língua, pequeno órgão, se gaba de grandes coisas. Vede como uma fagulha põe em brasas tão grande selva!
6  Ora, a língua é fogo; é mundo de iniqüidade; a língua está situada entre os membros de nosso corpo, e contamina o corpo inteiro, e não só põe em chamas toda a carreira da existência humana, como também é posta ela mesma em chamas pelo inferno.
7  Pois toda espécie de feras, de aves, de répteis e de seres marinhos se doma e tem sido domada pelo gênero humano;
8  a língua, porém, nenhum dos homens é capaz de domar; é mal incontido, carregado de veneno mortífero. Tiago 3:5-8.

2 Os atos dos irmãos de José começaram como conversa fiada. Às vezes, falar é ruim em si mesmo quando se torna em um boato destrutivo, insinuações e insultos. Outras vezes, como nesta história, dá origem a atos. Como podemos domar a língua?

Criatividade
Na história de José, vemos os efeitos das decisões e ações sobre as coisas e pessoas que, à primeira vista, parecem ser muito distantes delas. As seguintes atividades ajudarão a ilustrar como até mesmo pequenas decisões que, conforme achamos, afetam apenas a nós mesmos ou, possivelmente, os que estão imediatamente à nossa volta, podem ter resultados amplos e duradouros, para o bem ou para o mal.

Ilustração: 
Leve um rádio para a classe. Demonstre como o rádio recebe sinais invisíveis de longe. Esses sinais não foram emitidos com o pensamento de influenciar esse rádio em particular nem as pessoas em particular que o estão ouvindo, mas isso acontece. Da mesma forma, nossas ações podem influenciar pessoas distantes no espaço ou no tempo, pessoas que ainda nem sabemos que existem. Isso é algo que deve ser definitivamente considerado quando fazemos coisas que julgamos insignificantes.

Como alternativa, conte uma história sobre algo que você fez e teve um efeito sobre alguém, ou algo de que você não estava ciente na época. Pode ser positivo ou negativo, dependendo do grau de abertura que você quiser dar. Encoraje os outros a partilhar também as suas histórias.





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