domingo, 25 de setembro de 2011

Paulo apóstolo dos gentios (resumo do estudo nº 01)




E, ouvindo eles estas coisas, apaziguaram-se e glorificaram a Deus, dizendo: Logo, também aos gentios foi por Deus concedido o arrependimento para vida. Atos 11:18

Saber: Quais foram os eventos desafiadores que levaram à pregação do evangelho aos gentios.
Sentir: As tensões em torno da transformação de Paulo, de zeloso fariseu a dedicado pregador do evangelho aos gentios.
Fazer: Oferecer a Deus os talentos e ministério de vida a fim de ser habilitado para o serviço.

Esboço

I. Ir a todo o mundo

A. Que circunstâncias envolveram o desenvolvimento do ministério da recém-formada igreja para os gentios?
B. Por que pregar o evangelho aos gentios foi uma prática tão revolucionária para os cristãos da igreja primitiva, e como eles reagiram a esse desafio?

II. Desafios e tensões

A. Que efeito as perseguições de Saulo tiveram sobre a igreja primitiva?
B. De que maneiras os líderes da igreja primitiva reagiram ao chamado que transformou Paulo em pregador do evangelho?
C. Como aquela igreja iniciante resolveu as tensões suscitadas pela expansão da pregação do evangelho aos gentios?

III. Aptos para o serviço

A. Que transformações precisam ocorrer a fim de nos preparar para o ministério?
B. Como podemos nos adaptar às variadas formas da pregação do evangelho, como fez a igreja primitiva?
C. Que desafios diferentes enfrentamos, sendo uma igreja mais experiente, e que transformações necessitamos?

Resumo: 
No começo, a nova igreja enfrentou a oposição determinada do fanático Saulo de Tarso, mas sua transformação em resposta ao chamado de Deus resultou no desenvolvimento de um forte ministério aos gentios.

Motivação
Assim como Saulo de Tarso, podemos ter certeza absoluta do que acreditamos, e sobre isso estar absolutamente errados. Estar aberto à direção de Deus significa estar aberto a surpresas, mesmo quando elas não são fáceis nem agradáveis.

Enfatize o fato de que tanto Saulo/Paulo quanto a igreja cristã primitiva necessitavam permitir que Deus abrisse sua mente. Paulo precisava perceber que aquilo que em sua concepção não poderia ser verdade era, de fato, a verdade. Os primeiros cristãos judeus, por sua vez, tinham que ser despertados para o fato de que o evangelho era para todos, mesmo os gentios.

Você quer se tornar realmente mau? Não mau como um “incompreendido”, não mau como o tipo de pessoa “diamante bruto”, com o notório coração de ouro, mas mau como alguns dos homens mais perversos do mundo? Você deve começar convencendo a si mesmo de que você é bom. Tão bom que você se considera melhor do que qualquer pessoa. Ou que você não pode fazer nada de errado. Não apenas isso, mas porque você tem Deus ao seu lado, quem se opõe a você se opõe a Deus. O filósofo e matemático francês Blaise Pascal escreveu: “Os homens nunca fazem o mal tão completa e alegremente como quando o fazem a partir de uma convicção religiosa”. Poderia ser você. Poderia ser qualquer um de nós se, em devoção equivocada, nos colocássemos no lugar de Deus e parássemos de ouvir o verdadeiro Deus.

Nesta semana, estudaremos alguém que estava seguindo esse caminho: Saulo de Tarso. Ele prosseguia em seu caminho para se tornar, como ele disse mais tarde, o principal dos pecadores (1Tm 1:15 -
Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal). Mas Deus tinha outros planos para ele.

Comente: 
É importante ter certeza, de maneira sensata, a respeito do que acreditamos e por que acreditamos. Como podemos equilibrar essa exigência com a necessidade de humildade para perceber que nossas ideias e percepções são falíveis e podem precisar de mudança, à medida que aprofundamos nosso relacionamento com Deus e nosso entendimento de Sua Palavra?

Compreensão
Nos evangelhos, conhecemos Jesus Cristo. Ficamos familiarizados com Sua personalidade, Sua natureza, Sua missão e Sua relação com as coisas que haviam ocorrido antes, as quais Ele veio cumprir. Em Atos vemos como os primeiros discípulos avançaram na luz da missão e da mensagem de Jesus. Vemos antigas formas desafiadas, transformadas e vidas renovadas. Em nenhum lugar esse processo é mais claro do que na vida e carreira de Saulo/Paulo. Enfatize como esse processo de provação e transformação se repete em nossa vida pessoal.


