domingo, 25 de outubro de 2009

Murmurações e apostasia de Israel no deserto







Está na moda reclamar. Reclamamos de produtos com defeito, mau atendimento, serviços decepcionantes, atrasos de entregas, e com razão. Essa é uma atitude esperada quando se quebra uma relação contratual, comercial ou mesmo afetiva. Uma parte se queixa da outra, por não ter cumprido o combinado, ou por não tê-lo feito completamente.


No estudo desta semana, que trata de Números 11–14, notamos que o povo de Israel murmurou (reclamou) intensamente contra Deus no deserto. Todavia, veremos que eram murmurações ilegítimas e mereciam a indignada reação de Deus.


Buscaremos compreender o que estava por trás dessas murmurações, por que elas foram tão graves aos olhos do Senhor e o que os israelitas perderam com isso. Acima de tudo, veremos a importância de um senso de gratidão e confiança na direção divina, mesmo em meio aos nossos desertos pessoais.


O pecado da ingratidão


“Queixou-se o povo” – é assim que começa o capítulo 11 de Números. No texto não está expressa a razão específica da reclamação; queixavam-se de sua “sorte” (ARA), de “suas dificuldades” (NVI).1
Logicamente, o deserto não era um ambiente recomendável para se fincar uma tenda. Todavia, o Libertador da nação não prometeu um teletransporte para Canaã. Era necessário que chegassem lá pelas próprias pernas. E o Senhor usou essa jornada como um “processo de disciplina”2, uma aprendizagem de virtudes celestiais e esquecimento dos costumes egípcios. Na caminhada, eles precisavam exercer fé e um senso de dependência de Deus que um oásis não lhes permitiria.


Contudo, como vimos nos capítulos anteriores de Números, Deus estava mais do que presente entre o povo. Qualquer reclamação sobre alguma ameaça à integridade física da nação seria completamente infundada, pois não lhes faltava alimento, água ou saúde. A vida não era fácil na areia quente, mas não era e nem é impossível, tanto que os beduínos se adaptam bem ao deserto até hoje, constituindo cerca 10% da população do Oriente Médio.3 Além disso, a jornada era suavizada pelo cuidado divino.


Em vez de se alegrarem com a Providência que os libertara e sustentava, deram lugar ao descontentamento. Poderiam raciocinar que a travessia seria passageira: segundo o plano divino, em poucos dias, já adentrariam a Terra Prometida. Qualquer sacrifício seria grandemente recompensado pouco depois. Contudo, muitos se entregaram à insatisfação e ao desânimo.


A reação divina foi imediata e letal. Fogo irrompeu nas “extremidades do acampamento” (NVI) – um fogo que não tinha o que queimar no deserto, a não ser as murmurações injustas, ingratas e irracionais. Era um fogo justo4, visto que:


a) Não era a primeira vez que os israelitas murmuravam (Nm 14:22). Já o haviam feito desde a travessia do Mar Vermelho, mas Deus os havia tolerado por Sua misericórdia e porque Se compadeceu de sua “ignorância e cegueira”;


b) Uma aliança havia sido feita com eles no Sinai. Deus era oficialmente o Rei da nação, e as murmurações constituíam um ato de rebelião contra Ele;


c) Essa rebelião consciente deveria ser punida com severidade, “para que Israel fosse preservado da anarquia e ruína”.


O fogo surgiu onde as murmurações provavelmente começaram: pelas extremidades, onde os “estrangeiros”5 habitavam.6  O povo “clamou a Moisés”, que orou a Deus e o fogo se apagou. O lugar foi chamado de Taberá, “lugar de fogo”7, nome que provém de um verbo hebraico que significa “queimar”, “consumir”, “exterminar”.8


Logo em seguida, os estrangeiros tornaram ao murmúrio, que se espalhou entre os próprios israelitas. Passaram a chorar de saudades das carnes, peixes, pepinos, melancias, “alhos porós” (NVI) [ou cebolas (BJ )] e dos alhos que comiam no Egito (Nm 11:5). 


Faziam-no “em particular, em suas tendas, e também publicamente, ocupados em seus trabalhos e atividades diárias”.9 Ou seja, seu passado de escravidão lhes parecia melhor do que a presente liberdade no deserto, contanto que o estômago estivesse cheio. Como Esaú, trocavam sua herança pela comida (Gn 25:34). Ao mesmo tempo, desprezaram o maná, alimento que não provia um banquete, mas também não tinha gosto ruim. O maná era um alimento versátil e saboroso (Nm 11:7-9; Êx 16:23). Além disso, também se alimentavam de produtos de origem animal (Dt 32:14).