Comentário Bíblico


I. Espectador culpado

E, lançando-o fora da cidade, o apedrejaram. As testemunhas deixaram suas vestes aos pés de um jovem chamado Saulo. At 7:58; 

1  E Saulo consentia na sua morte. Naquele dia, levantou-se grande perseguição contra a igreja em Jerusalém; e todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e Samaria.
2  Alguns homens piedosos sepultaram Estêvão e fizeram grande pranto sobre ele.
3  Saulo, porém, assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, encerrava-os no cárcere.
4 Entrementes, os que foram dispersos iam por toda parte pregando a palavra.
5  Filipe, descendo à cidade de Samaria, anunciava-lhes a Cristo. At 8:1-5

Em inglês há uma expressão: “I’ll hold your coat for you” [Eu seguro seu casaco]. Como muitas outras expressões na língua inglesa, essa poderia ter vindo da Bíblia; nesse caso, de Atos 7:58. Ela pode ser usada em uma das duas seguintes maneiras: Uma pessoa pode aprovar um ato de violência ou agressão, mas não estar muito disposta a praticá-lo por si mesmo; ou pode ser um comentário mordaz de uma pessoa que apoia o derramamento de sangue, mas nunca assume realmente os riscos pessoais.

Como cristãos e estudantes da Bíblia, vemos Saulo de Tarso como um grande perseguidor. Mas pouco sabemos sobre ele ou suas atividades antes dos eventos contados nesses versos. Ele tinha opiniões fortes sobre os cristãos primitivos, antes de assistir à pregação de Estêvão? Obviamente, a pregação de Estêvão foi suficiente para motivá-lo a algum tipo de ação, mas por quê? Foi ele atraído pela mensagem, ao mesmo tempo em que tinha aversão a ela? Ele sabia que ela era verdadeira, mesmo quando tentava forçar a si mesmo e aos outros a acreditar que não era?

Considere as ações de Saulo. Ele não foi um participante ativo na morte de Estevão, a julgar pela passagem. De toda maneira, o autor possivelmente não se preocupasse em mencionar isso, mas apenas em apresentar Saulo como um personagem que depois se tornaria importante para a narrativa de Atos. Se tudo que Paulo houvesse feito tivesse sido agir como um inocente espectador, teria sido difícil culpá-lo – muito menos lançar sobre ele a responsabilidade – de algum crime, com base nas informações dadas no texto. Talvez ele tivesse incitado os assassinos de Estêvão, mas isso não está registrado. Ao contrário da expressão mencionada antes, ele nem sequer segurou as vestes. Ele viu seus companheiros apedrejar Estêvão. Dois versos depois, é dito que ele aprovava a morte de Estêvão. Mas podemos supor que isso provavelmente não tivesse sido ideia dele.

Isso significaria que Paulo não era culpado da morte de Estêvão? Ele mesmo sentia que havia sido, e carregou a culpa pelo resto da vida. Temos boas razões para acreditar que o relato dos eventos de Atos foram contados a Lucas (geralmente considerado o autor de Atos, bem como do evangelho que leva seu nome) pelo próprio Paulo, e que Paulo tivesse insistido bastante para que Lucas mencionasse seu papel e seu consentimento. E vários versos mais à frente, em Atos 8:1-5, foi demonstrado que ele era o perseguidor sanguinário que todos conhecemos.

Por que Paulo não teve um papel mais ativo no apedrejamento de Estêvão? Ele era um manipulador nos bastidores, ou estava esperando para ver o que fariam as autoridades que ele venerava e cujo exemplo seguia? Em qualquer caso, sua decisão de facilitar esse ato de violência coletiva, disfarçada de justiça teocrática, o tornou culpado como se ele mesmo tivesse recolhido e jogado todas as pedras, embora aparentemente ele não tivesse praticado nenhuma ação. Somente a graça de Deus poderia desviá-lo do caminho que ele livremente havia escolhido para si.

Pense nisto: 
Você já tomou uma decisão errada, que teve repercussões muito além das circunstâncias imediatas, ao deixar de agir, ou agindo passivamente para facilitar uma injustiça ou irregularidade? Como você acertou a situação?

II. A conversão de Saulo

(Recapitule com a classe At 9:1-18; 22:6-21; 26:12-19; 1Co 9:1; 15:3;. Gl 1:11, 12, 15, 16.)

Mencionar o evento relatado nas passagens acima como uma conversão é correto, mas não é realmente adequado. As palavras bíblicas que geralmente traduzimos como “conversão” (sub em hebraico e epistrophe, em grego) se referem a uma virada ou um retorno a Deus ou ao caminho que conduz a Ele. Por isso, é um ato da vontade, auxiliado por Deus ou Seu Espírito.