É evidente que os israelitas não reclamavam de uma carência real ou justificável. Parodiando, Deus lhes oferecia um guarda-Sol no deserto, mas eles queriam ar condicionado. Sua murmuração provinha de caprichos e paixões descontroladas. Assim como a deles, nossa disposição moral para o bem é fraca (Mt 26:36), fazemos orações egoístas10 (Tg 4:3) e facilmente cedemos ao desânimo, que se materializa em reclamações injustas contra Deus, a igreja e seus líderes. Lembremos também de que a influência má de uns poucos pode contaminar um grande grupo. Por isso, devemos cultivar o hábito de agir corretamente por nós mesmos.


Precisamos ter consciência de que atravessamos um deserto passageiro, e que nossas lutas são recursos que podemos aproveitar para nosso crescimento na graça. Em meio ao nosso deserto, devemos cultivar o sentimento de gratidão a Deus por Sua providência nas pequenas e grandes coisas.


Pressões na liderança


A ira divina se acendeu “grandemente” contra os israelitas, e Moisés passou a reprovar... a Deus! (Nm 11:10). Apesar de ser homem humilde na maior parte do tempo (Nm 12:3), sua impaciência aflorou, e ele passou a questionar o Senhor e a reclamar do peso da liderança (v. 11-14); chegou a pedir a morte! (v. 15). Isso demonstra que até os mais consagrados servos de Deus no passado tiveram suas falhas.


De certa forma, o relato da impaciência de Moisés é um consolo para cristãos atribulados pela culpa. Não podemos nos cobrar impecabilidade (1Jo 1; 10). Porém, isso não justifica o erro. Momentos negativos como esse devem ser exceção na vida cristã. O relato também é uma evidência de quanto sofrimento desnecessário o povo de Deus causa aos seus líderes, o que torna o trato com os membros da igreja, em “muitos” casos, “insuportável”.11


Yahweh passou por alto o desabafo de Moisés: ordenou a escolha de 70 anciãos para dividirem com ele as responsabilidades pelo povo. Para desempenhar a tarefa e como sinal de que haviam recebido autoridade, começaram a profetizar, o que “pode significar levantar a voz em louvores”.12

Em seguida, com justa indignação nas palavras, Deus ordenou que o povo se preparasse para comer carne “não um dia, nem dois... nem ainda vinte, mas um mês inteiro”, até que saísse pelo nariz! (v. 19 e 20).
Novamente atrevido, Moisés questionou a capacidade divina de realizar tal milagre (v. 21), e Deus o desafiou a ver que Sua palavra se cumpriria (Nm 11:23). Ele fez soprar um vento que “trouxe as codornizes do mar” (v. 31a). As codornizes euro-asiáticas são animais de 20 cm a 25 cm de comprimento, e pertencem à família dos faisões e perdizes. São voadoras, e fazem grandes migrações.13

Moisés se havia esquecido de que Deus já tinha feito esse milagre (Êx 16:13; Sl 105:40) e que poderia repeti-lo com maior intensidade: “As aves se espalhavam pelo arraial quase caminho de um dia sobre a terra” (v. 31b). Segundo Gleason Archer, a expressão “fez passar” indica que “o vento forçou” as aves a passarem por uma altura suficiente (cerca de um metro) para que os israelitas pudessem capturá-las14. Árabes capturavam codornizes dessa maneira no início do século XX.15 Champlin afirma que muitas delas, devido ao cansaço da migração e da luta contra o vento, poderiam até ter caído no chão.16


O povo recolheu codornizes por um dia e meio (v. 32), cerca de dez ômeres por pessoa (algo entre 1,9 mil e 2,2 mil quilos).17 Mal começaram a comer, uma “praga terrível” os atingiu (v. 33). A violenta reação divina pode ter pelo menos duas explicações: 


a primeira, que parece forçar o texto, proposta por Samuel Schultz – os israelitas se adiantaram e comeram as codornizes sem as cozinharem18; 


a segunda, que não exclui totalmente a primeira, é mais coerente – os israelitas pecaram especialmente por “desejarem a comida dos egípcios” (v. 34), porque cobiçaram as coisas más (1Co 10:6) e por duvidarem do poder divino (Sl 78:19-21). O nome do local da praga, Quibrote Taavá, “tumbas de concupiscência” 19, parece confirmar a segunda explicação.


Conflito familiar


Assim como o capítulo anterior, Números 12 começa com murmurações, não do povo, mas de duas das pessoas mais próximas a Moisés: seus irmãos Arão e Miriã. O cansado líder foi pego de surpresa. Ambos “eram favorecidos com o dom de profecia e, por determinação divina, tinham estado ligados a Moisés no livramento dos hebreus.”20 


Abaixo de Moisés, Arão e Miriã eram os representantes de Deus (Mq 6:4). Arão, três anos mais velho que Moisés (Êx 7:7), foi escolhido por Deus para ser seu porta-voz nas comunicações com o faraó e com o povo (Êx 10:8, 16; 16:10); mais tarde, foi escolhido como chefe de uma dinastia sacerdotal (Êx 28:1). Além de tudo, Arão sabia o que era suportar a murmuração (Êx 16:2), mas agora fazia o mesmo contra seu irmão.


Miriã havia desempenhado um papel chave em favor de Moisés, protegendo-o quando bebê (Êx 2:4); também era “abundantemente dotada de dons de profecia e música”, tinha “força de caráter” e, “nas afeições do povo e nas honras do Céu, ela estava apenas abaixo de Moisés e Arão”. No entanto, o mesmo pecado que provocou desentendimento no Céu era alimentado em seu coração.21


O texto indica que Miriã iniciara a murmuração, acusando Moisés por ter se casado com uma “cusita” (pertencente à linhagem de Cuxe, neto de Noé – Gn 10:6, origem associada à Etiópia22). Ou seja, Miriã acusava Moisés de ser casado com uma não israelita, o que comprometia sua autoridade. No entanto, os laços de Zípora, a esposa de Moisés, com o verdadeiro Deus eram inegáveis. Ela era uma descendente de Midiã, filho de Abraão com Quetura (Gn 25:1-4). Seu pai, Jetro, era “sacerdote” de Deus (Êx 3:1; 18:1, 12). De forma nenhuma era uma estranha à adoração do Senhor.


Na verdade, o que estava por trás da acusação de Miriã e Arão era que as últimas decisões estavam sendo tomadas sem sua consulta – a escolha dos 70 anciãos, por exemplo. Alegaram que o Senhor também falava por meio deles, indicando que tinham direito de questionar Moisés (Nm 12:2). A acusação referente à esposa de Moisés era apenas uma “cortina de fumaça”23 por trás da qual se escondiam ciúmes e o desejo de supremacia.


Apesar de ter sido usada por Deus em momentos anteriores, Miriã cometeu um gravíssimo erro e influenciou negativamente a Arão. Moisés se calou, pois era “manso” (ARA).24 Deus “ouviu” essas murmurações e chamou os três irmãos para fora da “tenda da congregação”. Ali, vindicou a liderança de Moisés, afirmando que, com ele, a comunicação era “boca a boca” (ARA), “face a face” (NVI) e os questionou por terem se atrevido a criticá-lo (Nm 12:8).


Logo, ambos perceberam a gravidade de seu erro: Miriã ficou coberta de “lepra” (poderia ser qualquer doença de pele), e provavelmente nem conseguia falar; Arão clamou por misericórdia. Moisés, então, se pronunciou pela primeira vez em oração, em favor de Miriã. Deus respondeu que não a ferira para morrer; a “lepra” duraria sete dias, permanecendo como uma lição sobre a gravidade de ter acusado seu irmão e líder de Israel.


O inimigo usa as pessoas mais próximas a nós para nos prejudicar. No entanto, como Moisés, precisamos exercer o silêncio nos momentos certos e responder às agressões com paciência, “vencendo o mal com o bem” (Rm 12:21). A rebeldia de Miriã e Arão é um exemplo de quão grave é atacar um líder escolhido por Deus e de como servos fiéis de Deus podem cair, quando se deixam dominar pelo desejo de exaltação própria.


Na fronteira


No capítulo 13, descrevem-se os fatos que compõem o clímax de uma onda de murmurações e incredulidade que teriam consequências trágicas para toda uma geração de israelitas. À beira da morte, Moisés relembrou que a ideia de enviar espiões para Canaã tinha sido dos líderes do povo (Dt 1:22). Em Sua sabedoria, Deus lhes atendera o pedido, ordenando a escolha de um príncipe por tribo.25 Sua missão era percorrer toda a região da Palestina para verificar os aspectos topográficos, demográficos, econômicos e militares.