Saulo, por outro lado, não se converteu por si mesmo; mais do que isso, ele foi convertido. Até o momento em que o Cristo vivo apareceu e o incapacitou, não vemos nenhum sinal de mudança de coração em Saulo. As passagens nos capítulos 8 e 9 não dizem nada sobre seu estado interno. Vemos bastante sobre seu estado externo, vividamente descrito em termos que lembram um animal feroz e predador (At 8:3). O Espírito Santo estava trabalhando nele? Sem dúvida, mas para ver isso seria preciso fé maior do que a maioria tinha naquele tempo e do que muitos têm hoje.

A experiência de Saulo foi uma conversão que resultou em uma mudança dramática de sua trajetória anterior. E por mais irresistível que a experiência e o chamado tenham sido, e por mais absurda que seja esta ideia ao leitor, Saulo poderia ter rejeitado o chamado – pelo menos em teoria. Mas o que aconteceu ali? Em primeiro lugar, Saulo foi privado de suas faculdades, incluindo a visão. Deus tirou as coisas das quais Saulo dependia. Tudo o que ele podia fazer era sentar e ouvir. E quando Deus finalmente obteve toda a atenção dele, então, deu a Saulo uma revelação, que ele descreveu mais tarde, em diversos lugares, como uma visão do Cristo ressuscitado. Por mais incrédulos que os outros pudessem ter sido, Paulo não hesitou em comparar essa experiência com a dos apóstolos, que haviam andado e falado pessoalmente com Jesus Cristo, durante Seu ministério terrestre.

Jesus Cristo deu a Saulo o melhor que Ele tinha, o homem que menos merecia isso. Para alguns, essa generosidade pode ter sido desconcertante ou até mesmo revoltante. Mas se alguém tem consciência de que é um pecador necessitado da graça, a conversão de Saulo demonstra o quanto a graça é ilimitada e poderosa.

Pense nisto:
Embora afirmemos crer na graça de Deus, algumas vezes podemos ser tentados a imaginá-Lo distribuindo-a em colheradas pesadas rigorosamente. Por que somos tentados a pensar dessa forma? Chegamos até mesmo a desejar que as coisas fossem assim?

Aplicação
Use as seguintes perguntas para ajudar seus alunos a ver o que a conversão de Saulo de Tarso nos ensina sobre a graça de Deus e como devemos reagir a ela.

Perguntas para reflexão 

Na realidade, pouca coisa é dita sobre o início da vida de Saulo e as influências que o moldaram. Em sua opinião, que motivos ele teve para perseguir os cristãos?

Em Atos 9:5, a misteriosa voz se refere a Saulo dando murros contra os aguilhões. Como exatamente Deus estava “ferindo Saulo com o aguilhão”, mesmo quando ele parecia agir de forma muito contrária à vontade de Deus?

Perguntas de aplicação

1. Todos nós conhecemos, ou ouvimos falar sobre pessoas com histórias espetaculares de conversão, e talvez a nossa seja um pouco mais comum. De que forma você percebeu a graça de Deus manifestada na sua história, talvez no próprio fato de que você não teve que experimentar todas essas coisas?

2. Como você reage quando uma pessoa de quem você desconfia, ou tem motivos para temer ou rejeitar, parece ter mudado para melhor?

Criatividade
A história de Saulo é, acima de tudo, uma história de graça. Deus lhe mostrou a graça quando ele não a estava buscando nem sentia necessidade dela. E aqueles a quem Saulo perseguiu, ou poderia ter perseguido, aprenderam como uma pessoa pode ser verdadeiramente transformada por essa graça e como podem manifestar a graça em sua vida. A seguinte atividade é destinada a incentivar os alunos a tornar a graça uma parte da sua vida e pensamentos diários.

Atividade: 
Todos enfrentamos situações ou pessoas difíceis. Como reagimos? Será que temos um ataque de fúria? Dizemos certas palavras e frases quando pensamos que ninguém pode ouvi-las? Será que nutrimos silenciosamente nossos ressentimentos?

Na próxima semana, medite sobre a graça ao se deparar com uma situação ou relacionamento desafiadores. Considere isso como oportunidades para aprender ou uma oportunidade para praticar a demonstração da graça. Quando os pensamentos habituais entrarem em sua mente e, talvez, saírem de sua boca, conscientemente pense – e diga – algo diferente. Proteja seus pensamentos com um verso bíblico apropriado. Traga um relatório na próxima semana. Como a experiência com a graça mudou sua maneira de agir e sentir em tais situações?




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