Moisés lhes dera recomendações adicionais: “Sejam corajosos! Tragam fruto da terra” (v. 20 – NVI). Após os quarenta dias de espionagem, nota-se que a segunda recomendação foi obedecida, pois trouxeram um enorme cacho de uva. A primeira, no entanto, foi obviamente ignorada. Começaram seu relatório elogiando a terra laconicamente, não enfatizando nenhuma característica positiva adicional. Após breves palavras de elogio, pronunciaram um triste mas – “mas o povo que lá vive é poderoso, e as cidades são fortificadas e muito grandes” (v. 28).


A notícia caiu como um balde de água fria sobre uma frágil chama de fé e esperança. Os rostos alegres dos israelitas logo se desfiguraram. O pêndulo da emoção foi da expectativa para um profundo desapontamento. Todos começam a gritar até que Calebe pediu silêncio para dizer palavras de encorajamento: “Subamos e tomemos posse da terra. É certo que venceremos!” (v. 30) Por sua vez, os demais príncipes tomaram a palavra, decretando uma derrota de antemão (v. 31 e 32). 


Na invasão a Canaã, descrita no livro de Josué, percebe-se que poucos eram gigantes e que a terra não devorava seus moradores. Os espias haviam mentido. Calebe e Josué eram a voz da razão baseada na fé. Ainda hoje, Deus precisa de pessoas como Calebe e Josué, que sejam firmes pelo que é certo.26


O grande problema do relato dos espias incrédulos foi terem retirado Deus do cenário. “Julgavam as coisas pelo que viam, mas não com a fé”.27 Era evidente que, por seus próprios recursos, o povo não conseguiria vencer os cananeus. Nem armas tinham! 


No entanto, eles não enxergavam o General que jamais perdeu uma batalha e que ia adiante deles. Esqueciam-se de que Deus os libertara do Egito, uma nação mais poderosa do que todos os cananeus juntos. Suas justificativas racionais excluíam o Deus que os acompanhava. Da mesma forma nós, cristãos do século XXI, muitas vezes falamos e agimos como se Deus não estivesse no cenário e tudo dependesse exclusivamente de nós. A qualidade fundamental do cristão, segundo Jesus, é a capacidade de se deixar guiar, como uma criança (Mt 18:3). Aos espias e ao povo faltou essa confiança em Deus, e o resultado foi desastroso.


De volta ao Egito


Cegos diante da própria loucura, todo o povo “chorou em alta voz” durante toda aquela noite (Nm 14:1). E fizeram queixas horríveis, dizendo que: 


a) preferiam morrer no Egito ou no deserto; 
b) Deus tinha o objetivo de fazê-los morrer em combate; 
c) suas mulheres e filhos seriam tomados como prisioneiros de guerra; 
d) seria melhor voltar ao Egito (v. 2-3). 


Desprezando a liderança de Moisés e do Senhor, chegaram a escolher um capitão para voltar à terra de escravidão (v. 4).


A multidão estava descontrolada. Em angústia, Moisés e Arão se prostraram (v. 5). Corajosamente, Josué e Calebe rasgaram suas vestes (um gesto de “profunda consternação e tristeza.28) e fizeram o último apelo ao povo, manifestando a confiança no poder de Deus para colocá-los em Canaã, logicamente dependendo de o povo se arrepender daquela rebeldia e de o Senhor Se agradar deles. Afirmaram que os cananeus estavam desamparados, não deveriam ser temidos, pois seriam devorados “como pão” (v. 8 e 9).  


Desde a promessa a Abraão, os cananeus tiveram quatro gerações de misericórdia, e naquele momento já haviam atingido o limite de tolerância divina à iniquidade (Gn 15:6). O povo de Israel seria usado como instrumento de juízo, assim como o fogo foi empregado em Sodoma e Gomorra (Gn 13:13; 19:24).


Ainda mais enlouquecida, a multidão começou a falar em apedrejar29 os dois fiéis servos de Deus, quando a glória divina irrompeu na “tenda da congregação” (ARA), ou “tenda do encontro” (NVI). Deus, então, falou diretamente a Moisés sobre Sua indignação com o povo que O tratava “com pouco caso” e se recusava a crer nEle, apesar de todos os milagres realizados até então (v. 11). A punição seria a imediata destruição de todo o povo; Moisés seria o pai de uma nova nação.


Ao ouvir isso, Moisés intercedeu pelos israelitas, confiante na misericórdia divina.30 Deus ouviu Seu servo, concordou em poupar os israelitas, mas os condenou a serem vítimas de suas próprias palavras:


a) como diziam preferir morrer no deserto a entrar em Canaã, isso ocorreria; 
b) como diziam que as mulheres e filhos seriam presas dos cananeus, somente os de 20 anos ou menos entrariam na Terra Prometida. 


Aqueles que não murmuraram, como Calebe e Josué, bem como as crianças e jovens, sofreriam pelos erros dos demais. Ao longo de 40 anos vagueariam pelo deserto, cada ano por um dos 40 dias de espionagem em Canaã.

Subitamente, os 10 espias traidores foram mortos por uma praga divina, e todo o povo percebeu quão insanos tinham sido. Seguiu-se uma segunda madrugada de choro, diferente da primeira – um remorso por terem desperdiçado a chance de entrar em Canaã em poucos dias e por amargarem a perspectiva de toda uma vida na areia quente.31 Todavia, para muitos, as lágrimas não eram fruto de um arrependimento sincero. Desobedecendo novamente a Deus, decidiram lutar pelas próprias forças contra os cananeus – uma loucura muito maior do que a primeira, pois não tinham o amparo do Senhor. O resultado foi uma vergonhosa derrota (v. 40-45). A desobediência insistente prejudica ainda mais a vida humana.



Conclusão


Um homem viu um garoto rabiscando uma folha de papel, e perguntou:
– O que você está desenhando?
– Estou fazendo um desenho de Deus.
– Você não pode fazer isso, porque ninguém sabe como Deus é.
– Quando eu terminar, as pessoas saberão – respondeu o menino, todo confiante.32



Muitos tentam pintar Deus de acordo com suas próprias concepções, mas o Deus dos israelitas no deserto não mudou (Ml 3:6; Hb 13:8). O Senhor sempre terá aversão ao pecado e a toda sorte de injustiça e murmurações (1Co 10:10). Por outro lado, Sua misericórdia nos convida a refletir e a mudar nossa vida. Como herdeiros espirituais dos israelitas do deserto, precisamos aprender com seus erros e acertos, para renovarmos nossa vida cristã (1Co 10:16).


Somos o “povo do advento”, que segue por um “caminho reto e estreito” em direção à cidade. Uma luz brilha à nossa frente e outra, por trás. Alguns desanimam, outros perseveram.33 Assim como os israelitas, temos um deserto a atravessar, mas uma Canaã celestial para adentrar. Por isso, precisamos conservar nosso foco em Deus, acima de todas as dificuldades e nos manter firmes no caminho, sem desânimo nem dúvida. 


Nosso dever é estar ao lado daqueles que mantiveram firme sua fé, como Moisés, Josué e Calebe, sempre agindo pelo que é certo e não cedendo às pressões do grupo. Precisamos também cultivar um coração agradecido a Deus por Suas bênçãos e cuidado ao longo da caminhada.



  1. Foram utilizadas siglas para indicar as versões bíblicas utilizadas: ARA (Almeida Revista e Atualizada), NVI (Nova Versão Internacional) e BJ (Bíblia de Jerusalém).
  2. White, Ellen. Patriarcas e Profetas. São Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 2001. CD-ROM. p. 378.
  3. Disponível em: <http://mundoestranho.abril.com.br/historia/pergunta_287080.shtml>. Acesso em 21 de outubro de 2009.
  4. White, p. 379.
  5. “O termo hebraico assim traduzido [“estrangeiros”] é ‘asapup, que se acha apenas aqui em todo o Antigo Testamento. O termo tem o sentido básico de ‘coleção’, pois estavam em foco aquelas pessoas que haviam sido ‘coletadas’ ao longo do caminho, pessoas indesejáveis, que não pertenciam ao povo de Israel (...)  No Egito, muita outra gente vivia escravizada, e escravos de outras raças que tinham se aproveitado da emancipação dos israelitas para escaparem. Outros podem ter sido meros aventureiros que estavam procurando uma oportunidade para fugir. E também havia meros descontentes, talvez até alguns egípcios que buscavam fortuna (...) Pessoas dessa natureza seriam as primeiras a murmurar; mas é tolice pensar que a murmuração não foi generalizada. Outra palavra está por trás do nome ‘ereb, ‘multidão mista’, que se vê em Êx 12:38; Ne 13:3. Mas a mesma gente está em pauta.” Champlin, R. N. O Antigo Testamento Interpretado. São Paulo: Candeia, 2000. 1ª edição. 1:641.
  6. Nichol, Francis D. (ed.) e outros. Comentario Bíblico Adventista Del Septimo Dia. vol 1. Buenos Aires: Casa Editora Sudamericana, 1992. 1:874. Há mais informações sobre os “estrangeiros” em Ex 12:38; Dt 29:11; Js 8:35.
  7. Champlin, p. 641.
  8. Ibid.
  9. Ibid., p. 642
  10. Ibid.
  11. Uma leitura bem humorada e descontraída sobre a relação do ministro com sua congregação pode ser obtida em: Groeschel, C. Confissões de um pastor. São Paulo: Mundo Cristão, 2008. 1ª edição. p. 17. O primeiro capítulo tem como título “Muitos cristãos são insuportáveis”.
  12. Champlin, 642. cf. Harper (ed.) e outros. Comentário Bíblico Beacon. Rio de Janeiro: CPAD, 2005. 1ª edição. p. 346.
  13. Horn, Siegfried (ed.) e outros. Diccionario Bíblico Adventista Del Séptimo Dia. 1ª edição. Buenos Aires: Associação Casa Editora Sudamericana, 1995. p. 238.
  14. Gleason, Archer Jr. Merece Confiança o Antigo Testamento? São Paulo: Vida Nova. 2000. 3ª edição. p. 168.
  15. “No começo deste século, os árabes que viviam nas circunvizinhanças de El-Arish, ao norte do Sinai, costumavam caçar entre um e dois milhões de codornizes durante a migração do outono, em redes espalhadas para pegar as aves que voavam baixo. Gispen, W. H. Comentar op het Out Testament – Het boek Numeri I-II, 1959, 1964. In Wenhan, G. J. Números. São Paulo: Vida Nova; Mundo Cristão, 1985. 1ª edição. p. 116.
  16. Champlin, p. 646.
  17. Ibid.
  18. Schultz, S. A História de Israel no Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2000. p. 77.
  19. Ibid.
  20. White, p. 382.
  21. Ibid.
  22. “Cuxe normalmente se refere à Etiópia”. Wenhan, p. 117.
  23. Ibid.
  24. A melhor tradução de ‘anaw seria “humilde”; não “manso”. Wenhan, p. 118.
  25. White, p. 387.
  26. “Deus precisa de Seus homens em momentos de crise (...) Ele [o servo de Deus] quererá fazer o que é certo, apesar dos votos em contrário.” Champlin, 654. Vale relembrar a clássica citação de Ellen White: “A maior necessidade do mundo é a de homens – homens que se não comprem nem se vendam; homens que no íntimo da alma sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens, cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao pólo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus.” White, E., Educação. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2001. CD-ROM. p. 57.
  27. Champlin, p. 652.
  28. Ibid., p. 653.
  29. “Isto não é apenas um linchamento executado pela multidão (...) a congregação tinha autoridade judicial, e o apedrejamento era reservado para a punição de crimes religiosos importantes (...) e pecados contra a família (...) Josué e Calebe os haviam acusado de se rebelarem contra o Senhor (v. 9); a congregação rejeitou essa acusação como falsa, e propôs que se executasse a pena apropriada para falsas testemunhas.” Wenhan, p. 128.
  30. “Moisés fez o seu apelo com base na compreensão que tinha do amor divino.” Champlin, p. 655.
  31. Os israelitas choraram pela “tristeza de serem punidos”. Harper e outros, p. 352.
  32. Lutzer, Erwin. 10 Mentiras sobre Deus. São Paulo: Vida, 2001. p. 15.
  33. A primeira visão de Ellen White tem que ver com o povo do advento, que segue por um caminho estreito e perigoso. Há paralelos claros entre essa visão e as experiências dos israelitas descritas em Números. Veja: White, E. Primeiros Escritos. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2001. CD-ROM. p. 14-24.

Diogo Cavalcanti, 
bacharel em Teologia e Jornalismo
Editor Associado na Casa Publicadora Brasileira



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